Wálter Maierovitch lança 'O mercado da morte' sobre indústria bélica e direito internacional

O livro aborda crimes de guerra e contra a humanidade em conflitos como Israel-Hamas e a invasão russa da Ucrânia, evidenciando impacto humano direto.
A indústria bélica como produtora de violência que permeia as relações entre países
Maierovitch examina como a guerra se tornou um negócio permanente que atravessa todas as estruturas internacionais.

Wálter Maierovitch, jurista que dedicou décadas a compreender como a violência se organiza em estruturas, volta a publicar pela Unesp com um livro que desloca o olhar do crime doméstico para a arena global: 'O mercado da morte' examina a indústria bélica não como anomalia, mas como sistema — um sistema que prospera exatamente porque as instituições criadas para contê-lo, como a ONU, encontram-se em colapso silencioso. O lançamento, marcado para 26 de setembro na Biblioteca Mário de Andrade em São Paulo, chega num momento em que guerras de conquista e crimes contra a humanidade se acumulam sem resposta efetiva do direito internacional.

  • A indústria bélica global não apenas vende armas — ela produz e sustenta os próprios conflitos que justificam sua existência, num ciclo que Maierovitch descreve como praticamente incontrolável.
  • O tráfico paralelo de armas, a espionagem estatal e o mercado oficial se entrelaçam numa mesma máquina, alimentando guerras que governos fingem não conhecer.
  • Ucrânia e Gaza funcionam no livro como evidências vivas: em ambos os casos, crimes de guerra ocorrem enquanto a ONU e outras estruturas internacionais assistem paralisadas.
  • Maierovitch diagnostica não um problema de comércio, mas uma falência sistêmica do direito internacional — a incapacidade estrutural de proteger soberania e vidas humanas.
  • O livro chega às livrarias em setembro, três anos após Maierovitch vencer o Jabuti, e propõe uma pergunta incômoda: por que o mundo não consegue parar de se destruir?

Wálter Maierovitch construiu sua reputação investigando o crime organizado no Brasil. Seu novo livro muda de endereço, mas não de obsessão. 'O mercado da morte', que a Editora Unesp lança no final de setembro, é um mergulho na indústria bélica global — quem lucra com ela, como ela funciona e por que as instituições criadas para contê-la estão praticamente indefesas.

O lançamento acontece no dia 26 de setembro na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, e marca o retorno de Maierovitch à Unesp três anos depois de vencer o Prêmio Jabuti com 'Máfia, poder e antimáfia'. Desta vez, o ponto de partida é uma frase atribuída a um burocrata romano do século IV — 'Se queres a paz, prepare-se para a guerra' — tratada como a semente de uma indústria que transformou a preparação para o conflito em negócio permanente e lucrativo.

O que o jurista examina vai além do mercado oficial de armas. Ele traça conexões entre o tráfico paralelo, a espionagem estatal — com casos do Mossad israelense, seus sucessos e fracassos — e os conflitos que governos fingem não alimentar. Mas o argumento central não é sobre a indústria em si: é sobre o que ela revela.

Maierovitch usa a invasão russa da Ucrânia e a guerra entre Israel e Hamas como provas de uma falência completa do direito internacional. Em ambos os casos, crimes de guerra e crimes contra a humanidade se acumulam enquanto a ONU e outras estruturas permanecem paralisadas. O livro, portanto, é menos uma análise técnica do comércio de armas e mais um diagnóstico de por que o sistema internacional de proteção à soberania e aos direitos humanos está quebrado — e por que o mundo não consegue parar de se destruir.

Wálter Maierovitch, jurista e desembargador aposentado que construiu sua carreira estudando as estruturas do crime organizado no Brasil, está lançando um livro que muda de endereço mas não de obsessão: a violência sistêmica e como ela se organiza. "O mercado da morte", que chega às livrarias no final de setembro pela Editora Unesp, é seu mergulho na indústria bélica global — como ela funciona, quem lucra com ela, e por que as instituições internacionais que deveriam contê-la estão praticamente indefesas diante dela.

