Ninguém realmente desapareceu — apenas saiu do circuito das novelas
Sete atores da minissérie abandonaram as novelas para investir em cinema, teatro, maternidade ou outras carreiras fora da televisão. Alguns enfrentaram desafios pessoais e legais, enquanto outros encontraram sucesso em áreas como dublagem, apresentação digital e ativismo.
- Sete atores da minissérie A Casa das Sete Mulheres (2003) se afastaram das novelas após a produção
- Amanda Lee parou para dedicar-se à maternidade; Dado Dolabella se mudou para Goiás; Daniela Escobar mora nos EUA desde 2005
- Alguns continuaram atuando em cinema, teatro ou plataformas digitais; Theodoro Cochrane é apresentador do YouTube
Minissérie de 2003 disponível no Globoplay teve elenco com atores que seguiram em destaque, mas outros preferiram se afastar dos folhetins para seguir diferentes caminhos profissionais e pessoais.
A minissérie A Casa das Sete Mulheres chegou ao Globoplay no final de agosto, trazendo de volta à tela uma produção de 2003 que marcou época. Baseada no romance de Letícia Wierzchowski e adaptada por Maria Adelaide Amaral e Walter Negrão, a trama se desenrola durante a Revolução Farroupilha entre 1835 e 1845, contando histórias de personagens reais como Bento Gonçalves, interpretado por Werner Schünemann, mas também dando voz às mulheres da família que enfrentavam a guerra e a solidão do refúgio em uma estância.
O elenco original reuniu nomes que se tornaram referência na televisão brasileira. Alguns deles — Eliane Giardini, Thiago Lacerda, Nívea Maria, Camila Morgado, Marcello Novaes, Mariana Ximenes, Thiago Fragoso, Dalton Vigh e José de Abreu — seguiram em destaque nos folhetins ao longo dos 19 anos seguintes. Outros, porém, fizeram escolhas diferentes. Rodrigo Faro e Bruno Gagliasso deixaram a Globo e se afastaram das novelas, mas mantiveram visibilidade em outras áreas. Há ainda um terceiro grupo: sete atores que praticamente desapareceram das telas, cada um por razões distintas.
Amanda Lee viveu Luzia na minissérie depois de participar de produções como A Indomada e Coração de Estudante. Seguiu na Globo com Um Só Coração e Como uma Onda, depois migrou para a Record onde atuou em Bicho do Mato, Caminhos do Coração e Chamas da Vida. Sua última novela foi Vidas em Jogo em 2011. Aos 43 anos, ela decidiu priorizar a maternidade. Casada com o ex-jogador de vôlei Nalbert, é mãe de Rafaela e Vitor. Hoje pratica triathlon e compartilha seus treinos nas redes sociais, tendo retornado ao cinema com os filmes A Pedra do Relógio e Arcanos, ao lado de Lilia Cabral.
Dado Dolabella interpretou Bentinho na minissérie, vindo de destaque em Malhação. Esteve em Senhora do Destino na Globo e em outras produções na Record e SBT, além de vencer a primeira temporada de A Fazenda em 2009. Sua última novela foi Máscaras em 2012. Nos anos seguintes, acumulou polêmicas: condenação por agressão contra Luana Piovani, prisão por não pagamento de pensão e detenção por porte de drogas. Converteu-se ao ativismo vegano e se mudou para a Chapada dos Veadeiros em Goiás em busca de reconexão com a natureza. Voltou aos holofotes recentemente ao retomar o relacionamento com Wanessa Camargo após 20 anos.
Daniela Escobar viveu Perpétua e havia participado de sucessos como Tropicaliente e O Clone. Atuou ainda em América, A Vida da Gente e Flor do Caribe, além de interpretar a vilã em A Garota da Moto no SBT. Sua última novela foi Apocalipse em 2017 na Record. Desde 2005 mora nos Estados Unidos, onde trabalha como dubladora e abriu uma agência de seleção de atores. Nas redes sociais faz campanha pelo veganismo e documenta sua rotina.
