Mulheres dos subúrbios se rebelam contra visão 'racista' de Trump

Ele não tem ideia de como são nossas vidas. Não somos 'donas de casa'
Uma das fundadoras do S.W.A.T. rejeitando a imagem estereotipada que Trump criava das mulheres dos subúrbios.

O grupo S.W.A.T. nasceu em agosto com 9 mil membros em 35 estados, mobilizando mulheres para votar contra Trump e rejeitar sua visão estereotipada dos subúrbios. Mulheres brancas dos subúrbios foram cruciais para vitória de Trump em 2016, mas pesquisas mostram que Biden abriu 13 pontos de vantagem com esse eleitorado em 2020.

  • Grupo S.W.A.T. formado em agosto de 2020 com 9 mil membros em 35 estados
  • Mulheres brancas dos subúrbios votaram 47% em Trump em 2016, decisivo em estados como Pensilvânia
  • Pesquisa de agosto de 2020 mostrava Biden com 13 pontos de vantagem entre mulheres dos subúrbios
  • Trump venceu Pensilvânia, Michigan e Wisconsin em 2016 por menos de 44 mil votos no total

Grupo de mulheres dos subúrbios americanos se organiza para rejeitar a narrativa de Trump sobre suas vidas e apoiar Joe Biden, argumentando que o presidente as retrata de forma racista e antiquada.

Em Stamford, Connecticut, um grupo de mulheres dos subúrbios decidiu que não seria mais retratado da forma como Donald Trump as descrevia. No início de agosto de 2020, o presidente havia se dirigido a elas com um aviso: um voto em Joe Biden significaria a destruição de seus bairros, a perda de seus sonhos americanos, tudo por causa de moradias sociais que o candidato democrata supostamente construiria. A mensagem era clara, ou assim Trump acreditava. As mulheres dos subúrbios queriam proteger suas casas, seus muros, seus jardins perfeitos. Elas deveriam estar com medo.

Brook Manewal, uma advogada de 43 anos e mãe de quatro filhos, sentiu algo diferente: choque. Não pelo medo que Trump tentava despertar, mas pela forma como ele as via. "Ele nos apresenta como se tivéssemos medo de perder nossos muros brancos, nossas casinhas perfeitas e jardins perfeitos", disse ela à AFP, "e não acho que isso retrate em nada as pessoas que eu encontro por aqui." Naquela mesma noite, Manewal enviou uma mensagem de texto para sua vizinha e amiga Shira Tarantino, uma executiva de 49 anos em uma organização sem fins lucrativos. A ideia era simples: criar uma organização para convencer as mulheres dos subúrbios a votarem em Biden, não em Trump.

O que começou como um pequeno grupo no Facebook em agosto cresceu com velocidade surpreendente. Boca a boca, redes sociais, o impulso de mulheres que se viam mal representadas — tudo isso transformou S.W.A.T. (Mulheres dos Subúrbios Contra Trump, na sigla em inglês) em um movimento com 9 mil membros espalhados por 35 estados. Todos os dias, essas mulheres ligavam para potenciais eleitores. Enviavam cartas pelo correio lembrando sobre registro e voto. Arrecadavam fundos para a campanha de Biden. Publicavam informações online. Planejavam marchas. Preparavam 10 mil cópias de uma carta para a Casa Branca que dizia, em letras maiúsculas: "Você NÃO nos conhece, você NÃO fala por nós e você NÃO representa o tipo de líder que respeitamos".

O que tornava tudo isso significativo era a história que precedeu esse momento. Em 2016, mulheres brancas dos subúrbios haviam sido cruciais para a vitória de Trump. Segundo o Pew Research Center, 47% delas votaram nele contra 45% em Hillary Clinton. Entre mulheres brancas com educação universitária, a margem foi ainda mais ampla: 61% para Trump, apenas 34% para Clinton. Esses votos foram decisivos em Michigan, Wisconsin e Pensilvânia — estados onde Trump venceu por menos de 44 mil votos no total, uma margem inferior a 1%.

