Parisienses e turistas aproveitam reabertura de áreas de banho no Sena

Pode ficar mais bonito do que isto?
Um turista norte-americano reage à vista do Sena com a Torre Eiffel ao fundo enquanto nada.

Três zonas gratuitas e seguras no Sena abriram aos banhistas após levantamento de proibição centenária para os Jogos Olímpicos 2024. Paris enfrenta temperaturas acima de 40°C, e a natação no rio tornou-se forma popular de refrescamento numa cidade onde ar condicionado é raro.

  • Três zonas de banho gratuitas e supervisionadas abriram no Sena após levantamento de proibição centenária
  • Paris enfrentou temperaturas acima de 40°C durante onda de calor em junho
  • Quase 100 mil visitantes utilizaram estas zonas no ano anterior
  • Zonas permanecem abertas até final de agosto com testes de qualidade de água várias vezes por dia

Parisienses e turistas aproveitam a reabertura de três áreas supervisionadas no rio Sena para nadar, um alívio durante uma onda de calor recorde que atinge a Europa.

No sábado, enquanto o termómetro parisiense marcava recordes de calor, centenas de pessoas desceram até às margens do Sena para fazer aquilo que, durante mais de um século, lhes tinha sido proibido: nadar no rio que atravessa a cidade. Aos pés da Torre Eiffel, nadadores de todas as idades flutuavam em boias amarelas obrigatórias, protegidos pela corrente e pela vigilância de nadadores-salvadores em t-shirts fluorescentes. A cena era de alívio puro — corpos refrescados, rostos sorridentes, a sensação de que Paris tinha finalmente encontrado uma forma de respirar durante uma onda de calor que tinha elevado as temperaturas acima dos 40°C em várias regiões do país.

A reabertura de três zonas de banho supervisionadas e gratuitas marca um ponto de viragem na história da capital francesa. Estas áreas — localizadas em Bercy, na zona leste, em Grenelle, a oeste, e em Bras Marie, no coração da cidade — foram criadas originalmente para os Jogos Olímpicos de 2024, quando uma proibição que durava mais de cem anos foi finalmente suspensa. O que começou como um experimento olímpico transformou-se numa instituição estival. Quase cem mil visitantes tinham aproveitado estas zonas no ano anterior, e agora, com o calor a intensificar-se, a procura era ainda maior.

Para muitos parisienses, a natação no Sena representa muito mais do que um refrescamento ocasional. Numa cidade onde o ar condicionado é raro nas casas particulares, o rio tornou-se um recurso essencial durante os meses quentes. Lauriane Fiorentino, funcionária de uma empresa de construção, descreveu a experiência com simplicidade: era melhor do que uma piscina convencional, não era bem uma praia, mas tinha aquela qualidade intangível de férias — um escape do quotidiano urbano. Benjamin Doncan, um turista norte-americano, não conseguia conter o entusiasmo perante a combinação de água fresca e paisagem icónica. "Olhem esta água, com a Torre Eiffel ao fundo", exclamou. "Sinceramente, pode ficar mais bonito do que isto?"

Mas a alegria vinha acompanhada de preocupações legítimas. A qualidade da água do Sena depende fortemente das condições meteorológicas, e durante meses de chuva intensa, a segurança pode ser comprometida. Para mitigar estes riscos, as autoridades implementaram um sistema rigoroso de monitorização. A água é testada várias vezes por dia, e os resultados são comunicados aos banhistas através de um sistema de bandeiras — verde para seguro, laranja para precaução, vermelho para proibição. Pierre Aboukrat, funcionário da Câmara Municipal do 15º bairro, admitiu que tinha ficado inicialmente nervoso com a ideia de nadar no rio, mas os testes diários tinham-lhe dado confiança. "Tenho cuidado, não engulo água", disse, "mas é seguro, por isso está tudo bem."

Os meteorologistas alertam para a possibilidade de novas ondas de calor nas próximas semanas, o que significa que estas três zonas de banho permanecerão provavelmente cheias até ao final de agosto, quando estão programadas para fechar. A reabertura do Sena para natação representa uma mudança profunda na forma como Paris se relaciona com o seu rio — não mais como uma barreira ou um símbolo de poluição industrial, mas como um espaço público de refrescamento e comunidade. Para uma cidade que enfrenta temperaturas cada vez mais extremas, o Sena tornou-se não apenas um luxo, mas uma necessidade.

É melhor do que a piscina; não é bem a praia, mas dá aquela sensação de já estar um pouco de férias
— Lauriane Fiorentino, funcionária de empresa de construção
Fiquei um pouco assustado, mas fazem testes todas as manhãs. Portanto, tenho cuidado, não engulo água... É seguro
— Pierre Aboukrat, funcionário da Câmara Municipal do 15º bairro
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Porque é que uma proibição de nadar no Sena durou mais de cem anos?

Model

A história é complexa — envolve poluição industrial, segurança pública, e a forma como as cidades modernas se relacionam com os seus rios. Mas o que é interessante agora é que os Jogos Olímpicos forçaram uma mudança. Alguém decidiu que o rio tinha de estar limpo o suficiente para atletas, e isso abriu a porta para todos.

Inventor

E a qualidade da água — as pessoas realmente confiam naquele sistema de bandeiras?

Model

Parece que sim, pelo menos o suficiente. Há testes diários, há vigilância. Não é perfeito, mas é transparente. As pessoas veem as bandeiras, entendem o risco, e fazem as suas próprias escolhas. É mais do que tinham antes.

Inventor

O que é que isto diz sobre como as cidades estão a adaptar-se ao calor extremo?

Model

Que estão a procurar soluções criativas com o que já têm. Paris não pode construir piscinas para cem mil pessoas. Mas tem um rio. E quando o clima muda, de repente aquilo que era proibido torna-se essencial.

Inventor

Há algo de melancólico nisto — que precisamos de uma onda de calor recorde para finalmente usar o nosso próprio rio.

Model

Exatamente. É uma vitória, mas é também um aviso. O Sena está aberto porque o calor é insuportável. Não é porque alguém acordou e decidiu que era uma boa ideia. É porque não havia alternativa.

Contáctanos FAQ