Pandemia reduz preços de seguros de carros; saiba como negociar melhor

Mesmo parado na garagem, o carro ainda corre riscos
Especialistas alertam que seguro continua necessário mesmo com menor uso de veículos durante a pandemia.

Em meio à paralisação imposta pela pandemia, o mercado de seguros de automóveis no Brasil viveu uma inversão silenciosa: com menos carros nas ruas e menos contratos novos sendo firmados, as seguradoras voltaram seus esforços para reter quem já tinham, oferecendo condições que em tempos normais raramente surgiriam. A queda de 5,3% na arrecadação entre janeiro e julho de 2020 não foi apenas um número — foi o sinal de que a relação entre seguradoras e segurados precisava ser renegociada. O que começou como crise tornou-se, para muitos consumidores, uma rara janela de poder de barganha.

  • A queda brusca nas vendas de veículos novos e no uso dos carros ameaçou a principal fonte de receita das seguradoras, que viram sua arrecadação encolher 5,3% em apenas sete meses.
  • Para não perder clientes para a concorrência, as seguradoras passaram a oferecer descontos de até 20%, parcelamentos sem juros em até 12 vezes e coberturas personalizadas adaptadas à nova realidade.
  • No Rio de Janeiro, a queda de 32% nos roubos de veículos até julho permitiu reduções de preço acima da média nacional, tornando o estado um dos maiores beneficiados do período.
  • Consumidores como Rachel e Ronaldo Zan migraram de seguradoras após dez anos de fidelidade, atraídos por propostas R$ 800 mais baratas — sinal de que o mercado estava, de fato, em movimento.
  • Especialistas alertaram que abandonar o seguro por conta do isolamento seria um erro, já que riscos como roubo e danos independem do uso do veículo — o importante era ajustar a cobertura, não eliminá-la.

Quando a pandemia esvaziou as ruas, as seguradoras de automóveis se viram diante de um problema inédito: os carros pararam, as vendas caíram e, com elas, os novos contratos que sustentavam o setor. De janeiro a julho de 2020, a arrecadação recuou 5,3% em relação ao ano anterior, segundo a Superintendência de Seguros Privados. A resposta do mercado foi rápida: se não havia como vender apólices novas, era preciso renovar as antigas com propostas difíceis de recusar.

As seguradoras passaram a oferecer descontos significativos, prazos estendidos e coberturas sob medida para uma realidade que ninguém havia previsto. Walter Pereira, da Federação Nacional de Seguros Gerais, descreveu o movimento como uma reorientação de recursos para manter os clientes. Quem não oferecia boas condições perdia para a concorrência — e o consumidor, pela primeira vez em muito tempo, tinha poder de escolha real.

Esse cenário se traduziu em histórias concretas. Rachel Zan, microempresária de 48 anos, e seu marido Ronaldo, de 54, deixaram uma seguradora com quem estavam há dez anos ao encontrar uma proposta R$ 800 mais barata. Fabio Izoton, presidente do Clube dos Corretores de Seguros do Rio de Janeiro, orientava seus clientes a comparar propostas com ajuda especializada, já que as variáveis — região, modelo do carro, perfil do motorista — tornavam difícil avaliar sozinho o que era realmente vantajoso.

Houve também quem questionasse se o seguro ainda fazia sentido com o carro parado na garagem. A planejadora financeira Paula Sauer foi direta: riscos como roubo e danos não dependem do uso do veículo, e o sinistro pode ocorrer justamente no dia em que se sair. A orientação era ajustar a cobertura — optar por proteção apenas contra roubo, dispensar colisão, ou até usar seguros do tipo 'liga e desliga' para quem dirigia muito pouco.

No Rio de Janeiro, onde os seguros historicamente figuram entre os mais caros do país, a queda de 32% nos roubos de veículos até julho permitiu reduções de preço acima da média nacional — cerca de 10% entre janeiro e junho. A Youse, por exemplo, ofereceu desconto médio de 20% nas renovações e viu suas taxas de renovação crescerem mais de 20 pontos percentuais entre abril e julho. O que começou como ameaça ao setor transformou-se, para as empresas mais ágeis, em oportunidade de fidelização.

Quando a pandemia chegou, as seguradoras de automóveis enfrentaram um problema que nenhuma delas esperava: as pessoas pararam de dirigir. As vendas de carros novos caíram, e com elas, os contratos de seguro que historicamente representavam a maior fatia do negócio. De janeiro a julho de 2020, a arrecadação do seguro de automóveis registrou queda de 5,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados. As seguradoras precisavam agir rápido para manter seus clientes.

A estratégia foi simples: se não conseguiam vender apólices novas, precisavam renovar as antigas com propostas irrecusáveis. Começaram a oferecer descontos significativos sobre o valor do ano anterior, estenderam prazos de pagamento e criaram coberturas personalizadas para atender a uma realidade que ninguém havia previsto. Walter Pereira, presidente da Comissão de Automóvel da Federação Nacional de Seguros Gerais, explicou que as empresas buscavam redirecionar seus recursos e oferecer opções aos clientes. O resultado foi um mercado em movimento, onde quem não oferecia uma boa proposta perdia o cliente para a concorrência.

