Nobuo Uematsu rejeita IA na composição musical, mas vê potencial em outras funções de áudio

Há mais satisfação em algo que você mesmo criou após esforço e luta
Nobuo Uematsu explica por que nunca usará IA na composição musical, valorizando o trabalho humano genuíno.

Uematsu valoriza a criação humana pela satisfação pessoal e pela conexão emocional que os ouvintes estabelecem com a história do compositor. O compositor reconhece que música feita por humanos é instável e única, características que a IA não consegue replicar de forma significativa.

  • Nobuo Uematsu nunca usou e nunca usará IA para compor músicas
  • Fantasian Neo Dimension foi seu último trabalho de composição completa para um videogame
  • Uematsu será responsável pelo tema principal de Final Fantasy VII Remake

Lendário compositor Nobuo Uematsu afirma nunca ter usado e nunca usará IA para criar músicas, argumentando que a satisfação vem do esforço humano e da história por trás da criação.

Nobuo Uematsu, o compositor que moldou a identidade sonora de Final Fantasy durante décadas, tem uma posição clara sobre inteligência artificial: não a usará. Em entrevista ao JASRAC, o lendário criador explicou sua recusa categórica com uma lógica que vai além do simples purismo artístico. Para Uematsu, a satisfação de compor vem do esforço genuíno, da luta pessoal que precede cada nota. "Eu nunca usei e provavelmente nunca usarei", afirmou. "Acho que há mais satisfação em algo que você mesmo criou após algum esforço e luta."

Mas sua objeção não é apenas sobre o processo criativo. Uematsu entende que a música carrega consigo a história de quem a fez — e essa narrativa humana é inseparável da experiência de quem ouve. Quando alguém escuta uma composição, parte do prazer vem de conhecer quem estava por trás dela, de sentir a presença de uma pessoa real naquelas notas. A inteligência artificial, por mais sofisticada que seja, não possui essa dimensão. Não tem uma trajetória, não tem lutas, não tem um "eu" que possa ser descoberto.

O compositor também ressaltou uma qualidade que considera essencial na música criada por seres humanos: a instabilidade, a unicidade. Cada compositor traz suas imperfeições, suas escolhas idiossincráticas, suas limitações que se tornam características. Essas marcas pessoais são o que torna a música viva e irreproduzível. A IA, por design, tende à previsibilidade e à homogeneidade — qualidades úteis em muitos contextos, mas que Uematsu vê como antitéticas à verdadeira criação musical.

Ainda assim, Uematsu não rejeita a tecnologia de forma absoluta. Ele reconhece que a inteligência artificial pode ser uma ferramenta valiosa em outras dimensões do design de áudio para videogames. O áudio espacial — aquele som binaural que cria a ilusão de profundidade e movimento — é uma área onde a IA pode contribuir significativamente. Final Fantasy X já explorou essa possibilidade, e Uematsu vê espaço para evolução conforme os jogadores passem a exigir mais sofisticação sonora.

Outra aplicação promissora, segundo ele, é a fluidez nas transições musicais. Em um videogame, a música precisa mudar constantemente — quando o jogador entra em combate, quando explora, quando está em uma cinemática. A IA pode lidar bem com essas transições, tornando-as mais naturais e responsivas. Essa é uma função técnica, não criativa, e é exatamente nesse espaço que Uematsu vê o potencial da ferramenta.

Recentemente, o compositor revelou que Fantasian Neo Dimension foi seu último trabalho de composição completa para um videogame. A notícia poderia soar como um adeus, mas Uematsu deixou claro que ainda estará presente na trilha sonora da próxima parte de Final Fantasy VII Remake, onde será responsável pelo tema principal. Portanto, enquanto a IA continua avançando em seus domínios, o homem que definiu a sonoridade de uma das maiores franquias de games segue criando — manualmente, laboriosamente, humanamente.

Há mais satisfação em algo que você mesmo criou após algum esforço e luta, e quando as pessoas ouvem música, parte do prazer vem de descobrir a história da pessoa que a criou
— Nobuo Uematsu
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Uematsu é tão categórico em sua rejeição? Não há nenhuma circunstância em que a IA pudesse ser útil na composição?

Model

Para ele, não é sobre ser categórico por purismo. É que a composição é inseparável da história pessoal. Quando você ouve uma música de Uematsu, você está ouvindo décadas de trabalho, escolhas, lutas. A IA não carrega isso.

Inventor

Mas a maioria das pessoas não conhece a história do compositor. Elas só ouvem a música.

Model

Verdade. Mas Uematsu acredita que essa história está codificada na música de alguma forma — nas imperfeições, nas escolhas únicas. É como a diferença entre uma fotografia e uma pintura. Ambas mostram algo, mas uma tem a mão do artista visível.

Inventor

Então por que ele vê potencial em áudio espacial e transições? Isso não é também criação?

Model

Não da mesma forma. Áudio espacial é mais técnico — é sobre como o som se move no espaço. Transições musicais são sobre resolver um problema prático. Não é sobre criar a emoção; é sobre entregar a emoção que já foi criada de forma mais suave.

Inventor

Ele está dizendo que a IA é boa para o trabalho de engenheiro, mas não para o de artista?

Model

Exatamente. E isso faz sentido vindo de alguém que passou a vida inteira sendo artista. Ele sabe a diferença entre resolver um problema e criar algo que nunca existiu antes.

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