Palmeiras cria espaços de leitura na base após proibir celulares no CT

Nem todos os jovens vão se tornar atletas, por isso é importante prepará-los também para a vida
Abel Ferreira reflete sobre o propósito da formação de atletas na base do Palmeiras durante a inauguração dos espaços de leitura.

Em um tempo em que as telas ocupam cada vez mais o espaço interior dos jovens, o Palmeiras decidiu intervir de forma concreta: proibiu celulares nos treinamentos da base e inaugurou bibliotecas comunitárias na Academia de Futebol 2, em Guarulhos. A iniciativa, batizada com o nome do técnico Abel Ferreira — ele próprio um defensor da leitura —, nasce do reconhecimento de que formar atletas e formar pessoas são tarefas inseparáveis. O clube não oferece uma cura para a ansiedade e a depressão que crescem entre os jovens, mas aposta que o ambiente pode ser moldado com intenção, e que um livro, no lugar de uma tela, pode ser o começo de algo maior.

  • Uma epidemia silenciosa de ansiedade e depressão entre jovens atletas motivou o Palmeiras a agir de forma incomum para o mundo do futebol.
  • A proibição total de celulares durante a rotina de treinamentos gerou um vazio de tempo — e o clube decidiu preenchê-lo com livros.
  • As estantes inauguradas levam o nome de Abel Ferreira, técnico português que defende a leitura publicamente e conversou pessoalmente com atletas de 12 e 13 anos no evento.
  • O modelo comunitário das bibliotecas, aberto a doações, sinaliza que a iniciativa quer crescer além de um gesto simbólico.
  • Com todos os jogadores da base já matriculados em escolas, o clube consolida uma visão de educação integral que vai muito além das quatro linhas.

Na última quinta-feira, o Palmeiras inaugurou espaços de leitura na Academia de Futebol 2, em Guarulhos, onde as categorias de base treinam diariamente. A presença do técnico Abel Ferreira ao lado de dirigentes deixou claro que a iniciativa faz parte de uma estratégia maior — não um detalhe administrativo, mas uma aposta sobre como formar jovens.

A inauguração é o lado visível de uma decisão mais radical: o clube proibiu o uso de celulares durante toda a rotina de treinamentos. João Paulo Sampaio, coordenador da base, explicou a motivação sem rodeios — o excesso de telas está por trás de uma crescente epidemia de ansiedade e depressão entre os jovens, e a proibição busca devolver espaço à convivência e ao foco.

As bibliotecas surgem como resposta natural a esse vazio criado. Nos intervalos entre treinos, refeições e atendimentos médicos, os atletas encontrarão livros em vez de telas. Os espaços receberam o nome de Abel Ferreira — coautor do livro *Cabeça Fria, Coração Quente* e alguém que só desenvolveu o hábito da leitura na adolescência, como ele próprio contou aos jogadores do sub-12 e sub-13 durante o evento.

A mensagem que Abel deixou foi direta e vai além do futebol: num livro você encontra tudo o que quiser, e nem todos os jovens se tornarão atletas profissionais. Prepará-los para a vida é tão importante quanto prepará-los para o jogo.

As bibliotecas funcionarão em sistema comunitário, recebendo doações de livros de diferentes gêneros. A medida se encaixa num projeto educacional mais amplo — todos os jogadores da base já estão matriculados em escolas, e o clube mantém parcerias com instituições de ensino para os atletas alojados. O que o Palmeiras está construindo, tijolo a tijolo, é um ambiente onde o tempo livre é tratado como recurso, não como lacuna.

Na última quinta-feira, o Palmeiras abriu as portas de seus novos espaços de leitura na Academia de Futebol 2, em Guarulhos, o centro de treinamento onde as categorias de base do clube trabalham diariamente. A inauguração contou com a presença do técnico do time principal, Abel Ferreira, além de dirigentes e membros da comissão técnica — um sinal de que a iniciativa não era apenas um detalhe administrativo, mas parte de uma estratégia maior do clube.

Por trás dessa decisão está uma proibição que o Palmeiras acaba de implementar: nenhum atleta ou funcionário pode usar celular durante a rotina de treinamentos no local. A medida pode parecer drástica em um mundo onde os aparelhos são praticamente extensões do corpo, mas o clube enxerga nela uma resposta necessária a um problema que vê crescer entre os jovens. João Paulo Sampaio, coordenador da base palmeirense, foi direto ao ponto: estamos vendo uma epidemia de ansiedade e depressão nos jovens, e muito disso tem a ver com as telas. A proibição, segundo ele, busca criar mais convivência social e permitir que os atletas mantenham o foco nas tarefas que importam.

