Venezuela denuncia conspiração para assassinar Maduro com envolvimento de EUA e Espanha

Seis estrangeiros detidos em operação de segurança; mais de 1.600 prisões já contabilizadas de participantes de protestos contra resultados eleitorais na Venezuela.
Usaremos todos os mecanismos para repelir e derrotar esses grupos de mercenários
Promessa do ministro Cabello de agir com rigor contra os detidos e possíveis novos suspeitos.

Em meio a uma crise política que se aprofunda após eleições contestadas, o governo venezuelano anunciou a detenção de seis estrangeiros — norte-americanos, espanhóis e um tcheco — acusados de conspirar para assassinar o presidente Nicolás Maduro. Washington e Madri negam qualquer envolvimento, e as famílias dos detidos insistem que eram simples turistas. O episódio revela como acusações de complô têm servido, historicamente, como instrumento de pressão interna e de escalada diplomática em Caracas.

  • Seis estrangeiros foram presos na Venezuela acusados de integrar uma trama para matar Maduro, com o governo afirmando ter apreendido 400 armas introduzidas ilegalmente no país.
  • Pela primeira vez, o governo venezuelano inclui o serviço de inteligência espanhol, o CNI, entre os supostos orquestradores do complô — ao lado da CIA, alvo habitual dessas acusações.
  • Washington e Madri negam categoricamente qualquer envolvimento, enquanto famílias dos detidos afirmam que eles eram turistas em férias na América do Sul.
  • As detenções ocorrem numa semana de ruptura diplomática: a Espanha reconheceu o opositor Edmundo González como presidente eleito e os EUA sancionaram 16 funcionários venezuelanos.
  • Organizações de direitos humanos alertam que as declarações do ministro Cabello costumam anteceder novas ondas de prisões — num país que já contabiliza mais de 1.600 detidos desde as eleições de julho.

Seis estrangeiros — três norte-americanos, dois espanhóis e um tcheco — foram detidos na Venezuela acusados de participar de uma conspiração para assassinar o presidente Nicolás Maduro e outros altos funcionários. O anúncio foi feito pelo ministro do Interior, Diosdado Cabello, que afirmou à televisão estatal que os presos faziam parte de um grupo de 14 pessoas e que 400 armas de fogo foram apreendidas durante as operações.

O que diferencia essa acusação das anteriores é a inclusão do serviço de inteligência espanhol, o CNI, como suposto coorganizador do complô — ao lado da CIA, alvo recorrente das denúncias de Caracas. Os dois espanhóis, identificados como José María Basoa Valdovinos e Andrés Martínez Adasme, foram capturados próximos ao aeroporto de Puerto Ayacucho, no estado do Amazonas, fotografando a região. Cabello afirmou que eles confessaram tentar recrutar mercenários para matar Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez e o próprio ministro. Sobre os norte-americanos, pouco foi revelado, exceto que um deles é Wilbert Joseph Castañeda, militar da Marinha especialista em explosivos.

Tanto Washington quanto Madri rejeitaram as acusações com veemência. O Departamento de Estado americano classificou qualquer alegação de envolvimento dos EUA em um complô contra Maduro como categoricamente falsa. O governo espanhol negou que os detidos sejam agentes do CNI ou de qualquer organismo estatal. As famílias reforçam essa versão: o pai de Andrés Martínez Adasme contou ao jornal El Mundo que perdeu contato com o filho no dia 2 de setembro, quando ele estava próximo à cidade colombiana de Inírida, em viagem de férias.

As detenções acontecem num momento de tensão diplomática aguda. Na semana anterior, a Espanha concedeu asilo ao candidato opositor Edmundo González Urrutia, o Congresso espanhol o reconheceu como presidente eleito e a ministra da Defesa espanhola chamou o governo venezuelano de ditadura — declarações que levaram Caracas a convocar sua embaixadora em Madri. Dias antes, os EUA haviam sancionado 16 funcionários venezuelanos pela repressão pós-eleitoral.

A organização Foro Penal alerta que as palavras de Cabello costumam preceder novas ondas de prisões. A Venezuela já soma mais de 1.600 detidos desde os protestos contra os resultados das eleições presidenciais de 28 de julho. O ministro prometeu agir com rigor máximo, repetindo um padrão que, ao longo de duas décadas, tem sido usado para justificar a repressão à oposição, a jornalistas e a ativistas de direitos humanos.

Seis estrangeiros — três norte-americanos, dois espanhóis e um checo — foram detidos na Venezuela nos últimos dias, acusados de participação em uma trama para assassinar o presidente Nicolás Maduro e outros altos funcionários do governo. O anúncio veio do ministro do Interior, Diosdado Cabello, que declarou à televisão estatal que os presos integravam um grupo de 14 pessoas conspirando contra o país. Segundo Cabello, as forças de segurança apreenderam 400 armas de fogo durante as operações, armas que teriam sido introduzidas ilegalmente no território venezuelano.

