Operação Big Mobile devolve 737 celulares e intensifica combate à receptação em SP

Centenas de vítimas de roubo e furto de celulares recuperaram seus dispositivos, reduzindo prejuízos financeiros e pessoais causados pela criminalidade.
Um celular é roubado a cada 1 minuto e 42 segundos em São Paulo
A frequência de roubos e furtos de celulares no estado evidencia a urgência das operações policiais como a Big Mobile.

A terceira fase da operação mobilizou 1.857 policiais, 213 viaturas e um drone, recuperando 10.520 celulares e desarticulando redes de receptação na região central. Em São Paulo, um celular é roubado a cada 1 minuto e 42 segundos; a operação já recuperou 39 mil aparelhos em 2024 e 27 mil em 2025.

  • 737 celulares devolvidos em uma semana em março de 2025
  • 1.857 policiais, 213 viaturas e um drone mobilizados na terceira fase
  • 10.520 aparelhos apreendidos em 10 de março de 2025
  • 69 suspeitos presos na última fase da operação
  • 39 mil celulares recuperados em 2024; 27 mil em 2025

A Polícia Civil de São Paulo devolveu 737 celulares roubados na Operação Big Mobile, maior ação contra receptação do estado, com 69 prisões e 10,5 mil aparelhos apreendidos em março de 2025.

Em março de 2025, a Polícia Civil de São Paulo anunciou um marco no combate à receptação de celulares: 737 aparelhos roubados ou furtados foram devolvidos aos seus proprietários na semana anterior, resultado direto da Operação Big Mobile, uma das maiores ações contra esse tipo de crime no estado. Desses 737, 672 foram restituídos na capital paulista, com a região central emergindo como o principal ponto de apreensão. A operação, que mobilizou quase dois mil policiais, 213 viaturas e até um drone em sua terceira fase no dia 10 de março, recuperou 10.520 celulares e resultou em 69 prisões. Esses números refletem um esforço crescente das autoridades para desmantelar esquemas criminosos que lucram com a revenda de dispositivos subtraídos em um estado onde um celular é roubado a cada 1 minuto e 42 segundos.

Desde o início de 2025, a Operação Big Mobile já recuperou mais de 27 mil aparelhos em todo o estado, continuando uma trajetória que em 2024 havia alcançado 39 mil dispositivos devolvidos aos donos. A operação evoluiu em três fases: janeiro trouxe 275 celulares recuperados na capital com sete prisões; fevereiro apreendeu 8.300 aparelhos, totalizando 16 mil quando incluída a Baixada Santista; e março intensificou o esforço com a ação de maior envergadura. A região central de São Paulo, especialmente áreas como República e Santa Ifigênia, foi identificada como um polo de receptação onde os dispositivos são revendidos, desmontados ou exportados. A Rua Guaianases, conhecida como "ninho dos celulares", concentra uma rede complexa de hotéis e lojas que dificulta a ação policial, mas não a impede.

O sucesso na devolução dos aparelhos depende de um trabalho meticuloso de inteligência e tecnologia. Cada celular apreendido passa por análise detalhada começando pela verificação do IMEI, um código numérico único que funciona como o "RG" do dispositivo. Esse número é cruzado com registros de boletins de ocorrência no sistema da Secretaria de Segurança Pública, permitindo que investigadores localizem as vítimas. Em casos de aparelhos descarregados, quebrados ou protegidos por senhas, departamentos de inteligência utilizam softwares especializados para extrair o IMEI, garantindo que mesmo esses dispositivos possam ser devolvidos. O delegado Daniel Borges, da 1ª Delegacia Seccional, explica que após a identificação, escrivães entram em contato com as vítimas usando telefones ou e-mails informados nos boletins, e quando necessário, policiais vão até os endereços registrados para assegurar a devolução segura.

A colaboração das vítimas é fundamental para o funcionamento da operação. O delegado-geral Artur Dian ressalta que registros detalhados foram essenciais para o sucesso, com a polícia analisando mais de 1.500 boletins entre janeiro e fevereiro de 2025. Áreas como Paraisópolis, Baixada do Glicério e República apareceram como destinos frequentes dos aparelhos, guiando as ações de fiscalização. A polícia enfatiza que registrar o boletim de ocorrência com dados completos, incluindo o IMEI e a última localização conhecida do aparelho, é o primeiro passo para viabilizar a recuperação. Ferramentas como o aplicativo "Celular Roubado", lançado pela Anatel em 2023, ajudam a bloquear linhas e aparelhos, dificultando o uso por criminosos. Bloquear o dispositivo e contatar o banco para suspender contas vinculadas também são medidas essenciais, especialmente diante do aumento de crimes financeiros ligados a roubos de celulares, que saltaram 67,1% em 2022.