Jandira Martini começou a carreira em 1966 e interpretou Antônia na minissérie. Ganhou destaque como Teodora em Sassaricando e como Zoraide em O Clone, participando também de América, Caminho das Índias e Morde & Assopra. Sua última aparição em novelas foi em Salve Jorge em 2012 como Farid Khalid. Depois atuou na série Manual para se Defender de Aliens, Ninjas e Zumbis e em filmes como Chorar de Rir, 10 horas para o Natal e Uma Pitada de Sorte.
José Victor Castiel é lembrado por Laços de Família, onde viveu Viriato. Na minissérie interpretou o comerciante Chico Mascate. Esteve em Páginas da Vida, Sete Pecados, Insensato Coração, Lado a Lado e Totalmente Demais na Globo. Longe das novelas desde Tempo de Amar em 2017, investiu em cinema e teatro, com seu último filme sendo a comédia Quem Vai Ficar com Mário? em 2021. Em junho voltou aos palcos com Homens de Perto e em agosto foi homenageado no Festival de Cinema de Gramado.
Pedro Malta foi ator mirim nos anos 2000 e chamou atenção como Lipe em Coração de Estudante. Na minissérie fez Marco Antônio na infância, participando também de Kubanacán e Começar de Novo. Migrou para a Record onde atuou em Prova de Amor, Vidas Opostas, na franquia Os Mutantes e Vidas em Jogo. Sua última novela foi O Rico e o Lázaro em 2017. Formou-se em Rádio e TV e aos 28 anos anunciou que será pai pela primeira vez.
Theodoro Cochrane, filho da jornalista Marília Gabriela, teve seu primeiro papel de destaque justamente em A Casa das Sete Mulheres, vivendo Pedro. Atuou em A Favorita, Caras & Bocas, Ti Ti Ti, Saramandaia e Geração Brasil, com seu último trabalho em novelas sendo O Sétimo Guardião em 2018, onde interpretou Adamastor. Atualmente é apresentador do canal Téte a Theo no YouTube, construindo carreira na plataforma digital.
Citações Notáveis
Dado Dolabella converteu-se ao ativismo vegano e se mudou para a Chapada dos Veadeiros em Goiás em busca de reconexão com a natureza— Trajetória documentada após saída das novelas
Amanda Lee aos 43 anos pratica triathlon e compartilha seus treinos nas redes sociais, tendo retornado ao cinema— Vida atual da atriz após priorizar maternidade
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que tantos atores de uma mesma produção desaparecem das novelas ao mesmo tempo?
Não é exatamente ao mesmo tempo. A Casa das Sete Mulheres foi em 2003. Alguns saíram logo depois, outros levaram uma década. O que une esses sete é que todos fizeram uma escolha consciente de não renovar o ciclo das novelas.
Qual foi a escolha mais comum?
Maternidade e vida pessoal. Amanda Lee é o exemplo mais claro — parou para criar os filhos. Mas há também quem tenha buscado outras artes: José Victor Castiel foi para o teatro e cinema, Jandira Martini continuou atuando mas em projetos pontuais. Não é abandono, é redirecionamento.
E os que enfrentaram problemas legais?
Dado Dolabella é o caso mais visível. Condenações, prisões, uma trajetória turbulenta. Mas mesmo assim ele não desapareceu completamente — apenas mudou de vida, se reinventou em Goiás. É diferente de sumir.
Alguns deles voltaram a trabalhar?
Sim. Amanda Lee voltou ao cinema. Jandira Martini fez filmes. José Victor Castiel está ativo em teatro. Theodoro Cochrane encontrou sucesso no YouTube. Ninguém realmente desapareceu — apenas saiu do circuito das novelas.
O que isso diz sobre a carreira em telenovelas?
Que ela não é o único caminho. Esses atores tiveram oportunidade de escolher. Alguns queriam estabilidade familiar, outros queriam experimentar. A minissérie de 2003 foi um ponto de partida, não um destino final.
E para quem assiste agora no Globoplay?
É uma chance de ver esses atores em um momento específico de suas vidas, antes de todas essas escolhas. Há algo tocante em rever alguém que depois decidiu viver diferente.