Negociações sobre teto da dívida dos EUA entram na reta final com acordo ainda distante

Potencial impacto em mais de oito milhões de empregos e segurança alimentar de americanos de baixa renda caso não haja acordo.
Todos querem ver a fumaça branca, mas ainda não chegamos lá
O negociador republicano Patrick McHenry descreve o impasse nas conversas sobre o teto da dívida americana.

No limiar de um possível calote histórico, republicanos e democratas americanos disputavam, em Washington, não apenas números fiscais, mas visões opostas de justiça e responsabilidade. Com o prazo de 5 de junho se aproximando, o que estava em jogo ia além das finanças do Tesouro: eram os empregos, a alimentação e a dignidade de milhões de americanos vulneráveis. O mundo observava, e o FMI advertia que o desfecho seria sentido muito além das fronteiras dos Estados Unidos.

  • O prazo de 5 de junho criava uma contagem regressiva real: sem acordo, o Tesouro americano ficaria sem fundos para honrar suas obrigações pela primeira vez na história.
  • Republicanos e democratas travavam uma batalha ideológica profunda — de um lado, a exigência de condicionar benefícios sociais ao trabalho; do outro, a acusação de que isso tiraria o pão da boca dos mais pobres.
  • Mais de oito milhões de empregos e a segurança alimentar de americanos de baixa renda pendiam sobre a mesa das negociações, tornando o impasse político uma crise humana concreta.
  • Mesmo que um acordo fosse fechado, ainda precisaria ser aprovado por um Congresso parcialmente ausente no feriado prolongado, adicionando uma camada extra de incerteza ao processo.
  • O FMI alertou que um default americano seria 'crítico' para a economia mundial, elevando as apostas de uma disputa doméstica a uma ameaça de proporções globais.

Durante o fim de semana do Dia da Memória, Washington não descansava. Republicanos e democratas permaneciam presos em negociações tensas para evitar que os Estados Unidos entrassem em default em 5 de junho — data em que o Tesouro americano simplesmente não teria mais recursos para honrar seus compromissos.

O negociador republicano Patrick McHenry descreveu o progresso com cautela: esperava uma lista curta de pontos em disputa, mas encontrou uma longa. Biden, por sua vez, dizia-se 'otimista', enquanto todos aguardavam a 'fumaça branca' de um entendimento que ainda não chegava.

No centro do impasse estava uma divergência filosófica. Os republicanos, liderados por Kevin McCarthy, queriam impor novas restrições ao auxílio-alimentação, argumentando ser uma questão de disciplina fiscal. Os democratas respondiam que a proposta colocava em risco mais de oito milhões de empregos e a alimentação de americanos vulneráveis — uma linha que Biden, em campanha para 2024, se recusava a cruzar.

Mesmo que as negociações chegassem a um acordo, o caminho ainda seria longo: a proposta precisaria ser votada em um Congresso com muitos legisladores ausentes no feriado, sob risco de atrasos ou rejeição. A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, havia alertado que um acordo era 'crítico' para a saúde econômica mundial. Naquele sábado, a questão não era apenas sobre números — era sobre quem arcaria com o custo de um acordo, e quem pagaria o preço de nenhum.

Enquanto o fim de semana prolongado do Dia da Memória transcorria, republicanos e democratas permaneciam em Washington, presos em negociações que poderiam determinar se os Estados Unidos entrariam em default. O prazo era iminente: 5 de junho, quando o Tesouro americano simplesmente não teria mais dinheiro para honrar suas obrigações. Ninguém havia chegado a um acordo ainda, apesar de semanas de conversas intensas.

Patrick McHenry, o negociador republicano, ofereceu uma avaliação sombria do progresso. Esperava uma lista curta de pontos em disputa, disse ele aos repórteres no sábado, mas encontrou uma lista longa. Na noite anterior, havia sido ligeiramente mais esperançoso, observando que todos queriam ver a "fumaça branca" de um acordo, mas ainda não tinham chegado lá. O presidente Joe Biden, por sua vez, havia se mostrado "otimista" na sexta-feira sobre as chances de um entendimento.

O cerne da divisão era simples de enunciar, mas profundo em suas implicações políticas. Os republicanos, liderados pelo presidente da Câmara Kevin McCarthy, queriam condicionar certos benefícios sociais — particularmente o auxílio-alimentação — a novas restrições. McCarthy argumentava que não fazia sentido tomar dinheiro emprestado da China para sustentar pessoas saudáveis que poderiam trabalhar. Era uma questão de disciplina fiscal, insistia ele. Os democratas viam a mesma proposta como um ataque aos mais vulneráveis. O porta-voz adjunto da Casa Branca, Andrew Bates, alertou que os republicanos estavam colocando em risco mais de oito milhões de empregos enquanto tentavam "tirar o pão da boca dos americanos famintos".

Biden, já em campanha para sua reeleição em 2024, havia se posicionado repetidamente contra cortes orçamentários que afetassem trabalhadores e famílias de baixa renda. Para ele, a questão era tanto de justiça social quanto de política. Para McCarthy e seus aliados, era uma questão de responsabilidade fiscal. Ambos os lados queriam uma vitória política clara, mesmo que isso significasse empurrar as negociações até o último momento possível.

McHenry sugeriu que um acordo poderia estar a "horas ou dias" de distância, mas essa estimativa era tão incerta quanto tudo mais naquele momento. A pressão era real e crescente. Mesmo que um acordo fosse alcançado nas negociações, ainda precisaria ser votado no Senado e na Câmara de Representantes. Muitos legisladores estavam ausentes no fim de semana prolongado e teriam de ser chamados de volta com urgência. Havia também o risco de que o Congresso simplesmente não aprovasse nada, ou que adiasse a votação ao máximo, forçando concessões cada vez maiores de um lado ou do outro.

A economia global estava observando. Kristalina Georgieva, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, havia dito na sexta-feira que um acordo era "crítico" para a saúde econômica do mundo. Os Estados Unidos, enfatizou ela, precisavam fazer mais para reduzir sua dívida pública. Mas naquele sábado, enquanto as negociações continuavam em um ritmo lento e frustrante, a questão não era apenas sobre números e política fiscal. Era sobre quem pagaria o preço de um acordo — e se alguém pagaria o preço de nenhum acordo.

Não acho certo pegar dinheiro emprestado da China para pagar pessoas saudáveis e que não tenham dependentes para ficar no sofá
— Kevin McCarthy, presidente republicano da Câmara
Os republicanos estão colocando em risco mais de oito milhões de empregos enquanto tentam tirar o pão da boca dos americanos famintos
— Andrew Bates, porta-voz adjunto da Casa Branca
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que isso está levando tanto tempo? Parece uma questão técnica simples.

Model

Não é técnica. É política pura. Ambos os lados sabem que qualquer concessão será usada contra eles nas eleições de 2024. McCarthy quer mostrar que forçou os democratas a serem mais austeros. Biden quer mostrar que protegeu os vulneráveis.

Inventor

Mas o risco é real — o default poderia acontecer em dias.

Model

Exatamente. É por isso que McHenry diz "horas ou dias". Eles estão apostando que a pressão do prazo final vai forçar um acordo. Sempre funciona assim em Washington.

Inventor

E se não funcionar?

Model

Então você tem uma crise econômica global. O FMI já está alertando. Mas ninguém quer ser o responsável por isso, então alguém vai ceder no último segundo.

Inventor

Quem cede primeiro?

Model

Provavelmente os republicanos, porque o dano político de um default recai mais pesadamente sobre o partido no poder. Mas eles vão tentar extrair o máximo de concessões antes disso.

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