Nova Indústria Brasil mobiliza R$ 750 bi e dispara investimentos em inovação 321%

Muitas empresas querem inovar, mas não encontram profissionais qualificados
O desafio central da indústria brasileira não é crédito, mas a escassez de mão de obra preparada.

Em julho de 2026, o Brasil apresentou ao mundo um retrato de si mesmo em transformação: a Nova Indústria Brasil, programa lançado dois anos antes, havia mobilizado 750 bilhões de reais em crédito industrial, com operações de inovação crescendo 321% em relação ao período pré-programa. O país aposta em mobilidade verde, inteligência artificial e infraestrutura digital como eixos de uma reindustrialização que promete, mas ainda precisa provar que alcança as empresas menores e os trabalhadores que precisam ser qualificados para sustentá-la.

  • Com 750 bilhões em crédito disponível e exportações chegando a 350 bilhões de dólares, o Brasil sinaliza que sua política industrial saiu do papel — mas a urgência agora é transformar capital em produtividade real.
  • A produtividade brasileira corresponde a cerca da metade da média dos países da OCDE, e a escassez de profissionais qualificados ameaça travar o crescimento justamente nos setores que mais precisam inovar.
  • O Programa de Mobilidade Verde atraiu 190 bilhões em investimentos privados, e o Redata pode trazer 2 trilhões em data centers em dez anos — apostas que dependem da vantagem competitiva da matriz energética limpa do país.
  • Para destravar o acesso ao crédito, o governo lançou a plataforma Investe Indústria Brasil, reunindo linhas do BNDES, Finep e Embrapii em um único ambiente digital — o primeiro passo para reduzir a burocracia que afasta pequenas e médias empresas.
  • O programa Construção 4.0 leva metodologia BIM a até 60 empresas em oito estados, sinalizando que a transformação digital da indústria precisa chegar também aos setores mais tradicionais da economia.

Em julho de 2026, Brasília sediou o segundo encontro do talk Brasil Industrializado, onde o governo apresentou os resultados da Nova Indústria Brasil: 750 bilhões de reais em linhas de crédito mobilizadas e um crescimento de 321% nas operações de inovação entre 2023 e 2025, em comparação com o período de 2019 a 2022. O secretário Uallace Moreira conectou os números ao cotidiano, apontando a proliferação de veículos híbridos e elétricos nas ruas como evidência concreta da política industrial em ação.

O Programa de Mobilidade Verde se destacou como um dos pilares da estratégia, atraindo mais de 190 bilhões em investimentos privados voltados à descarbonização. Jackson de Toni, da ABDI, reforçou o otimismo citando os 350 bilhões de dólares em exportações atingidos no ano anterior. Mas foi o tema da produtividade que dominou o debate: representantes do Senai e da CNI alertaram que a produtividade brasileira equivale à metade da média da OCDE, e que a falta de profissionais qualificados limita a capacidade das empresas de absorver as novas tecnologias disponíveis.

O governo também apostou na infraestrutura digital como vetor de desenvolvimento. O programa Redata, em tramitação no Congresso, prevê 7 bilhões em incentivos fiscais para data centers e pode atrair 2 trilhões em investimentos ao longo de uma década — uma aposta que se apoia na matriz energética limpa do Brasil como diferencial competitivo global. Na construção civil, o programa Construção 4.0 levará a metodologia BIM a até 60 pequenas e médias empresas em oito estados, com execução prevista até 2027.

Para conectar todo esse ecossistema às empresas, o MDIC e a ABDI lançaram a plataforma Investe Indústria Brasil, que reúne em um único ambiente digital as principais linhas de financiamento à inovação. O desafio central permanece o mesmo: garantir que os instrumentos criados cheguem efetivamente a quem precisa deles, transformando crédito e política pública em produtividade e desenvolvimento concretos.

Em julho de 2026, o Brasil apresentava números que sugeriam uma transformação industrial em curso. A Nova Indústria Brasil, programa lançado dois anos antes, havia mobilizado aproximadamente 750 bilhões de reais em linhas de crédito destinadas a modernizar o setor produtivo nacional. O dado mais impressionante vinha do crescimento das operações voltadas à inovação: entre 2023 e 2025, essas operações cresceram 321% quando comparadas ao período de 2019 a 2022. Os números foram apresentados durante o segundo encontro do talk Brasil Industrializado, realizado em Brasília, uma iniciativa do jornal Metrópoles em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial.

O secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Uallace Moreira, conectava os investimentos a mudanças visíveis nas ruas brasileiras. Segundo ele, a presença crescente de veículos híbridos e elétricos no país era resultado direto dessa política industrial, que impulsionava novas rotas tecnológicas e aumentava a competitividade da indústria brasileira. O governo havia projetado mais de 50 bilhões de reais para inovação e tecnologia entre 2023 e 2026, com bilhões já contratados em projetos distribuídos entre as missões da Nova Indústria Brasil.

O Programa de Mobilidade Verde emergiu como um dos pilares da estratégia. A iniciativa havia mobilizado mais de 190 bilhões de reais em investimentos privados, focando em novas tecnologias de descarbonização que incluíam veículos híbridos, elétricos, biocombustíveis, eficiência energética e cadeias industriais de menor emissão. Jackson de Toni, assessor especial da presidência da ABDI, apontava para o desempenho das exportações brasileiras como sinal de força econômica. No ano anterior, o país havia atingido 350 bilhões de dólares em exportações, um número que refletia a capacidade produtiva nacional em expansão.

