Obama inaugura Centro Presidencial em Chicago com ex-presidentes; Trump não convidado

Apesar de todas as nossas diferenças, podemos lutar juntos
Barack Obama pediu aos americanos que olhassem além da polarização política durante a inauguração de seu centro presidencial.

Em Chicago, Barack Obama inaugurou seu centro presidencial na presença de três ex-presidentes — Biden, Clinton e Bush — mas sem Donald Trump, cuja ausência falou mais alto do que qualquer discurso. O complexo de 4,3 bilhões de reais não foi concebido como templo da memória, mas como espaço vivo de engajamento cívico, numa aposta de que a democracia se renova pelo fazer coletivo, não pela reverência ao passado. Num país fraturado, a cerimônia funcionou como espelho: reuniu o que ainda pode ser compartilhado e expôs, pelo silêncio de uma cadeira vazia, o que ainda divide.

  • A ausência deliberada de Trump transformou uma inauguração cultural em declaração política — o centro nasceu já marcado pelas fraturas que pretende curar.
  • Michelle Obama nomeou sem nomear: ao evocar as teorias conspiratórias sobre a nacionalidade e a fé do marido, apontou diretamente para quem as propagou, emocionando e tensionando a plateia ao mesmo tempo.
  • Obama pediu que americanos enxerguem além da polarização e reconheçam valores compartilhados — honestidade, compaixão, integridade — como patrimônio de todos, não de um partido.
  • O complexo aposta em experiências digitais, jardins comunitários e engajamento de base para inspirar futuras gerações, recusando o formato de museu estático em favor de plataforma cívica ativa.
  • Com os 250 anos da independência americana se aproximando, Obama enquadrou o centro como afirmação de que a história do país ainda tem capítulos por escrever — e que cabe a todos escrevê-los.

Chicago foi palco, nesta quinta-feira, de uma cerimônia que reuniu Joe Biden, Bill Clinton e George W. Bush — mas não Donald Trump, deliberadamente excluído — para a inauguração do Centro Presidencial de Barack Obama. Com um custo de 4,3 bilhões de reais e shows de Bruce Springsteen, Stevie Wonder, Bono e The Edge, o evento foi tanto celebração quanto declaração silenciosa sobre as divisões que marcam os Estados Unidos.

O complexo foge do modelo tradicional de biblioteca presidencial. Em vez de documentos originais — mantidos sob custódia dos Arquivos Nacionais — o espaço aposta em experiências digitais e interativas, além de uma filial da Biblioteca Pública de Chicago, quadra poliesportiva, jardins comunitários e trilhas. A ideia é menos preservar o passado e mais mobilizar o futuro.

Obama usou seu discurso para olhar adiante. Sem citar Trump pelo nome, pediu que os americanos reconhecessem valores como honestidade, integridade e compaixão como patrimônio comum, acima das divisões partidárias. Lembrou que os EUA completarão 250 anos em 4 de julho e que a democracia americana, nascida de uma ideia radicalmente inovadora, precisa ser continuamente afirmada.

Michelle Obama foi mais direta. Emocionou a plateia ao agradecer ao marido por uma vida interessante — e mais. Depois evocou as teorias conspiratórias que cercaram sua presidência: as mentiras sobre sua nacionalidade, sua fé, seu patriotismo. Não citou Trump, mas o recado era claro. Elogiou a imperturbabilidade de Barack diante das ofensas e criticou a política anti-imigração atual, afirmando que ninguém tem o direito de julgar quem é americano o suficiente.

Obama reconheceu as falhas de sua própria administração e disse que o centro abordará questões que permaneceram sem solução. Algumas exposições refletirão seus próprios erros. Mas o espaço foi concebido para inspirar, não para glorificar — um convite ao que ainda pode ser, não um monumento ao que já foi.

Chicago recebeu nesta quinta-feira uma cerimônia que reuniu três ex-presidentes americanos em torno de um legado que o atual ocupante da Casa Branca deliberadamente não foi convidado a celebrar. Joe Biden, Bill Clinton e George W. Bush compareceram à inauguração do Centro Presidencial de Barack Obama, acompanhados de suas esposas, enquanto Donald Trump permaneceu ausente de um evento que custou 4,3 bilhões de reais e contou com apresentações de Bruce Springsteen, Stevie Wonder, Bono e The Edge.

O complexo em Chicago não é uma biblioteca presidencial convencional. Seus criadores apostaram em experiências digitais e interativas, em vídeos e recursos multimídia, deixando os documentos originais sob custódia dos Arquivos Nacionais. O campus inclui uma filial da Biblioteca Pública de Chicago, quadra poliesportiva, jardins comunitários e trilhas para caminhada — um espaço pensado menos como museu do passado e mais como plataforma para engajamento cívico e mobilização política de base.

