Paulo Guedes integra Conselho Consultivo da biorrefinaria Inpasa

Quando você coloca um ex-ministro no conselho, você está dizendo ao mercado que é sério
A nomeação de Guedes sinaliza ao mercado e aos investidores que a Inpasa tem acesso político e credibilidade institucional.

Quando figuras que moldaram políticas econômicas nacionais migram para o setor privado de energia limpa, algo mais amplo está em movimento. Paulo Guedes, ex-ministro da Economia do governo Bolsonaro, aceitou um assento no Conselho Consultivo da Inpasa — a maior biorrefinaria de etanol de grãos da América Latina —, sinalizando que a empresa busca traduzir credibilidade institucional em impulso estratégico. A nomeação, anunciada em julho de 2026, insere-se num padrão deliberado de atração de lideranças do mundo financeiro e público para orientar uma expansão que a própria companhia enquadra como contribuição à transição energética global.

  • A Inpasa acelera sua corrida por legitimidade corporativa ao convocar, em menos de cinco meses, dois ex-líderes de peso — um do sistema financeiro, outro do governo federal — para seu conselho consultivo.
  • Com capacidade de 6,7 bilhões de litros de etanol por ano e duas novas plantas em construção, a empresa opera sob uma pressão crescente para demonstrar que seu tamanho é acompanhado por governança à altura.
  • A chegada de Guedes é apresentada como suporte estratégico à expansão em bioenergia, mas também funciona como sinal ao mercado de que a companhia joga em escala global e quer ser lida assim.
  • A redução de 43% na intensidade de emissões de carbono entre 2021 e 2024 e o Selo Ouro do GHG Protocol por quatro anos consecutivos constroem o argumento ambiental que sustenta — e precisa sustentar — esse crescimento agressivo.

Paulo Guedes, o economista que conduziu a política econômica do governo Bolsonaro por quatro anos, aceitou um lugar no Conselho Consultivo da Inpasa. O convite partiu de José Odvar Lopes, fundador e presidente do Conselho de Administração da empresa, e foi anunciado como parte de um esforço deliberado de fortalecer a governança corporativa e apoiar os planos de expansão da companhia no setor de bioenergia.

A nomeação não é um evento isolado. Apenas quatro meses antes, José Olympio Pereira — ex-presidente do Credit Suisse no Brasil e do banco J. Safra — havia ingressado no mesmo colegiado. O padrão revela uma estratégia clara: a Inpasa quer ao seu redor nomes capazes de transitar entre o mundo das finanças, o poder público e os mercados internacionais.

Fundada em 2006 no Paraguai e presente no Brasil desde 2018, a Inpasa se descreve como a maior biorrefinaria de etanol de grãos da América Latina e o segundo maior produtor global da substância. Opera oito unidades industriais — seis no Brasil, duas no Paraguai — e tem mais duas em construção, em Rio Verde (GO) e Rondonópolis (MT). Sua capacidade anual chega a 6,7 bilhões de litros de etanol, além de 3,5 milhões de toneladas de DDGS, 340 mil toneladas de óleo vegetal e quase 1.903 gigawatts-hora de energia renovável.

O argumento ambiental também é central na narrativa da empresa. Entre 2021 e 2024, a Inpasa reduziu em 43% a intensidade de suas emissões de carbono e conquistou o Selo Ouro do GHG Protocol por quatro anos seguidos. É sobre essa base — expansão agressiva de capacidade combinada com desempenho ambiental verificável — que a empresa posiciona a entrada de Guedes: um economista com experiência de governo que, segundo a companhia, pode ajudar a sustentar o crescimento em um setor que se vê como protagonista da transição energética global.

Paulo Guedes, o economista que comandou a pasta da Economia durante os quatro anos do governo Bolsonaro, acaba de aceitar um assento no Conselho Consultivo da Inpasa, uma das maiores produtoras de etanol do mundo. O anúncio chegou por meio de um comunicado da própria empresa, que descreveu a chegada de Guedes como parte de um movimento mais amplo de fortalecimento da sua estrutura de governança e como suporte direto aos planos de expansão que a companhia vem desenvolvendo no setor de bioenergia.