O lançamento acontece no dia 26 de setembro na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, e marca o retorno de Maierovitch à Unesp três anos depois de vencer o Prêmio Jabuti com "Máfia, poder e antimáfia". Mas desta vez o foco não é apenas a criminalidade doméstica. O livro parte de uma frase atribuída a um burocrata romano do final do século IV — "Se queres a paz, prepare-se para a guerra" — e a trata como o ponto de partida para tudo que veio depois: uma indústria que transformou a preparação para a guerra em um negócio permanente, lucrativo e praticamente incontrolável.

O que Maierovitch examina é como essa indústria permeia as relações entre nações e se alimenta de múltiplas fontes. Não é apenas o mercado oficial de armas, aquele que passa por tratados e regulações. É também o tráfico paralelo, o mercado negro que abastece conflitos que os governos fingem não conhecer. E é também a espionagem estatal, que ele trata como um braço operacional da mesma máquina. O livro inclui casos da agência de inteligência israelense, o Mossad — considerada uma das mais eficientes do mundo — e examina tanto seus sucessos quanto seus fracassos.

Mas o ponto central do livro não é a indústria em si. É o que ela revela sobre o direito internacional. Maierovitch argumenta que estamos diante de uma falência completa do sistema que deveria regular a guerra e proteger a soberania dos Estados. Ele oferece dois exemplos que funcionam como prova: a invasão russa da Ucrânia, que viola diretamente a Constituição das Nações Unidas que defende a soberania estatal, e a guerra entre Israel e Hamas, onde crimes de guerra e crimes contra a humanidade ocorrem sob o olhar de instituições internacionais que não conseguem intervir. Em ambos os casos, a ONU e outras estruturas do direito internacional estão sob "extrema fragilidade", nas palavras do jurista.

O que Maierovitch está argumentando, em essência, é que a indústria bélica não é um problema isolado de comércio ou economia. É um sintoma de que o sistema internacional de proteção à soberania e aos direitos humanos está quebrado. Enquanto a indústria prospera — alimentada por conflitos reais e pela possibilidade de conflitos futuros — as instituições que deveriam impedir essas guerras de conquista e esses crimes contra a humanidade permanecem paralisadas. O livro, portanto, é menos uma análise técnica da indústria de armas e mais um diagnóstico de por que o mundo não consegue parar de se destruir.

A indústria bélica como produtora de violência que permeia as relações entre os países e se ancora em setores como espionagem
— Wálter Maierovitch
É a falência do direito internacional. A ONU está sob extrema fragilidade diante de guerras de conquista e crimes contra a humanidade
— Wálter Maierovitch
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que um especialista em crime organizado decide escrever sobre indústria bélica? Parece um salto.

Model

Não é um salto. Crime organizado e indústria bélica funcionam com a mesma lógica: lucro através da violência, estruturas paralelas que coexistem com as oficiais, e instituições que fingem não ver. Só que em escala global.

Inventor

E a frase romana que abre o livro — "Se queres a paz, prepare-se para a guerra" — você a vê como o erro original?

Model

Não como erro. Como a porta que nunca fechou. Aquela frase fazia sentido em um contexto de defesa. Mas quando se torna a base de uma indústria permanente, quando preparar-se para a guerra vira mais lucrativo que manter a paz, a lógica se inverte.

Inventor

Você menciona a fragilidade da ONU. Mas ela sempre foi frágil, não? Por que agora?

Model

Porque agora é visível. Ucrânia e Gaza não são exceções — são o padrão exposto. A ONU não consegue parar nem uma invasão clara de um país soberano. Isso não é fragilidade nova. É fragilidade que não pode mais ser negada.

Inventor

O livro fala de espionagem também. Como isso se conecta?

Model

Espionagem é a extensão operacional da indústria bélica. Você não vende armas para um conflito que não existe. Precisa de inteligência, de justificativas, de conhecimento do inimigo. O Mossad é eficiente porque trabalha para alimentar essa máquina.

Inventor

Então o direito internacional é apenas um cenário onde essa indústria atua?

Model

Pior. O direito internacional é a vítima. Ele deveria ser a barreira. Em vez disso, virou o palco onde a indústria se legitima enquanto mata.

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