Ouro sobe com extensão de trégua EUA-Irã, mas ganhos limitados por Ormuz

Ouro e prata competem com o dólar em faixa estável
Analistas do Saxo Bank descrevem o impasse entre alívio de tensões militares e pressões inflacionárias globais.

No equilíbrio frágil entre guerra e diplomacia, o ouro e a prata subiram nesta quarta-feira após Donald Trump estender o cessar-fogo com o Irã — um gesto que aliviou momentaneamente os mercados, mas não dissipou as sombras. O bloqueio no Estreito de Ormuz persiste, embarcações foram apreendidas, e a trégua, segundo fontes, durará apenas alguns dias. Os metais preciosos refletem, como sempre, a ansiedade coletiva diante de um mundo que ainda não encontrou seu caminho para a paz.

  • O ouro saltou 0,71% para US$ 4.753/onça e a prata avançou 1,92% para US$ 77,96/onça na Comex, impulsionados pelo anúncio de extensão do cessar-fogo entre EUA e Irã.
  • A trégua, porém, é cronometrada: fontes indicam que durará apenas três a cinco dias, expondo a fragilidade de um acordo que ainda não tem forma definitiva.
  • No mesmo dia em que Trump anunciava o prolongamento da paz, a Guarda Revolucionária iraniana apreendeu duas embarcações comerciais no Estreito de Ormuz, sinalizando que as tensões não recuaram de verdade.
  • Analistas do Saxo Bank advertem que ouro e prata devem oscilar em faixa estável enquanto não houver um caminho claro para um acordo duradouro, com o dólar disputando a preferência dos investidores.
  • O banco MUFG aponta que oito semanas de conflito no Oriente Médio continuam pressionando o abastecimento de energia e alimentando a inflação global, o que leva bancos centrais a manter juros altos — um freio direto ao potencial do ouro.

O ouro e a prata fecharam em alta nesta quarta-feira, 22 de abril, depois que Donald Trump anunciou a extensão do cessar-fogo com o Irã. Na Comex, o ouro para junho chegou a US$ 4.753 por onça-troy, alta de 0,71%, enquanto a prata para maio avançou 1,92%, atingindo US$ 77,96 por onça-troy. O alívio dos investidores diante da redução imediata de riscos militares foi o principal motor dos ganhos.

A trégua, no entanto, carrega prazo curto e contornos incertos. Trump havia anunciado na terça-feira que prolongaria o cessar-fogo enquanto aguardava uma proposta iraniana, mas reafirmou que o bloqueio no Estreito de Ormuz permaneceria. Fontes da Fox News indicaram que o período de extensão seria de apenas três a cinco dias — tempo suficiente para revelar a precariedade do acordo.

Os limites dos ganhos ficaram evidentes quando, na mesma quarta-feira, a Guarda Revolucionária Islâmica apreendeu duas embarcações comerciais em Ormuz, em meio a relatos de novos ataques a navios na rota vital do petróleo. A tensão na região, longe de se dissipar, continuava a escalar por baixo da superfície diplomática.

Analistas do Saxo Bank reconheceram que o adiamento das hostilidades reduzia o risco imediato de uma nova espiral inflacionária nos combustíveis, mas alertaram que, sem um acordo de paz mais sólido, ouro e prata tenderiam a competir com o dólar dentro de uma faixa estável. O banco MUFG foi mais pessimista: para a instituição, oito semanas de conflito seguem perturbando o abastecimento de energia e pressionando a inflação global, o que mantém os bancos centrais inclinados a preservar juros elevados — um obstáculo concreto para o metal dourado valorizar com mais força.

O mercado permanece, assim, em compasso de espera: a extensão da trégua oferece alívio, mas não resolução. Enquanto Ormuz permanecer bloqueado e as negociações sem desfecho claro, os investidores continuarão observando se Washington e Teerã encontrarão um caminho duradouro — ou se a região voltará a escalar.