A Inpasa, que opera como uma biorrefinaria especializada em processamento de grãos, fez o convite através de José Odvar Lopes, fundador e presidente do seu Conselho de Administração. A nomeação de Guedes ocorre apenas quatro meses depois que José Olympio Pereira, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil e do banco J. Safra, também ingressou no mesmo colegiado — um padrão que sugere a empresa está buscando reforçar sua liderança com nomes de peso vindos tanto do setor financeiro quanto da administração pública.

A empresa descreve a si mesma como a maior biorrefinaria de etanol de grãos em toda a América Latina e o segundo maior produtor global da substância. Fundada em 2006 no Paraguai, a Inpasa expandiu-se para o Brasil a partir de 2018 e hoje opera oito unidades industriais — seis delas em solo brasileiro e duas no Paraguai. Além disso, possui duas novas plantas em construção, uma em Rio Verde, no estado de Goiás, e outra em Rondonópolis, no Mato Grosso.

Os números que definem a escala da operação são impressionantes. A companhia consegue processar 6,7 bilhões de litros de etanol por ano. Além do etanol, produz 3,5 milhões de toneladas de DDGS — um subproduto proteico usado em ração animal — junto com 340 mil toneladas de óleo vegetal e 1.903 gigawatts-hora de energia renovável anualmente. A empresa também se posiciona como líder nas exportações brasileiras de DDGS e conquistou certificações internacionais como a ISCC Corsia, que atesta a sustentabilidade de seus processos.

Um dos destaques da trajetória recente da Inpasa é a redução de 43% na intensidade de suas emissões de carbono entre 2021 e 2024 — uma métrica que a levou a conquistar o Selo Ouro do GHG Protocol por quatro anos consecutivos. Esse desempenho ambiental, combinado com a expansão agressiva de capacidade, parece ser exatamente o tipo de narrativa que a empresa quer amplificar com a entrada de Guedes em seu conselho. Um economista com experiência em governo, argumenta a empresa em sua nota, traz uma perspectiva estratégica que pode ajudar a sustentar o crescimento contínuo da companhia em um setor que se posiciona como central para a transição energética global.

A chegada de Paulo Guedes fortalece o processo de evolução da governança da Inpasa e contribuirá com uma visão estratégica para apoiar o crescimento sustentável da companhia
— Inpasa (comunicado oficial)
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que uma biorrefinaria precisaria de um ex-ministro da Economia em seu conselho consultivo? Qual é a vantagem prática?

Model

Guedes traz credibilidade política e conhecimento sobre como o governo pensa — regulação, incentivos fiscais, políticas de exportação. Para uma empresa que opera em dois países e vende globalmente, isso é ouro.

Inventor

A Inpasa já estava crescendo. O que muda com essa nomeação?

Model

Não é que mude operacionalmente amanhã. É sinalização. Quando você coloca um ex-ministro no conselho, você está dizendo ao mercado, aos investidores, aos reguladores: somos sérios, temos acesso, entendemos o jogo político.

Inventor

E quanto ao timing? Por que agora, quatro meses depois de trazer o ex-presidente do Credit Suisse?

Model

Parece uma estratégia deliberada de montar um conselho com peso. Primeiro vem o banqueiro — credibilidade financeira. Depois vem o economista — credibilidade política. Você está construindo uma rede.

Inventor

A empresa fala muito sobre redução de emissões e certificações. Guedes é conhecido por ser mais liberal economicamente. Há tensão aí?

Model

Não necessariamente. Guedes sempre apoiou agronegócio e bioenergia — são setores que ele vê como estratégicos para o Brasil. Sustentabilidade e liberalismo econômico não são contraditórios quando o setor já está lucrando com isso.

Inventor

Qual é o próximo passo que você espera da Inpasa?

Model

As duas plantas em construção precisam sair do papel. Com Guedes no conselho, a empresa ganha voz em Brasília se precisar de algo — crédito, isenção fiscal, apoio regulatório. Isso acelera tudo.

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