Os espaços de leitura surgem como o complemento natural dessa restrição. A ideia é simples: quando há tempo livre — entre treinos, durante as refeições, enquanto aguardam atendimento médico — os jovens possam ocupar esses momentos com livros em vez de telas. As estantes receberam o nome de Espaço de Leitura Professor Abel Ferreira, uma homenagem ao técnico português que é conhecido por falar sobre a importância da leitura e é coautor do livro Cabeça Fria, Coração Quente.

Durante o evento de inauguração, Abel conversou com atletas das categorias sub-12 e sub-13 e compartilhou uma reflexão pessoal: ele próprio só desenvolveu o hábito da leitura na adolescência. Sua mensagem aos jovens foi clara e vai além do futebol. Você consegue encontrar em um livro tudo o que quiser, disse ele aos jogadores. Há livros de desenvolvimento pessoal, música, amor, futebol. Nem todos os jovens vão se tornar atletas, por isso é importante prepará-los também para a vida. A frase resume bem o que o Palmeiras está tentando fazer: não apenas formar jogadores, mas formar pessoas.

As bibliotecas funcionarão em sistema comunitário, recebendo doações de livros de diferentes gêneros. Essa abordagem colaborativa reflete uma visão mais ampla que o clube já vinha desenvolvendo. Todos os jogadores da base do Palmeiras estão matriculados em escolas, e o clube mantém parcerias com instituições de ensino para os atletas que vivem alojados. A proibição de celulares e a criação dos espaços de leitura se inserem nesse contexto maior de educação integral.

O que o Palmeiras está fazendo aqui é apostar que o tempo livre bem ocupado — e longe das telas — pode fazer diferença real na saúde mental e no desenvolvimento de crianças e adolescentes. Não é uma solução mágica para a ansiedade e a depressão que afetam tantos jovens, mas é uma aposta concreta de que o ambiente em que esses atletas treinam pode ser moldado de forma intencional. Agora, cabe observar se a iniciativa consegue de fato mudar comportamentos e se outras categorias do futebol brasileiro começarão a considerar caminhos semelhantes.

Estamos vendo uma epidemia de ansiedade e depressão nos jovens, e muito disso tem a ver com as telas. Resolvemos proibir o uso de celular no CT para que todos tenham mais convivência social e foco nas tarefas
— João Paulo Sampaio, coordenador da base do Palmeiras
Você consegue encontrar em um livro tudo o que quiser. Há livros de desenvolvimento pessoal, música, amor, futebol. Nem todos os jovens vão se tornar atletas, por isso é importante prepará-los também para a vida
— Abel Ferreira, técnico do Palmeiras
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o Palmeiras decidiu proibir celulares justamente agora? Isso não é uma reação exagerada?

Model

Não é exagerado quando você vê o que está acontecendo com os jovens. O coordenador da base fala de uma epidemia de ansiedade e depressão. O celular não é o culpado único, mas é um fator real. A proibição cria um espaço onde a convivência social volta a ser possível.

Inventor

E os pais? Os atletas não vão querer se comunicar com as famílias durante o dia?

Model

É uma questão legítima. Mas pense no contexto: esses são centros de treinamento, não prisões. Há horários específicos. E a ideia é que o tempo de treinamento seja dedicado ao treinamento, não à vida digital.

Inventor

Os espaços de leitura parecem uma resposta um pouco romântica. Quantos adolescentes realmente vão pegar um livro em vez de ficar olhando para o nada?

Model

Talvez nem todos. Mas o Palmeiras está criando a possibilidade. Abel Ferreira falando sobre leitura, as estantes ali disponíveis — isso muda a cultura do lugar. Alguns vão descobrir que gostam de ler. Outros vão conversar. O ponto é oferecer alternativas.

Inventor

Isso funciona só para o Palmeiras ou é algo que deveria ser mais amplo?

Model

Deveria ser mais amplo. Mas alguém tem que começar. Se um clube grande como o Palmeiras conseguir mostrar que isso funciona, outros vão seguir. É assim que as coisas mudam no futebol.

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