O ouro e a prata subiram nesta quarta-feira, 22 de abril, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a extensão de um cessar-fogo com o Irã. Na bolsa de metais de Nova York, o ouro para junho fechou em alta de 0,71%, alcançando US$ 4.753 por onça-troy, enquanto a prata para maio avançou 1,92%, chegando a US$ 77,96 por onça-troy. O movimento refletiu o alívio dos investidores diante da redução imediata de riscos militares na região.

Trump havia anunciado na terça-feira, 21 de abril, que prolongaria a trégua com Teerã enquanto aguardava uma proposta do país persa e a conclusão das discussões. O presidente reafirmou, porém, que o bloqueio no Estreito de Ormuz permaneceria em vigor. Segundo fontes da Fox News, o prolongamento do cessar-fogo duraria apenas entre três e cinco dias — um período curto que já sinalizava a fragilidade do acordo.

Os ganhos dos metais preciosos, contudo, enfrentaram limitações significativas. Na quarta-feira, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã apreendeu duas embarcações comerciais no Estreito de Ormuz, em meio a relatos de novos ataques contra navios na via crucial para o transporte de petróleo. Esse episódio evidenciou que, apesar da trégua anunciada, as tensões na região continuavam a escalar, mantendo viva a ameaça de interrupção no abastecimento de energia global.

Analistas do Saxo Bank observaram que o adiamento de novas hostilidades pelos Estados Unidos reduzia o risco imediato de uma escalada militar e, consequentemente, a ameaça de um novo pico inflacionário nos preços dos combustíveis. Mesmo assim, alertaram que até que surgisse um caminho mais claro para um acordo de paz duradouro, o ouro e a prata provavelmente continuariam competindo com o dólar pela tendência do mercado, mantendo os preços dentro de uma faixa estável por enquanto.

O banco MUFG apresentou uma perspectiva mais pessimista. Para a instituição, a oitava semana de conflito no Oriente Médio continuava a perturbar o abastecimento de energia e a alimentar riscos de inflação global. Nesse contexto, as expectativas de que os bancos centrais mantivessem as taxas de juros elevadas representavam um obstáculo importante para o metal dourado, limitando seu potencial de valorização mesmo com a redução de tensões militares imediatas.

O cenário que se desenhava era, portanto, de equilíbrio precário. A extensão da trégua oferecia algum alívio aos mercados de commodities, mas o bloqueio contínuo em Ormuz, os ataques a navios comerciais e as pressões inflacionárias globais impediam que os ganhos fossem mais robustos. Os investidores permaneciam em espera, observando se as negociações entre Washington e Teerã evoluiriam para um acordo mais sólido ou se a região voltaria a uma escalada de conflito.

Até que surja um caminho mais claro para um acordo de paz, é provável que o ouro e a prata continuem competindo com o dólar pela tendência de mercado, mantendo os preços dentro de uma faixa estável por enquanto
— Analistas do Saxo Bank
A oitava semana de conflito no Oriente Médio continua a perturbar o abastecimento de energia e a alimentar os riscos de inflação global
— MUFG
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o ouro subiu tão pouco, se a trégua é uma notícia positiva?

Model

Porque a trégua é frágil — dura apenas três a cinco dias. Os investidores sabem que isso pode desabar rapidamente, e o bloqueio em Ormuz continua intacto.

Inventor

E o bloqueio em Ormuz importa tanto assim para o preço do ouro?

Model

Importa porque ameaça o abastecimento de petróleo. Se o petróleo fica caro, a inflação sobe, e os bancos centrais mantêm juros altos. Ouro não rende juros, então juros altos o prejudicam.

Inventor

Então o ouro está preso entre duas forças?

Model

Exatamente. De um lado, a trégua alivia o medo de guerra. Do outro, a inflação e os juros altos o puxam para baixo. Nenhuma força vence completamente.

Inventor

Os analistas acham que isso vai mudar?

Model

Só se houver um acordo de paz real e duradouro. Enquanto isso, o ouro deve oscilar numa faixa estreita, sem grandes movimentos em nenhuma direção.

Inventor

E se a trégua desabar?

Model

Aí voltamos ao cenário de risco militar alto, e o ouro pode disparar novamente. Mas ninguém quer apostar nisso agora.

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