O que distingue essa acusação de outras feitas pelo governo Maduro nos últimos vinte anos é a inclusão de um novo ator: o Centro Nacional de Inteligência da Espanha, o CNI. Historicamente, as autoridades venezuelanas apontam a CIA como responsável por operações contra o governo, mas desta vez Cabello afirmou que o serviço de inteligência espanhol também estaria envolvido. Os dois espanhóis detidos, identificados como José María Basoa Valdovinos e Andrés Martínez Adasme, foram capturados próximo ao aeroporto de Puerto Ayacucho, no estado do Amazonas, a 710 quilômetros ao sul de Caracas, em uma situação que Cabello descreveu como irregular, fotografando a região. O ministro afirmou que os espanhóis confessaram estar tentando trazer mercenários com o objetivo claro de matar Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez, o próprio Cabello e outros líderes do partido.

Quanto aos norte-americanos, pouco foi divulgado. Sabe-se que um deles é Wilbert Joseph Castañeda, membro da Marinha dos EUA especialista em explosivos que serviu no Afeganistão e no Iraque. Os Estados Unidos ainda não conseguiram confirmar a situação dos outros dois. Cabello também afirmou, sem apresentar evidências, que nos telefones dos detidos foram encontrados contatos com membros do partido Vente Venezuela, liderado pela opositora María Corina Machado, além de outros opositores. Segundo o ministro, os detidos entraram em contato com mercenários franceses e de países do leste europeu.

Tanto Washington quanto Madri negaram categoricamente qualquer envolvimento. O Departamento de Estado dos EUA declarou que qualquer afirmação sobre participação americana em um complô para derrubar Maduro é categoricamente falsa, afirmando que o único apoio oferecido é para uma solução democrática à crise política venezuelana. O governo espanhol, por sua vez, desmentiu qualquer insinuação de estar envolvido em operações políticas na Venezuela, confirmando que os detidos não fazem parte do CNI nem de qualquer outro organismo estatal.

As famílias dos presos também contestam as acusações. O pai de Andrés Martínez Adasme afirmou ao jornal El Mundo que seu filho não trabalha para o CNI de forma alguma, e que ambos os espanhóis estavam de férias na América do Sul. Segundo ele, perdeu contato com o filho no dia 2 de setembro, quando ambos estavam próximos à cidade colombiana de Inírida. Fontes governamentais espanholas corroboraram essa versão ao jornal El País, negando que os detidos sejam agentes de inteligência.

As detenções ocorrem em um momento de extrema tensão diplomática. Apenas uma semana antes, o candidato opositor Edmundo González Urrutia havia solicitado asilo ao governo espanhol. O Congresso espanhol reconheceu González como presidente eleito da Venezuela, e a ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles, qualificou o governo venezuelano como uma ditadura — decisões que não foram bem recebidas em Caracas, que convocou sua embaixadora em Madrid. As detenções também ocorrem dias após os Estados Unidos sancionarem 16 funcionários venezuelanos por envolvimento nas declarações de vitória de Maduro e na repressão à liberdade de expressão após as eleições presidenciais de 28 de julho.

Essas acusações se somam a uma longa lista de tramas que os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro denunciaram nas últimas duas décadas. No início deste ano, Maduro afirmou ter desmantelado cinco supostos complôs contra ele nos últimos meses de 2023. Após essas acusações anteriores, o governo interrompeu negociações com a oposição e prendeu dezenas de políticos, jornalistas e ativistas de direitos humanos. A organização Foro Penal sugere que as palavras de Cabello antecedem uma nova onda de detenções, especialmente quando a Venezuela já contabiliza mais de 1.600 prisões de pessoas que participaram dos protestos contra os resultados das eleições. O ministro prometeu agir com rigor, afirmando que o governo usará todos os mecanismos para repelir e derrotar esses grupos, sendo extremamente rígido e severo na defesa da segurança e paz do país.

Meu filho não trabalha para o CNI, de jeito nenhum
— Pai de Andrés Martínez Adasme, um dos espanhóis detidos
Qualquer afirmação sobre a participação dos EUA em um complô para derrubar Maduro é categoricamente falsa
— Departamento de Estado dos EUA
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que o governo venezuelano acusa especificamente o CNI espanhol desta vez, quando historicamente aponta apenas a CIA?

Model

Porque a Espanha recentemente acolheu o candidato opositor Edmundo González e o Congresso espanhol o reconheceu como presidente eleito. É uma forma de punir diplomaticamente quem está apoiando a oposição.

Inventor

As famílias dizem que eram turistas. Como o governo responde a isso?

Model

Cabello afirma que foram encontrados contatos com opositores nos telefones deles e que confessaram estar trazendo mercenários. Mas não apresentou evidências públicas dessas confissões ou desses contatos.

Inventor

Qual é o padrão aqui? Maduro faz essas acusações regularmente?

Model

Sim. No início deste ano, ele denunciou cinco complôs diferentes. Sempre que faz essas acusações, o governo interrompe negociações com a oposição e prende políticos, jornalistas e ativistas. É um ciclo.

Inventor

E as 400 armas que dizem ter apreendido?

Model

Cabello afirma que foram confiscadas, mas novamente sem apresentar evidências visuais ou documentação que a imprensa possa verificar independentemente.

Inventor

O que isso significa para as relações entre Venezuela, EUA e Espanha?

Model

Aumenta dramaticamente a tensão. A Espanha já estava em conflito com Caracas por reconhecer González. Agora o governo venezuelano tem uma justificativa para romper relações diplomáticas, o que o Parlamento já solicitou.

Contáctanos FAQ