A marca é o que resta quando a patente cai
No momento em que a patente da semaglutida expira e o mercado se abre à concorrência, a Novo Nordisk recorre à Justiça Federal do Rio de Janeiro para contestar o nome Ozivy, da farmacêutica brasileira EMS. A disputa revela uma tensão antiga no capitalismo farmacêutico: o conflito entre quem construiu uma reputação e quem chega depois para competir no mesmo espaço. O que está em julgamento não é apenas uma sequência de letras, mas a fronteira entre inspiração legítima e apropriação indevida — e quem, afinal, é dono do reconhecimento que um medicamento acumula.
- A Novo Nordisk protocolou ação na 31ª Vara Federal do Rio alegando que o nome Ozivy foi escolhido para evocar deliberadamente Ozempic e Wegovy, marcas que a empresa levou anos para consolidar.
- O lançamento do Ozivy ocorreu justamente nesta semana, com preço agressivo de R$ 287 por mês — uma entrada direta no mercado aberto pela expiração da patente da semaglutida.
- A EMS rejeita as acusações e defende que o nome é fruto de desenvolvimento independente, posicionando o caso como uma questão de livre concorrência em benefício dos pacientes.
- Nenhuma decisão judicial foi proferida até agora, e o processo pode estabelecer precedente sobre como a Justiça brasileira trata disputas de marca em mercados farmacêuticos sensíveis.
A Novo Nordisk, fabricante dinamarquesa do Ozempic, acionou a Justiça Federal do Rio de Janeiro para tentar cancelar o registro da marca Ozivy, produto recém-lançado pela farmacêutica brasileira EMS. A ação foi protocolada na 31ª Vara Federal e sustenta que o nome escolhido pela concorrente gera confusão deliberada com Ozempic e Wegovy — marcas consolidadas da empresa dinamarquesa. Para a Novo Nordisk, a semelhança não é coincidência, mas uma estratégia para aproveitar a reputação que ela própria construiu ao longo de anos.
O contexto econômico explica a urgência do conflito. Com a expiração da patente da semaglutida — princípio ativo que tornou o Ozempic um fenômeno global —, o mercado se abriu para competidores, e a EMS foi rápida em agir. O Ozivy é o primeiro medicamento com semaglutida sintética autorizado pela Anvisa para diabetes tipo 2, e chegou às prateleiras com preço agressivo: R$ 287 por mês.
A EMS nega qualquer apropriação indevida, afirmando que o nome é resultado de desenvolvimento independente e enquadrando sua atuação como exercício legítimo de livre concorrência — algo que, segundo a empresa, beneficia diretamente os pacientes. A Justiça Federal ainda não se pronunciou, mas a decisão poderá definir precedentes importantes sobre disputas de marca num setor onde nomes semelhantes podem, de fato, confundir consumidores. Para ambas as empresas, o que está em jogo vai além de um registro: é a disputa pelo espaço num mercado bilionário em plena transformação.
A Novo Nordisk, fabricante dinamarquesa do Ozempic, entrou na Justiça Federal do Rio de Janeiro na quarta-feira 17 de junho para tentar cancelar o registro da marca Ozivy, produto lançado pela farmacêutica brasileira EMS. A ação foi protocolada na 31ª Vara Federal, e a empresa argumenta que o nome escolhido pela concorrente gera confusão deliberada com suas próprias marcas consolidadas no mercado.
Segundo os advogados da Novo Nordisk, a semelhança entre Ozivy e Ozempic—além de Wegovy, outro medicamento da empresa—não é coincidência. A companhia sustenta que a EMS aproveitou a reputação já construída por seus produtos para lançar um nome que remete indevidamente aos seus. Trata-se de uma estratégia comum em disputas de marca: argumentar que um concorrente se beneficia do reconhecimento que outra empresa investiu anos para conquistar.
O timing da ação revela o contexto econômico por trás do conflito. A Novo Nordisk perdeu a exclusividade da patente da semaglutida, o princípio ativo que tornou o Ozempic um fenômeno global para emagrecimento e controle de diabetes. Com a patente expirada, o mercado abriu para competidores, e a EMS foi rápida em aproveitar a oportunidade. O Ozivy começou a ser vendido no mercado nacional justamente nesta semana, posicionando-se como o primeiro medicamento com semaglutida sintética autorizado pela Anvisa especificamente para tratar diabetes tipo 2. O preço é agressivo: R$ 287 por mês, ou R$ 863,23 para um tratamento de três meses.
A EMS, por sua vez, nega qualquer apropriação indevida. A empresa afirma que Ozivy é resultado de um processo independente de desenvolvimento de marca, sem qualquer intenção de explorar a reputação alheia. Além disso, a farmacêutica brasileira enquadra sua posição dentro de um argumento maior: a necessidade de livre concorrência no mercado de medicamentos, que beneficia pacientes com mais opções e preços menores.
Até agora, a Justiça Federal não proferiu qualquer decisão sobre o caso. O processo segue em andamento, e o resultado pode estabelecer precedente importante para como as cortes brasileiras tratam disputas de marca em setores onde a semelhança nominal pode realmente confundir consumidores. Para a EMS, está em jogo não apenas o direito de usar o nome Ozivy, mas também a possibilidade de consolidar sua posição no mercado de semaglutida. Para a Novo Nordisk, trata-se de defender o valor de suas marcas em um momento em que a concorrência genérica ameaça sua hegemonia.
Notable Quotes
A EMS afirmou que o nome do produto é original e resultado de um desenvolvimento independente de branding— EMS
A escolha do termo Ozivy representa um aproveitamento da reputação das marcas da companhia— Advogados da Novo Nordisk
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a Novo Nordisk esperou até agora para contestar o nome? O Ozivy não é novo.
A empresa provavelmente monitorava a situação, mas só acionou a Justiça quando viu o produto realmente chegando às prateleiras e ao mercado. Às vezes, o risco percebido é o que dispara a ação legal.
A EMS realmente acredita que o nome é coincidência, ou está jogando um jogo?
É difícil saber. Mas a verdade é que em branding, nomes similares a produtos bem-sucedidos não são raros. Pode ser genuína coincidência ou cálculo deliberado. O que importa legalmente é se há confusão real entre consumidores.
Qual é o risco para a EMS se perder?
Teria que renomear o produto inteiro, o que custaria caro em marketing e reposicionamento. Além disso, perderia o momentum de lançamento que tem agora.
E para a Novo Nordisk, se ganhar?
Ganha tempo e proteção enquanto tenta manter sua fatia de mercado. Mas a semaglutida genérica vai chegar de qualquer forma. A vitória seria mais simbólica que econômica.
Qual é o verdadeiro jogo aqui?
É sobre quem controla a narrativa em torno de um medicamento que virou fenômeno cultural. A marca é o que resta quando a patente cai.