Para já, cinco; para já, cinco
Três meses após tomar posse, o Presidente António José Seguro percorreu as ruas de Angra do Heroísmo no Dia de Portugal, encontrando-se com cidadãos comuns, emigrantes e turistas num gesto que fala mais do que qualquer discurso. Quando um idoso lhe perguntou sobre um segundo mandato, Seguro respondeu com a serenidade de quem sabe que o poder se serve no presente: 'Para já, cinco.' A presença simultânea do seu antecessor Marcelo Rebelo de Sousa na mesma ilha, sem que os dois se cruzassem, oferece uma imagem silenciosa da passagem do tempo e da continuidade das instituições.
- Com apenas três meses de mandato, Seguro escolheu as ruas de uma cidade Património Mundial para afirmar uma presidência de proximidade — e a mensagem chegou às varandas em forma de palmas.
- A pergunta de um idoso sobre um segundo mandato criou o momento mais revelador do dia: a resposta curta e direta de Seguro — 'Para já, cinco' — traçou os limites do seu horizonte político sem hesitação.
- O antecessor Marcelo Rebelo de Sousa percorreu a mesma Angra do Heroísmo a poucos metros de distância, numa coincidência que nenhum dos dois procurou resolver com um encontro.
- De uma pastelaria centenária a uma papelaria onde evocou o negócio do pai, Seguro construiu ao longo de hora e meia um retrato de si mesmo como 'um português simples' — imagem que os primeiros meses de presidência têm cultivado com consistência.
António José Seguro estava em Angra do Heroísmo na terça-feira para as comemorações do Dia de Portugal, três meses depois de tomar posse. Quando um idoso lhe perguntou se esperava viver para completar um segundo mandato, a resposta foi imediata: 'Para já, cinco.' A frase resumiu, em duas palavras, a filosofia com que o novo Presidente parece encarar o cargo.
Durante cerca de hora e meia, Seguro percorreu o centro histórico da cidade, classificada como Património Mundial da Humanidade. O passeio começou com o hastear da bandeira no Pátio da Alfândega e prolongou-se pela Rua Direita, onde recebeu palmas de varandas e janelas. Uma funcionária de loja elogiou-o como alguém do povo; ele respondeu que era apenas um português simples. A turistas norte-americanos explicou, em inglês, que o 10 de Junho era para Portugal o que o 4 de Julho é para os Estados Unidos.
O Presidente encontrou-se com João Bosco Mota Amaral, antigo presidente do Governo Regional dos Açores e da Assembleia da República, numa pastelaria centenária. Mais tarde, numa papelaria, recordou o negócio do pai e comprou um livro de geopolítica ao professor Miguel Monjardino, pedindo-lhe que o autografasse. Enquanto Seguro fazia este percurso, o seu antecessor Marcelo Rebelo de Sousa subia a Rua da Sé a pouca distância — os dois nunca se cruzaram, numa imagem discreta da transição que o país atravessa.
António José Seguro estava em Angra do Heroísmo na terça-feira, três meses depois de tomar posse como Presidente da República, quando um idoso lhe perguntou se esperava viver o suficiente para completar um segundo mandato — dez anos no total. A resposta foi rápida e clara: "Para já, cinco."
O chefe de Estado passou a tarde a caminhar pelo centro histórico da cidade, classificada como património mundial da humanidade, numa jornada que durou cerca de uma hora e meia. O passeio começou com o hastear da bandeira no Pátio da Alfândega, marcando o início das celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas na ilha Terceira. Enquanto Seguro percorria a Rua Direita, o seu antecessor, Marcelo Rebelo de Sousa, também se encontrava em Angra para a mesma cerimónia, subindo a Rua da Sé a pouca distância. Os dois nunca se cruzaram.
Durante a caminhada, Seguro parou frequentemente para cumprimentar pessoas, recebendo palmas de varandas e janelas. Uma funcionária de uma loja abordou-o com um elogio que o descrevia como alguém do povo, necessário para o país. Seguro respondeu com humildade, dizendo que era apenas um português simples. Noutro momento, conversou com um grupo de turistas norte-americanos em inglês, explicando que Portugal celebrava o 10 de Junho tal como eles celebravam o 4 de Julho.
O Presidente encontrou-se com João Bosco Mota Amaral, antigo presidente do Governo Regional dos Açores e da Assembleia da República, numa pastelaria centenária chamada Athanásio. Mais tarde, entrou numa papelaria onde recordou que o seu pai também tinha um negócio semelhante e que ele próprio tinha trabalhado lá durante as férias. Comprou um livro de geopolítica do professor Miguel Monjardino, que o acompanhava nas celebrações, e pediu-lhe para o autografar.
A resposta de Seguro sobre um segundo mandato — focando-se no presente, nos cinco anos que tem pela frente — sugere uma abordagem pragmática ao cargo. Enquanto isso, a sua presença acessível nas ruas de Angra, interagindo com residentes, emigrantes e turistas, reforçou uma imagem de proximidade que marcou os primeiros meses da sua presidência.
Citações Notáveis
Muito obrigada por mandar no nosso país, porque você é uma pessoa, entre aspas, como Deus. Homens do povo, com pé descalço, e é isso que nós precisamos no nosso país— Uma funcionária de uma loja em Angra do Heroísmo
Muito obrigado, minha senhora, mas eu sou só um português, simples, como a senhora— António José Seguro, em resposta
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Quando um idoso lhe pergunta sobre viver dez anos como Presidente, por que é que a resposta é tão direta — "para já, cinco"?
Porque não há espaço para ambiguidade. É uma forma de dizer: estou aqui agora, este é o trabalho que tenho, e não estou a pensar no que vem depois.
Mas há algo de significativo no facto de Marcelo estar também lá, a pouca distância, e os dois não se cruzarem?
Talvez. Dois Presidentes, duas gerações de liderança, na mesma rua ao mesmo tempo, mas em trajectórias separadas. É um símbolo de transição.
A interação com as pessoas — a mulher na loja, o idoso, os turistas — parece deliberada. Está a construir algo?
Ou está apenas a ser quem é. Três meses de presidência, ainda a conhecer o país, a ouvir as pessoas. Não tudo é estratégia.
E comprar um livro de geopolítica, pedir um autógrafo — isso é casual ou é performativo?
Ambos, talvez. É real — o homem quer o livro — mas também é visível. Presidentes vivem em espaços onde tudo é visto.