Barack Obama usou seu discurso para falar sobre o futuro, não sobre nostalgia. Ele lembrou que os Estados Unidos completarão 250 anos de independência em 4 de julho, e que a ideia de autogoverno em 1776 foi radicalmente inovadora. O centro, disse, deveria servir como afirmação de quão especial e preciosa é a democracia americana. Sem mencionar Trump pelo nome, pediu aos presentes que olhassem além da polarização política e reconhecessem que valores fundamentais — honestidade, integridade, gentileza, compaixão, senso de dever — não pertencem a republicanos nem a democratas, mas a todos os americanos. Afirmou também que apesar das diferenças, é possível enxergar uns aos outros, compreender uns aos outros e lutar juntos por causas em comum.

Michelle Obama discursou antes do marido e foi mais direta nas críticas. Agradeceu aos ex-presidentes presentes por seu trabalho e amizade, depois se voltou para Barack com palavras que emocionaram a plateia. Ele lhe havia prometido uma vida interessante, disse, e cumpriu a promessa — e mais. Mas então ela evocou as teorias conspiratórias que cercaram a presidência de seu marido: as alegações de que um senador dos EUA e especialista em direito constitucional não era qualificado para o cargo, as mentiras sobre seu direito de nascimento, sua fé, seu patriotismo. Mencionou a indignação quando Barack afirmou o fato biológico de que se tivesse um filho, ele também seria negro. Michelle não citou Trump, mas todos sabiam de quem falava. Elogiou a imperturbabilidade de Barack diante dessas ofensas, sua calma constante, seu olhar para o longo prazo.

Ela também criticou a política anti-imigração do governo atual, afirmando que ninguém tem o direito de julgar quem é americano o suficiente. E ressaltou que especialmente em tempos ansiosos e divididos, é necessário lembrar que certos valores não são exclusivos de seu marido — estão no fundo dos corações e almas de todos, e todos sabem o que é certo e o que é errado.

Barack reconheceu que sua administração teve falhas e que o centro presidencial abordará questões que permaneceram sem solução durante sua passagem pela Casa Branca. Algumas exposições refletirão suas próprias limitações e erros. Mas o espaço foi concebido para inspirar futuras gerações de cidadãos e lideranças, não apenas para celebrar um período já encerrado. A história dos EUA, disse, não está congelada no passado — ainda há capítulos a serem escritos por todos nós.

O evento ocorre em um momento de forte polarização política nos Estados Unidos, com a ausência de Trump funcionando como declaração silenciosa sobre as fraturas que dividem o país. O centro que se abre em Chicago promete ser menos um monumento ao que foi e mais um convite ao que ainda pode ser.

Apesar de todas as nossas diferenças, podemos enxergar uns aos outros, compreender uns aos outros e lutar juntos por causas em comum
— Barack Obama
Ninguém tem o direito de julgar quem é americano o suficiente
— Michelle Obama
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que a ausência de Trump importa tanto neste evento? Não é apenas uma questão de convite recusado?

Model

Não. A ausência é uma declaração. Quando três ex-presidentes de ambos os partidos se reúnem e um presidente em exercício não é convidado, isso fala sobre fraturas que vão além da política de campanha.

Inventor

Michelle foi mais direta que Barack nos seus ataques. Por quê?

Model

Ela estava falando como alguém que viveu aquelas conspirações pessoalmente. Quando você é alvo de mentiras sobre sua nacionalidade, sua fé, seu patriotismo — isso não é abstrato. Barack pode falar sobre valores americanos compartilhados. Michelle precisava nomear o que foi feito contra eles.

Inventor

O centro é bem diferente de uma biblioteca presidencial tradicional. O que isso diz sobre como Obama quer ser lembrado?

Model

Que ele não quer ser lembrado apenas. Quer ser útil. Um acervo digital, espaços para engajamento cívico, quadras poliesportivas — isso não é sobre preservar documentos. É sobre mobilizar pessoas.

Inventor

Obama disse que o centro abordará suas próprias falhas. Qual é o risco disso?

Model

O risco é mínimo se feito com honestidade. Mas há também uma oportunidade: mostrar que até presidentes podem reconhecer limitações. Em um momento de polarização extrema, isso é quase revolucionário.

Inventor

E quanto aos documentos originais? Por que não estão lá?

Model

Porque o centro não é um arquivo. É um espaço público. Os documentos estão nos Arquivos Nacionais, onde pesquisadores podem acessá-los. O centro quer contar histórias, não guardar segredos.

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