Tudo bem sim. Fica tranquila. Quando der eu falo com você
Em João Pessoa, uma criança autista chamada Arthur foi morta pelo próprio pai durante um fim de semana que deveria ser de reaproximação. Enquanto a mãe enviava mensagens perguntando se o filho tinha comido e dormido bem, o pai respondia com palavras de calma — e a perícia indica que o menino já não estava mais vivo. O caso nos confronta com uma das formas mais perturbadoras de traição: aquela que vem de onde a criança menos poderia se defender.
- Arthur, criança autista que sobreviveu ao nascimento prematuro com apenas 800 gramas, foi morto pelo pai durante o primeiro fim de semana em que esteve sob sua guarda.
- Davi Piazza Pinto viajou de Florianópolis alegando querer se aproximar do filho — mas a polícia acredita que o crime ocorreu logo após receber a criança na sexta-feira à noite.
- Enquanto o corpo já havia sido ocultado em uma mata no bairro Colinas do Sul, o pai trocava mensagens tranquilizadoras com a mãe, respondendo perguntas sobre alimentação e banheiro como se tudo estivesse normal.
- No domingo, Davi ligou para a mãe, confessou o crime, indicou onde estava o corpo e se entregou à polícia em Santa Catarina — onde foi preso.
- A mãe, Aline Lorena, que batalhou pela vida do filho desde o primeiro dia, agora carrega a memória das mensagens que recebeu enquanto Arthur já estava morto.
Na manhã de sábado, Aline Lorena enviava mensagens ao pai de seu filho perguntando se Arthur tinha comido, ido ao banheiro, se estava bem. Pedia uma foto. Davi Piazza Pinto respondia com calma: "Tudo bem sim. Fica tranquila." Segundo a perícia, Arthur já estava morto.
O menino autista tinha chegado ao apartamento no bairro de Manaíra, em João Pessoa, na noite de sexta-feira. Davi tinha viajado de Florianópolis dizendo que queria se aproximar do filho, com quem tinha pouco contato. A mãe concordou com o encontro. A polícia acredita que o crime aconteceu logo depois que a criança foi entregue ao pai.
Após matar o filho, Davi colocou o corpo em um saco plástico preto, levou em um carro de aplicativo até uma área de mata próxima a uma fábrica abandonada no bairro Colinas do Sul, cobriu o cadáver parcialmente com terra e voltou a responder às mensagens de Aline normalmente.
No domingo, ele ligou para a mãe — desta vez para confessar. Disse onde tinha deixado o corpo e depois se apresentou à polícia em Florianópolis, onde foi preso. O corpo de Arthur foi encontrado na noite do sábado.
Aline falou depois, quando só restava falar. Arthur tinha nascido com cinco meses de gestação, pesando 800 gramas. A família inteira lutou pela vida dele desde o primeiro dia. Ele era autista e recebia atenção em cada detalhe. "O Arthur foi uma criança incrível. A gente batalhou a vida inteira por ele", disse ela. O caso segue para a Justiça, e uma mãe segue vivendo com a lembrança daquelas mensagens.
No sábado de manhã, enquanto Arthur dormia ou brincava em um apartamento em João Pessoa, sua mãe Aline Lorena estava em casa esperando notícias. Ela mandou uma mensagem para o pai da criança, Davi Piazza Pinto, perguntando se tudo estava bem, se o menino tinha ido ao banheiro, se tinha comido. Pediu uma foto. O pai respondeu que mandava depois. Horas se passaram. Às 17h51, ela perguntou novamente. "Tudo bem sim. Fica tranquila. Quando der eu falo com você", escreveu Davi. Segundo a perícia, Arthur já estava morto.
O menino, autista, tinha chegado ao apartamento na sexta-feira à noite. Seu pai tinha viajado de Florianópolis, em Santa Catarina, com uma história que soava razoável: queria ajudar nos cuidados do filho, queria se aproximar dele. Davi tinha pouco contato com Arthur. A mãe, que mora em João Pessoa e estava em um novo relacionamento, concordou. O encontro foi marcado para o bairro de Manaíra, na zona leste da capital paraibana. Tudo parecia normal.
Mas a polícia acredita que o crime aconteceu logo depois que o pai recebeu a criança. Dentro daquele apartamento, em algum momento entre a sexta à noite e o sábado de manhã, Davi matou seu filho. Depois, colocou o corpo em um saco plástico preto e o levou em um carro de aplicativo até uma região de mata no bairro Colinas do Sul, perto de uma fábrica abandonada. Cobriu o cadáver parcialmente com terra. Voltou. E começou a responder às mensagens da mãe como se nada tivesse acontecido.
No domingo, Davi ligou para Aline. Não para tranquilizá-la desta vez. Confessou o que tinha feito. Disse onde tinha deixado o corpo. Depois se apresentou à polícia em Florianópolis. Foi preso. O corpo de Arthur foi encontrado na noite do sábado, em condições que a mãe nunca deveria ter conhecido.
Aline Lorena falou depois, quando já não havia mais o que fazer senão falar. Arthur tinha nascido prematuro, com apenas cinco meses de gestação, pesando oitocentos gramas. A família inteira batalhou pela vida dele desde o primeiro dia. Ele era autista e recebia atenção em cada detalhe, em cada refeição, em cada momento. "Não passava pela minha cabeça o que ia acontecer. Não tem justificativa. O Arthur foi uma criança incrível. A gente batalhou a vida inteira por ele. O que aconteceu só cabe à Justiça agora", disse ela. O delegado Bruno Germano confirmou que o pai tinha pouco contato com o filho e que queria se aproximar. Agora o caso segue para a Justiça, e uma mãe segue vivendo com a lembrança daquelas mensagens que recebeu enquanto seu filho já estava morto.
Notable Quotes
Não passava pela minha cabeça o que ia acontecer. Não tem justificativa. O Arthur foi uma criança incrível. A gente batalhou a vida inteira por ele.— Aline Lorena, mãe de Arthur
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como uma mãe consegue viver com a ideia de que estava pedindo notícias de uma criança que já tinha morrido?
É a crueldade do timing. Ela estava fazendo o que qualquer mãe faria — perguntando se o filho comeu, se foi ao banheiro, pedindo uma foto. Coisas pequenas que importam quando você tem um filho autista que precisa de atenção em cada detalhe. E o pai estava respondendo como se estivesse cuidando dele.
O pai viajou de Santa Catarina com uma desculpa que parecia legítima?
Sim. Ele disse que queria ajudar nos cuidados, que queria se aproximar do filho. Tinha pouco contato com Arthur, então talvez parecesse uma oportunidade. A mãe concordou. Não havia razão para desconfiar.
E quanto tempo passou entre o crime e a confissão?
A polícia acredita que matou logo depois que recebeu o menino, provavelmente na sexta à noite ou no sábado de manhã. Mas ele continuou respondendo às mensagens da mãe como se nada tivesse acontecido. No domingo é que ligou e confessou.
Por que ele confessou?
Não sabemos ao certo. Mas ele ligou para a mãe, disse o que tinha feito, indicou onde tinha deixado o corpo, e depois se apresentou à polícia em Florianópolis. Talvez não conseguisse manter a mentira. Talvez soubesse que seria descoberto.
Arthur era uma criança frágil?
Nasceu prematuro, com cinco meses, pesando oitocentos gramas. A mãe e a família inteira lutaram pela vida dele desde o primeiro dia. Ele era autista e recebia cuidados intensivos. Não era uma criança frágil no sentido de estar doente, mas era uma criança que tinha sido muito desejada, muito cuidada.