Rachel Zan, microempresária de 48 anos, e seu marido Ronaldo, de 54, vivenciaram essa transformação na prática. Depois de dez anos com a mesma seguradora, decidiram migrar para um concorrente que oferecia um valor R$ 800 mais barato, parcelado. Nunca tiveram problemas com a seguradora anterior, mas na pandemia, como muitos brasileiros, precisavam economizar. Seu caso não era isolado. Fabio Izoton, presidente do Clube dos Corretores de Seguros do Estado do Rio de Janeiro, orientava clientes a fazer comparações de mercado e buscar ajuda especializada para avaliar se as propostas eram realmente vantajosas.

Mas havia uma questão mais profunda: com os carros parados nas garagens, muitos clientes começaram a questionar se precisavam mesmo de seguro. Os especialistas foram claros na resposta: sim, precisam. Paula Sauer, planejadora financeira, explicou que mesmo para quem não sai de casa, existem danos e eventos que independem do uso do veículo, e sempre há o risco de que o sinistro ocorra justamente no dia em que se sair. O importante era entender o que realmente se precisava proteger. Às vezes, não era o pacote padrão completo. Era possível optar por uma cobertura de valor mínimo, removendo proteções desnecessárias naquele momento específico.

As seguradoras investiram em coberturas sob medida. Um cliente podia escolher proteger seu bem apenas contra roubo, dispensando a cobertura de colisão. Podia optar por um seguro "liga e desliga", válido apenas para momentos contratados, não o tempo todo. Fabio Izoton alertava, porém, que esse tipo de seguro era interessante apenas para quem tinha utilização muito baixa dos veículos; para quem usava mais, sairia caro. As seguradoras davam cotações diferentes conforme a região, o carro, o uso e até o sexo do motorista, tornando difícil avaliar sozinho as condições. Um corretor podia verificar onde era possível cortar custos, entendendo os riscos específicos do bairro e do veículo.

No Rio de Janeiro, onde o roubo de carros era historicamente alto e os seguros entre os mais caros do Brasil, a situação foi particularmente dramática e depois alentadora. O crime caiu 32% até julho, permitindo que as seguradoras repassassem essa economia aos clientes. Antonio Carlos Costa, presidente do Sindicato das Seguradoras RJ, informou que o preço do seguro caiu em média 10% de janeiro a junho, mais que a média nacional. Mas o cenário começava a mudar com a reabertura das atividades.

Gilmar Pires, diretor executivo da Azul Seguros, empresa do Grupo Porto Seguro, descreveu como sua empresa reavaliou os riscos e montou uma estrutura de retenção de segurados. Ofereciam descontos, produtos com cobertura um pouco menor ou apenas para um risco específico como roubo, e até mesmo opções de marca low cost. O objetivo era deixar o cliente satisfeito. A estratégia funcionou. A Youse, por exemplo, ofereceu desconto médio de 20% para quem renovasse durante a pandemia e viu suas taxas de renovação aumentarem mais de 20 pontos percentuais entre abril e julho comparado ao mesmo período do ano anterior. Algumas seguradoras conseguiram até mesmo aumentar as renovações em meio à crise, transformando uma ameaça em oportunidade.

As empresas começaram a oferecer descontos em relação ao valor do ano passado, mais opções de parcelamento e até estenderam o bônus para a renovação fora do prazo
— Walter Pereira, presidente da Comissão de Automóvel da Federação Nacional de Seguros Gerais
O importante é ver o que realmente precisa. Às vezes, não é exatamente o pacote padrão. Pode-se optar por uma cobertura de valor mínimo, retirando algo que não seja tão necessário
— Paula Sauer, planejadora financeira
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que as seguradoras precisaram oferecer descontos se os riscos realmente diminuíram?

Model

Porque o risco menor não resolve o problema de caixa. Menos pessoas dirigindo significa menos prêmios sendo pagos. As seguradoras precisavam manter a base de clientes existente, e a única moeda de troca era o preço.

Inventor

Então a pandemia foi boa para os consumidores?

Model

Boa é uma palavra forte. Foi uma oportunidade. Quem estava atento conseguiu negociar melhor. Mas muitos não sabiam que podiam negociar, ou não tinham tempo para pesquisar. Aí entra o corretor.

Inventor

E aquele seguro "liga e desliga" que mencionaram? Parece perfeito para a pandemia.

Model

Parecia. Mas a matemática não funciona para a maioria. Se você usa o carro regularmente, pagar cada vez que liga sai mais caro do que uma apólice anual. É bom apenas para quem realmente quase não usa.

Inventor

O Rio de Janeiro teve uma queda maior de preços. Por quê?

Model

Porque o roubo caiu 32%. Quando o maior risco diminui, o seguro fica muito mais barato. Mas isso era temporário. Conforme as ruas voltavam ao normal, os riscos voltavam também.

Inventor

Então o cliente que trocou de seguradora para economizar R$ 800 — ele fez um bom negócio?

Model

Provavelmente sim, naquele momento. Mas o ponto é que ele precisou de um corretor para perceber que havia opção. Sem essa orientação, teria renovado com a mesma empresa e perdido a oportunidade.

Inventor

As seguradoras saíram ganhando ou perdendo com tudo isso?

Model

Algumas ganharam. Aumentaram as renovações com descontos menores do que esperavam. Outras apenas contiveram perdas. O que importa é que conseguiram manter os clientes durante o período mais crítico.

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