Mas algo havia mudado. Uma pesquisa do Washington Post e da rede ABC News realizada em agosto de 2020 mostrava que Biden havia aberto uma vantagem de 13 pontos entre as mulheres dos subúrbios. Trump, que havia tuitado com confiança "A mulher dos subúrbios votará em mim" no dia 3 de novembro, soava menos seguro uma semana depois. Em um comício na Pensilvânia, ele pediu: "Mulheres do subúrbio, posso lhes agradar, por favor? Salvei seu maldito bairro, ok?". O tom havia mudado de promessa para súplica.

As mulheres do S.W.A.T. não estavam interessadas em ser agradadas. Katie Paris, uma das fundadoras, resumiu a frustração: "Ele não tem ideia de como são nossas vidas. Não somos 'donas de casa', e estes não são os anos 1950". Tarantino, por sua vez, era clara sobre o objetivo real do grupo. Não se tratava necessariamente de converter republicanas — algumas simpatizantes republicanas já haviam se juntado ao movimento, mas esse não era o foco. "Acredito que o que estamos fazendo aqui é estimular as pessoas que normalmente não votam a saírem e ir votar", disse ela. O grupo havia organizado uma marcha para o sábado em Stamford, com cartazes que diziam "Não retrocederemos" e "Se afaste do meu corpo", uma referência à possibilidade de a Suprema Corte revisar a lei que permite o aborto — uma questão que Trump havia colocado em jogo.

O que estava acontecendo nos subúrbios de Nova York e em outros lugares do país era uma rejeição não apenas de um candidato, mas de uma narrativa. Trump havia construído sua estratégia sobre a ideia de que as mulheres dos subúrbios eram uma coisa — assustadas, conservadoras, preocupadas com a segurança de seus bairros. O S.W.A.T. estava dizendo que essa imagem era racista, antiquada e simplesmente falsa. Elas eram advogadas, executivas, mães, mulheres com educação e ambições que não cabiam no molde que Trump havia criado para elas. E com menos de três semanas para a eleição, estavam determinadas a fazer com que suas vozes fossem ouvidas.

Fiquei em choque com como ele tentava pintar este quadro das mulheres do subúrbio e o quão racista era
— Brook Manewal, cofundadora do S.W.A.T.
Você NÃO nos conhece, você NÃO fala por nós e você NÃO representa o tipo de líder que respeitamos
— Carta do S.W.A.T. para a Casa Branca
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Trump acreditava que as mulheres dos subúrbios votariam nele novamente em 2020?

Model

Porque em 2016 elas foram decisivas para sua vitória. Mulheres brancas dos subúrbios votaram nele em números significativos — 47% contra 45% em Clinton — e em estados como Pensilvânia e Michigan, onde as margens foram mínimas, esses votos importaram muito.

Inventor

Mas algo mudou entre 2016 e 2020. O quê?

Model

A forma como Trump falava sobre elas. Ele as retratava como tendo medo de moradias sociais, preocupadas em proteger seus muros brancos e seus jardins perfeitos. As mulheres do S.W.A.T. sentiram que essa imagem era não apenas condescendente, mas racista — como se elas fossem motivadas por preconceito.

Inventor

Então o grupo nasceu como uma reação a essa narrativa específica?

Model

Exatamente. Brook Manewal ficou em choque com como Trump tentava pintá-las. Ela e Shira Tarantino decidiram criar uma organização para mostrar que as mulheres dos subúrbios eram mais complexas do que Trump imaginava.

Inventor

E funcionou? Cresceu rápido?

Model

Muito rápido. Começou como um pequeno grupo no Facebook em agosto e chegou a 9 mil membros em 35 estados. Mulheres ligando para eleitores, enviando cartas, arrecadando fundos, organizando marchas.

Inventor

O objetivo era converter republicanas?

Model

Não, na verdade. Tarantino foi clara sobre isso. O objetivo era mobilizar as pessoas que normalmente não votam, fazer com que saíssem e votassem. Algumas republicanas se juntaram, mas esse não era o foco principal.

Inventor

E as pesquisas? Trump estava realmente perdendo apoio entre esse eleitorado?

Model

Sim. Uma pesquisa do Washington Post e ABC News de agosto mostrava Biden com 13 pontos de vantagem entre as mulheres dos subúrbios. Trump passou de confiante — tuitando que elas votariam nele — para pedindo desculpas em comícios, dizendo que havia salvado seus bairros.

Quieres la nota completa? Lee el original en UOL Notícias ↗
Contáctanos FAQ