Um terço dos novos médicos não demonstrou domínio adequado
Em um momento em que o Brasil enfrenta questionamentos sobre a qualidade de sua formação médica, o presidente Lula assinou uma medida provisória que transforma o Enamed — até então um exame meramente avaliativo — em requisito obrigatório para o registro profissional. A partir de agora, futuros estudantes de Medicina precisarão alcançar ao menos 60 pontos para exercer a profissão, uma exigência que ecoa uma pergunta antiga e urgente: o que significa, de fato, estar preparado para cuidar de vidas? Os números de 2025, em que um terço dos formandos ficou abaixo do nível proficiente, tornaram a resposta impossível de adiar.
- Um terço dos médicos formados em 2025 — cerca de 13 mil pessoas — não demonstrou domínio proficiente do conhecimento esperado, expondo uma crise silenciosa na educação médica brasileira.
- A medida provisória de Lula converte o Enamed em barreira obrigatória: sem 60 pontos, nenhum novo ingressante poderá obter registro no CRM e exercer a medicina.
- Alunos já matriculados ficam de fora da exigência de nota mínima, criando uma linha divisória entre gerações de estudantes e gerando debate sobre equidade e urgência da reforma.
- Faculdades com desempenho insatisfatório — conceitos 1 ou 2 no Enade — passam a enfrentar supervisão do MEC, com risco real de redução de vagas, suspensão de ingressos ou fechamento.
- O Enamed será aplicado semestralmente pelo Inep em todos os municípios com cursos de Medicina, sem limite de tentativas, oferecendo uma segunda — e terceira — chance a quem não atingir a proficiência.
O Brasil acaba de redefinir o que significa tornar-se médico. Por medida provisória assinada pelo presidente Lula, o Enamed — Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica — deixa de ser um instrumento apenas diagnóstico e passa a ser uma porta obrigatória: sem nota mínima de 60 pontos, não há registro no Conselho Regional de Medicina, não há exercício da profissão.
A mudança, porém, não é retroativa. Estudantes já matriculados continuam sujeitos ao exame, mas sem a exigência de pontuação mínima para obter o registro. A nova regra vale apenas para quem ingressar nos cursos de Medicina a partir de agora — uma distinção que protege os atuais alunos, mas deixa clara a direção para o futuro.
Os dados que motivaram a decisão são contundentes. Na edição de 2025, dos 39.258 formandos avaliados, aproximadamente 13 mil — 33% — ficaram abaixo do nível considerado proficiente. Um em cada três novos médicos saiu da universidade sem demonstrar o domínio esperado. Diante desse cenário, a medida se apresenta menos como punição e mais como resposta a um diagnóstico que não podia mais ser ignorado.
Para quem não atingir os 60 pontos na primeira tentativa, o caminho permanece aberto: o Enamed será aplicado semestralmente pelo Inep, sem limite de tentativas. Mas a responsabilidade não recai apenas sobre os estudantes. As faculdades também passam a ser pressionadas — instituições com conceitos 1 ou 2 no Enade podem sofrer supervisão do Ministério da Educação, com consequências que vão da redução de vagas ao fechamento do curso. Qualidade, agora, é exigência de todos os lados.
A partir de agora, quem quer ser médico no Brasil terá um obstáculo novo e concreto: uma nota mínima de 60 pontos no Enamed, o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica. Sem essa pontuação, não há registro no Conselho Regional de Medicina. A exigência veio por medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, transformando um exame que era apenas avaliativo em um requisito obrigatório para o exercício da profissão.
Mas há um detalhe importante: essa regra não vale para quem já está na faculdade. Apenas os estudantes que ingressarem nos cursos de Medicina a partir de agora enfrentarão essa barreira. Os atuais alunos continuam como estão — o Enamed permanece obrigatório para eles, sim, mas sem a exigência de nota mínima para conseguir o registro profissional. Quem já está cursando também poderá usar o exame para concorrer a vagas de residência médica.
Os números revelam por que essa mudança foi necessária. Na edição de 2025 do Enamed, 39.258 formandos foram avaliados. Desses, cerca de 13 mil — aproximadamente 33% — não alcançaram o nível considerado proficiente. Isso significa que um terço dos novos médicos que saíram das universidades naquele ano não demonstrou domínio adequado do conhecimento esperado. O sinal era claro: algo precisava mudar.
Para quem não conseguir os 60 pontos na primeira tentativa, há caminho: refazer o exame. O Enamed será aplicado semestralmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o Inep, em todos os municípios que oferecem graduação em Medicina. Não há limite de tentativas — o estudante pode voltar quantas vezes for necessário até atingir a proficiência.
Mas a medida não afeta apenas os alunos. As faculdades também entram na mira. As notas individuais dos estudantes compõem o Conceito Enade do curso, que varia de 1 a 5. Instituições que obtiverem conceitos 1 ou 2 — desempenho insatisfatório — podem sofrer supervisão do Ministério da Educação. Isso pode significar redução de vagas, suspensão de novos ingressos ou, nos casos mais graves, fechamento do curso. A responsabilidade, portanto, é compartilhada: tanto estudantes quanto faculdades precisam demonstrar qualidade.
O objetivo declarado é garantir maior qualidade na formação médica. Ao vincular o registro profissional a um desempenho mínimo, o governo busca assegurar que apenas médicos adequadamente preparados possam exercer a profissão. Simultaneamente, ao avaliar os cursos através do desempenho de seus alunos, cria-se pressão para que as instituições de ensino invistam em qualidade pedagógica.
Ainda há detalhes a serem regulamentados — os critérios específicos para definir a nota mínima necessária, por exemplo, serão estabelecidos posteriormente. Mas a estrutura está em pé. A partir de agora, o Enamed não é mais apenas um termômetro da formação médica. É uma porta que precisa ser aberta para que o médico possa trabalhar.
Citações Notáveis
A medida busca garantir maior qualidade na formação médica, responsabilizando tanto os estudantes quanto as instituições de ensino pelos resultados obtidos— Ministério da Educação
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que agora? Por que essa mudança foi necessária?
Os números falam sozinhos. Um terço dos formandos em 2025 não atingiu o nível proficiente. Isso não é uma falha isolada — é um padrão que sinalizava que a qualidade estava escorregando.
Mas isso não prejudica quem já está estudando?
Não. Quem já está na faculdade fica de fora dessa exigência. É uma mudança prospectiva, não retroativa. Protege quem já fez escolhas com base nas regras antigas.
E se o aluno não conseguir os 60 pontos na primeira vez?
Pode tentar de novo. O exame acontece semestralmente. Não há limite de tentativas — apenas a exigência de que, eventualmente, chegue lá.
As faculdades vão sofrer com isso?
Sim, mas talvez seja o ponto. Se o desempenho dos alunos afeta o conceito do curso, as instituições têm incentivo real para melhorar. Cursos com notas muito baixas podem perder vagas ou até fechar.
Isso é justo com as faculdades que já têm dificuldades?
É uma pressão, sem dúvida. Mas também é uma responsabilização. Se uma instituição forma médicos que não dominam o conhecimento básico, há consequências. Isso pode ser duro, mas não é injusto.
E o que muda para o paciente?
Teoricamente, apenas médicos adequadamente preparados podem exercer. É uma camada a mais de proteção, embora o impacto real dependa de como a medida for implementada.