O mercado ilegal de celulares em São Paulo é complexo e lucrativo, apresentando desafios significativos para as autoridades. Os aparelhos roubados têm múltiplos destinos: são revendidos localmente, desmontados para venda de peças ou exportados, especialmente para países africanos onde os bloqueios da Anatel não funcionam. Quadrilhas especializadas trocam IMEIs, driblando bloqueios e mantendo os aparelhos funcionais, um processo mais difícil em modelos com eSIM que exige tecnologia avançada. Estima-se que o prejuízo anual causado pela pirataria e receptação no Brasil chegue a 15 bilhões de reais. A fragilidade legislativa, como aponta o secretário Guilherme Derrite, dificulta a punição prolongada dos receptadores, alimentando o ciclo criminoso. Em 2024, a Operação Big Mobile resultou em 370 prisões, mas o desafio permanece em equilibrar repressão e prevenção em um estado onde 22 mil casos foram registrados apenas em janeiro de 2025.

O impacto da operação vai além dos números de aparelhos recuperados. Com 10.520 celulares apreendidos em março e 69 prisões, a ação atinge a raiz do problema, enfraquecendo as redes de receptação na região central. O uso de drones e aeronaves ampliou o alcance das buscas, enquanto o Departamento de Inteligência refinou os alvos com base em dados das vítimas. Para os cidadãos, a devolução de 737 celulares em uma semana reforça a confiança nas forças de segurança que enfrentam um crime ocorrendo 30 vezes por hora no estado. A polícia planeja intensificar parcerias com operadoras e fabricantes para aprimorar bloqueios e rastreamentos, enquanto 2 mil aparelhos permanecem em processo de devolução desde janeiro, sinalizando que o trabalho segue em ritmo acelerado para devolver segurança e propriedade aos paulistas.

A catalogação dos aparelhos é apenas o início. Após a identificação, escrivães entram em contato com as vítimas usando telefones ou e-mails informados nos boletins.
— Delegado Daniel Borges, 1ª Delegacia Seccional
Registros detalhados foram fundamentais para o sucesso da operação, que analisou mais de 1.500 boletins entre janeiro e fevereiro de 2025.
— Delegado-geral Artur Dian
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que a Operação Big Mobile conseguiu recuperar tantos celulares de uma vez?

Model

A operação combina inteligência de dados com força bruta. A polícia analisa boletins de ocorrência para mapear onde os aparelhos roubados estão sendo vendidos ou desmontados, depois mobiliza milhares de agentes para revistar esses locais simultaneamente. Em março, foram quase dois mil policiais em um único dia.

Inventor

E como eles identificam qual celular pertence a qual pessoa?

Model

Cada celular tem um código único chamado IMEI. A polícia cruza esse número com os registros dos boletins de ocorrência. Se o aparelho está quebrado ou protegido por senha, usam softwares especializados para extrair o código. Depois entram em contato com o dono.

Inventor

Isso parece funcionar bem. Por que ainda há tantos roubos de celulares em São Paulo?

Model

Porque o mercado ilegal é muito lucrativo. Um celular roubado pode ser revendido localmente, desmontado para venda de peças ou exportado para países onde os bloqueios brasileiros não funcionam. Quadrilhas especializadas conseguem trocar o IMEI e manter o aparelho funcionando. Estima-se que o mercado ilegal movimente 15 bilhões de reais por ano.

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Então a polícia está ganhando ou perdendo essa guerra?

Model

Está ganhando terreno, mas não a guerra. Em 2024 recuperaram 39 mil aparelhos e já vão para 27 mil em 2025. Mas em janeiro deste ano foram registrados 22 mil roubos e furtos só naquele mês. A operação enfraquece as redes de receptação, especialmente na região central, mas o crime continua resiliente.

Inventor

O que as vítimas podem fazer para aumentar as chances de recuperação?

Model

Registrar o boletim de ocorrência imediatamente com o IMEI e a última localização do aparelho. Bloquear o dispositivo e a linha pelo app "Celular Roubado" da Anatel. Contatar o banco para suspender contas. Essas informações guiam a polícia para os pontos de receptação e facilitam a devolução.

Inventor

Você acha que isso vai mudar em breve?

Model

A polícia está planejando parcerias com operadoras e fabricantes para aprimorar bloqueios e rastreamentos. Mas enquanto a legislação for frágil e o mercado ilegal for tão lucrativo, o crime vai continuar. A operação é importante, mas é apenas uma parte da solução.

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