Mas havia um desafio crítico que atravessava o debate: a produtividade. Maicon Lacerda, gerente de Negócios de Inovação e Tecnologia do Senai, afirmava que a produtividade no Brasil correspondia a cerca da metade da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. A escassez de profissionais qualificados limitava a capacidade de expansão e inovação das empresas, especialmente naqueles setores que tentavam adotar novas tecnologias e digitalizar processos. Paula Nardai, gerente de Desenvolvimento e Inovação Industrial da CNI, reforçava que a inovação gera produtividade, que gera competitividade e desenvolvimento, mas isso só acontecia com gente preparada dentro das empresas. Diones Cerqueira, assessor econômico da Fibra, descrevia o problema no cotidiano: empresários queriam investir, mas não encontravam equipes preparadas para sustentar o crescimento.

O governo também apostava na inteligência artificial e na infraestrutura digital como vetores de desenvolvimento. Moreira defendia que o Brasil possuía uma vantagem competitiva rara: uma matriz energética limpa que poucos países no mundo tinham. Nesse contexto, o governo havia criado o Redata, programa em tramitação no Congresso que previa 7 bilhões de reais em incentivos fiscais para instalação de data centers. A estimativa do Ministério da Fazenda apontava que esse programa poderia atrair, em dez anos, um volume de investimento de 2 trilhões de reais com a instalação de infraestrutura de data centers.

A transformação digital também chegava à construção civil. O MDIC e a ABDI lançaram o Construção 4.0 – BIM na Prática, programa voltado à adoção da metodologia Building Information Modeling por pequenas e médias empresas do setor. O projeto-piloto contaria com investimento de 1,9 milhão de reais e previa atendimento a até 60 empresas em oito estados — Rondônia, Bahia, Ceará, Pernambuco, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina e São Paulo — com execução programada até 2027. A metodologia integraria projetos, cronogramas e orçamentos em um modelo digital único, com potencial para reduzir retrabalho e elevar produtividade.

O grande desafio apontado por Jackson de Toni era fazer os instrumentos chegarem efetivamente às empresas. Para isso, o MDIC havia lançado, em parceria com a ABDI, a plataforma Investe Indústria Brasil, que reunia em um único ambiente digital linhas de financiamento do BNDES, da Finep e da Embrapii voltadas ao setor produtivo. Na primeira etapa, a plataforma receberia projetos ligados às cadeias agroindustriais, com foco em fertilizantes. O objetivo era diminuir entraves burocráticos, organizar a demanda das empresas e conectar projetos industriais às instituições capazes de financiar inovação e expansão produtiva. A aposta do governo combinava crédito, inovação, qualificação profissional, inteligência artificial e transformação digital como eixos da Nova Indústria Brasil — mas a execução dessa estratégia dependeria da capacidade de conectar melhor as políticas públicas, as instituições de ensino e as empresas.

Se hoje vemos carros híbridos e elétricos nas ruas, é resultado desses investimentos, que impulsionam novas rotas tecnológicas e aumentam a competitividade da indústria brasileira
— Uallace Moreira, secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC
O maior desafio é aprofundar a política industrial e garantir que seus instrumentos cheguem de forma efetiva às empresas, gerando emprego, renda e desenvolvimento regional
— Jackson de Toni, assessor especial da presidência da ABDI
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que o crescimento de 321% em operações de inovação é tão significativo? O que mudou entre 2019 e 2025?

Model

A mudança foi de escala e de política. Entre 2019 e 2022, a indústria operava com menos crédito disponível e menos alinhamento entre governo, bancos de fomento e setor privado. A partir de 2023, houve recomposição das políticas públicas e fortalecimento dos bancos de fomento. Isso abriu espaço para projetos que antes não conseguiam financiamento.

Inventor

Mas se há 750 bilhões em crédito disponível, por que a produtividade brasileira ainda é metade da média da OCDE?

Model

Porque crédito não é tudo. Você pode oferecer dinheiro para uma empresa modernizar, mas se ela não encontra engenheiros, técnicos e profissionais qualificados para operar a nova tecnologia, o investimento não se converte em ganho real. É um gargalo de gente, não de dinheiro.

Inventor

A aposta em data centers parece desproporcionalmente grande — 2 trilhões em dez anos. Como o Brasil justifica isso?

Model

A justificativa é a matriz energética limpa. Data centers consomem muita eletricidade. O Brasil tem energia hidrelétrica e renovável em abundância, enquanto outros países precisam de combustíveis fósseis. Se o governo conseguir atrair esses investimentos, cria uma cadeia produtiva inteira em torno de infraestrutura digital.

Inventor

E as pequenas e médias empresas? Elas conseguem acessar esses 750 bilhões?

Model

Teoricamente sim, agora com a plataforma Investe Indústria Brasil. Mas historicamente, crédito fica concentrado em grandes empresas. A plataforma tenta mudar isso, reunindo linhas de diferentes bancos em um só lugar. O desafio real é se as PMEs conseguem navegar o sistema e apresentar projetos que os bancos aprovem.

Inventor

Qual é o maior risco dessa estratégia?

Model

Que o investimento chegue, mas a qualificação profissional não acompanhe. Você pode ter fábricas modernas, data centers sofisticados, metodologias digitais avançadas — mas sem gente preparada, tudo fica subutilizado. É por isso que vários representantes do setor apontaram a educação como o verdadeiro gargalo.

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