Nova regra exige nota mínima de 60 pontos no Enamed para exercer Medicina

Um terço dos novos médicos ficou abaixo do patamar mínimo
Dados de 2025 revelaram que 33% dos formandos não atingiram proficiência no Enamed, motivando a nova exigência.

Em um país onde um terço dos recém-formados em Medicina não demonstra proficiência mínima em exame nacional, o governo Lula assinou medida provisória que transforma o Enamed em requisito legal para o registro profissional, exigindo nota mínima de 60 pontos. A decisão, que afeta apenas futuros ingressantes, não é apenas uma mudança burocrática: é um reconhecimento de que o diploma, sozinho, deixou de ser garantia suficiente de competência. Ao vincular o destino das faculdades ao desempenho de seus alunos, o Estado reposiciona a responsabilidade pela qualidade médica como uma questão coletiva, não apenas individual.

  • Um terço dos formandos em Medicina de 2025 — cerca de 13 mil pessoas — ficou abaixo do patamar mínimo de proficiência no Enamed, revelando uma crise silenciosa na formação médica brasileira.
  • A medida provisória assinada por Lula transforma o que era um exame de avaliação em barreira legal: sem 60 pontos no Enamed, o futuro médico não poderá se registrar no CRM e exercer a profissão.
  • Quem já está matriculado respira aliviado — a exigência vale apenas para novos ingressantes, e os atuais estudantes continuam fazendo o exame sem a barreira do registro.
  • Para quem não atingir a nota, há uma saída: o graduado poderá refazer o Enamed semestralmente até alcançar o desempenho exigido, com aplicações em todos os municípios com cursos de Medicina.
  • As faculdades também estão na mira: instituições com conceitos 1 ou 2 no Enade podem sofrer redução de vagas, suspensão de ingressos e até fechamento de cursos pelo MEC.

O presidente Lula assinou uma medida provisória que muda as regras para o credenciamento de médicos no Brasil: a partir de agora, futuros formandos precisarão alcançar ao menos 60 pontos no Enamed para obter o registro no Conselho Regional de Medicina. O que antes era apenas um exame de avaliação torna-se, pela primeira vez, um obstáculo legal para o exercício da profissão.

A decisão foi motivada por dados preocupantes: na edição de 2025 do Enamed, 33% dos quase 40 mil formandos avaliados não atingiram o nível mínimo de proficiência. Para o Ministério da Educação, a medida responsabiliza tanto estudantes quanto instituições pela qualidade da formação oferecida.

A mudança, porém, não é imediata na prática. Alunos já matriculados continuam fazendo o Enamed — que permanece obrigatório para avaliação e seleção de residência médica —, mas sem a exigência dos 60 pontos para o registro. A barreira valerá apenas para quem ingressar nos cursos a partir de agora, quando esses novos alunos concluírem a graduação.

Para quem não atingir a nota, o caminho não se fecha: o graduado poderá refazer o exame em edições semestrais, aplicadas em todos os municípios com cursos de Medicina, até alcançar o desempenho exigido.

O mecanismo também mira as faculdades. As notas individuais compõem o Conceito Enade do curso, e instituições com os piores resultados podem sofrer supervisão do MEC, redução de vagas, suspensão de novos ingressos ou até fechamento. A medida cria, assim, uma dupla responsabilização: o estudante precisa provar competência para se registrar, e a faculdade precisa garantir que seus alunos consigam fazer isso para sobreviver.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que muda fundamentalmente como os médicos brasileiros serão credenciados para exercer a profissão. A partir de agora, futuros formandos em Medicina precisarão alcançar no mínimo 60 pontos no Enamed — o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica — para obter o registro no Conselho Regional de Medicina. É uma exigência que não existia antes e que transforma um teste de avaliação em um obstáculo legal para a prática profissional.

Os números que motivaram essa decisão são preocupantes. Na edição de 2025 do Enamed, cerca de 13 mil dos 39.258 formandos avaliados — o equivalente a 33% — não atingiram o que o exame considera proficiência. Isso significa que um terço dos novos médicos que se formaram naquele ano ficou abaixo do patamar mínimo. A medida provisória busca, segundo o Ministério da Educação, garantir maior qualidade na formação médica, responsabilizando tanto os estudantes quanto as instituições de ensino pelos resultados obtidos.

Mas há uma questão importante de timing: quem já está matriculado em um curso de Medicina não será afetado por essa mudança. A exigência valerá apenas para os alunos que ingressarão nos cursos a partir de agora. Embora a medida provisória entre em vigor imediatamente, a aplicação prática da nota mínima como requisito para o CRM só começará quando esses novos alunos terminarem sua graduação. Enquanto isso, os estudantes que já estão cursando continuarão fazendo o Enamed — ele permanece obrigatório para avaliação da formação e também pode ser usado nos processos de seleção para residência médica —, mas sem a barreira dos 60 pontos para se registrarem.

Para quem não conseguir atingir a pontuação necessária, a regra oferece uma saída: o graduado poderá refazer o exame em edições posteriores até alcançar o desempenho exigido. O Enamed será aplicado semestralmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, em todos os municípios que oferecem cursos de graduação em Medicina, o que significa que haverá oportunidades regulares de tentar novamente.

O exame, porém, não serve apenas para avaliar estudantes individualmente. Ele também funciona como ferramenta de avaliação das próprias faculdades. As notas individuais dos alunos compõem o Conceito Enade do curso, que varia de 1 a 5. Instituições que obtiverem conceitos 1 ou 2 — os piores — podem sofrer medidas de supervisão do Ministério da Educação, incluindo redução de vagas, suspensão de novos ingressos e, em casos extremos, até o fechamento do curso. Dessa forma, a medida provisória cria um mecanismo duplo de responsabilização: estudantes precisam passar no exame para se registrar, e faculdades precisam garantir que seus alunos passem para não sofrer sanções.

A mudança reflete uma preocupação crescente com a qualidade da formação médica no país. Ao transformar o Enamed em requisito obrigatório para o exercício da profissão, o governo sinaliza que não basta apenas concluir o curso — é preciso demonstrar competência mínima em um exame padronizado. Para os próximos anos, isso significa que o caminho para se tornar médico no Brasil terá um degrau adicional, e as faculdades de Medicina terão incentivos ainda maiores para melhorar seus programas de ensino.

A medida busca garantir maior qualidade na formação médica, responsabilizando tanto os estudantes quanto as instituições de ensino pelos resultados obtidos
— Ministério da Educação
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que agora? O Enamed já existia há tempos como avaliação.

Model

Porque os números mostraram um problema real. Um terço dos formandos em 2025 não atingiu proficiência. O governo decidiu que avaliar não era suficiente — era preciso fazer valer.

Inventor

Mas isso não prejudica quem já está estudando?

Model

Não. Quem já está na faculdade fica de fora. A regra vale só para quem entra agora em diante. É uma transição.

Inventor

E se alguém não conseguir os 60 pontos?

Model

Pode refazer. O exame sai duas vezes por ano, em qualquer município com curso de Medicina. Não é uma porta que fecha para sempre.

Inventor

As faculdades ruins vão sofrer?

Model

Sim. Se o desempenho dos alunos for ruim, a instituição recebe conceitos baixos e o MEC pode reduzir vagas, suspender novos ingressos ou até fechar o curso.

Inventor

Então é responsabilidade compartilhada?

Model

Exatamente. O estudante precisa passar. A faculdade precisa ensinar bem. Ninguém fica fora da conta.

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