Nutricionista alerta: gordura visceral é perigosa mesmo em pessoas magras

Você pode estar inflamado por dentro mesmo parecendo magro por fora
A gordura visceral afeta pessoas dentro do peso adequado, liberando inflamação silenciosa que aumenta risco de doenças graves.

Gordura visceral profunda no abdômen libera inflamação e aumenta risco de diabetes tipo 2, pressão alta e doenças cardiovasculares independentemente do peso aparente. Ultraprocessados, açúcar, sedentarismo, estresse e má qualidade de sono favorecem acúmulo de gordura visceral, mesmo em pessoas magras.

  • Gordura visceral libera substâncias inflamatórias associadas a diabetes tipo 2, pressão alta, doenças cardiovasculares, cirrose hepática não alcoólica e demência
  • Pessoas com peso adequado podem ter níveis altos de gordura visceral se mantêm alimentação ruim e sedentarismo
  • Ultraprocessados, açúcar, falta de atividade física, estresse e má qualidade de sono favorecem acúmulo de gordura visceral
  • Redução requer mudanças reais: alimentação natural com fibras, proteínas magras, atividade física regular, sono de qualidade e controle de estresse

Nutricionista explica que gordura visceral, acumulada no abdômen, é metabolicamente ativa e libera substâncias inflamatórias associadas a diabetes, doenças cardiovasculares e demência, mesmo em pessoas com peso adequado.

Há um tipo de gordura que não se vê no espelho, mas que pode estar ali mesmo assim — acumulada nas profundezas do abdômen, envolvendo órgãos vitais como fígado e intestino. Essa gordura visceral é metabolicamente ativa, o que significa que não fica inerte. Ela libera substâncias inflamatórias que circulam pelo corpo, desequilibrando sistemas inteiros e abrindo portas para doenças graves. O colesterol LDL sobe. O risco de diabetes tipo 2 aumenta. A pressão arterial se eleva. As doenças cardiovasculares ganham terreno. Há ainda associações com cirrose hepática não alcoólica, asma e até demência. E aqui está o ponto que desconforta muita gente: você não precisa estar acima do peso para ter esse problema.

Uma pessoa dentro dos limites considerados saudáveis pela balança pode estar carregando níveis perigosos de gordura visceral. A nutricionista Fernanda Coimbra, da clínica Tivolly, resume bem: essa gordura "é considerada metabolicamente ativa, ou seja, libera substâncias inflamatórias no organismo e aumenta o risco de doenças, mesmo quando a pessoa não aparenta excesso de peso". O que parece magro por fora pode estar inflamado por dentro.

O que alimenta esse acúmulo silencioso? A resposta está na vida cotidiana de muita gente. Alimentos ultraprocessados, consumo elevado de açúcar, sedentarismo — esse trio funciona como um motor que empurra gordura para o abdômen profundo. Mas não é só isso. O estresse crônico contribui. Alterações hormonais abrem caminho. E talvez o mais insidioso: dormir mal. Noites mal dormidas desregulam os hormônios que controlam o apetite e o armazenamento de gordura, criando um ciclo que favorece o ganho abdominal.

A boa notícia é que isso não é irreversível. A redução da gordura visceral exige mudanças reais no estilo de vida, não atalhos. A endocrinologista Fernanda Parra orienta que a base da alimentação seja composta por alimentos naturais e ricos em fibras — vegetais, frutas, proteínas magras e gorduras boas. Não é dieta restritiva. É comida de verdade, equilibrada em carboidratos, proteína e fibra.

A atividade física regular entra como peça fundamental. Não apenas para queimar calorias, mas para melhorar o metabolismo e ensinar o corpo a usar gordura como fonte de energia. Junto disso, dormir bem e controlar o estresse não são luxos — são ferramentas terapêuticas. Quando você dorme adequadamente e mantém o cortisol sob controle, o corpo deixa de armazenar gordura visceral como se estivesse em modo de sobrevivência.

O desafio está em reconhecer que você pode estar em risco mesmo que ninguém veja isso em você. A balança não conta essa história. O espelho não mostra essa inflamação silenciosa. Por isso a vigilância precisa ser interna — através de exames, através da atenção ao próprio corpo, através da escolha consciente de como você come, se move e descansa.

A gordura visceral é considerada metabolicamente ativa, ou seja, libera substâncias inflamatórias no organismo e aumenta o risco de doenças, mesmo quando a pessoa não aparenta excesso de peso
— Fernanda Coimbra, nutricionista da clínica Tivolly
A base da alimentação deve ser composta por alimentos naturais e ricos em fibras, como vegetais, frutas, proteínas magras e gorduras boas
— Fernanda Parra, endocrinologista
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que a gordura visceral é tão mais perigosa que a gordura subcutânea, aquela que a gente vê?

Model

Porque ela fica em contato direto com órgãos vitais e libera inflamação diretamente na corrente sanguínea. A gordura sob a pele é mais inerte. A visceral é uma fábrica de substâncias que desequilibram o corpo.

Inventor

Mas como alguém magro acaba com gordura visceral alta?

Model

Geralmente por uma combinação: comida ultraprocessada, açúcar demais, nenhuma atividade física. O corpo magro pode estar compensando com músculos, mas a gordura profunda cresce mesmo assim.

Inventor

E o sono ruim realmente influencia nisso?

Model

Muito. Quando você dorme mal, os hormônios que regulam apetite e armazenamento de gordura ficam desregulados. O corpo começa a guardar gordura como se estivesse em perigo.

Inventor

Então é possível reverter isso?

Model

Sim, mas não com atalhos. Precisa de alimentação real, atividade física regular, sono de qualidade e controle de estresse. Não é rápido, mas funciona.

Inventor

Qual é o sinal de alerta que alguém deveria procurar um médico?

Model

Se você tem fatores de risco — sedentarismo, má alimentação, estresse crônico — mesmo que pareça magro, vale fazer exames que meçam gordura visceral. Não confie só na aparência.

Quer a matéria completa? Leia o original em Metrópoles ↗
Fale Conosco FAQ