A ACWY amplia proteção para quatro sorogrupos, enquanto a C protege apenas um
Enquanto o Ministério da Saúde anuncia para o Brasil inteiro a substituição da vacina meningocócica C pela ACWY no reforço infantil, Belo Horizonte já vive essa realidade desde 2024 — uma antecipação silenciosa que revela tanto a autonomia possível das gestões municipais quanto a urgência de uma doença que, só na capital mineira, já ceifou 14 vidas em 2025. A mudança, que amplia a proteção contra quatro sorogrupos da bactéria em vez de apenas um, chega ao calendário nacional como resposta a um cenário epidemiológico que não espera por burocracia.
- O Brasil registrou mais de 4,4 mil casos de meningite em 2025, com 61 mortes por meningococos — números que pressionaram o Ministério da Saúde a agir.
- Belo Horizonte concentra 30% dos casos de Minas Gerais, com 108 notificações e 14 mortes na capital, tornando a cidade um epicentro estadual da doença.
- A vacina ACWY protege contra quatro sorogrupos da bactéria — A, C, W e Y — enquanto a antiga meningocócica C cobria apenas um, representando um salto significativo na prevenção.
- A capital mineira antecipou a mudança nacional ao adotar o esquema completo com ACWY em seus 153 centros de saúde desde 2024, sem qualquer ruptura na rotina.
- Para famílias com crianças que já tomaram três doses da meningocócica C, o Ministério esclarece que a transição para a ACWY pode ocorrer de forma gradual, até os 5 anos de idade.
Na última sexta-feira, o Ministério da Saúde anunciou que crianças passarão a receber a vacina meningocócica ACWY como reforço aos 12 meses, substituindo a meningocócica C. A decisão busca ampliar a proteção contra diferentes variantes da doença. Em Belo Horizonte, porém, a notícia não muda nada: a capital já adota esse esquema desde 2024.
Nos 153 centros de saúde da cidade, a ACWY é aplicada nas doses dos 3 e 5 meses e também no reforço aos 12 meses. A Prefeitura confirmou que a prática já é rotineira em toda a rede municipal, antecipando em meses a orientação federal. A diferença entre as vacinas é relevante: enquanto a meningocócica C protege contra apenas um sorogrupo da bactéria Neisseria meningitidis, a ACWY cobre mais três — A, W e Y —, incluindo proteção contra a meningococcemia, infecção generalizada no sangue com alto risco de morte.
Os números justificam a urgência da mudança. Belo Horizonte concentra 30% dos casos de meningite em Minas Gerais: 108 dos 359 notificados no estado em 2025, com 14 mortes registradas na capital. No país, foram mais de 4,4 mil casos no ano, incluindo 361 de doença meningocócica e 61 óbitos causados por meningococos.
Para crianças que já completaram três doses da meningocócica C, o Ministério esclareceu que a transição para a ACWY não precisa ser imediata, podendo ocorrer até os 5 anos. O SUS também oferece vacinas contra outros agentes causadores de meningite, como o pneumococo e o Haemophilus influenzae tipo b — reforçando uma rede de proteção que, em Belo Horizonte, já opera em ritmo adiantado.
Na última sexta-feira, o Ministério da Saúde anunciou uma mudança no calendário de vacinação infantil contra a meningite em todo o Brasil. A partir de agora, crianças receberão a vacina meningocócica ACWY como dose de reforço aos 12 meses de idade, substituindo a meningocócica C que era aplicada anteriormente. A decisão busca ampliar a proteção das crianças contra diferentes variantes da doença. Mas em Belo Horizonte, essa mudança não altera absolutamente nada na rotina das unidades de saúde.
Isso porque a capital mineira já adotou, desde 2024, o esquema completo com a vacina ACWY em todas as etapas da imunização infantil. Nos 153 centros de saúde espalhados pela cidade, as crianças recebem a ACWY nas duas primeiras doses — aos 3 e 5 meses de idade — e também no reforço aos 12 meses. A Prefeitura de Belo Horizonte confirmou que essa prática já é rotineira em toda a rede municipal, antecipando em meses a orientação que agora chega em nível nacional.
A diferença entre as duas vacinas é significativa. Enquanto a meningocócica C protege apenas contra um sorogrupo da bactéria Neisseria meningitidis, o sorotipo C, a ACWY amplia essa cobertura para mais três: A, W e Y. Além de prevenir casos graves de meningite bacteriana, o imunizante também protege contra a meningococcemia, uma infecção generalizada no sangue com alto risco de morte. Para adolescentes entre 11 e 14 anos, a aplicação da ACWY continua como parte do esquema previsto pelo Programa Nacional de Imunizações.
Em Belo Horizonte, a cobertura vacinal da meningocócica C está em 91% para crianças de um ano de idade. Mas os números revelam por que essa mudança é urgente: a capital concentra 30% do total de casos de meningite registrados em Minas Gerais neste ano. Até o momento, foram notificados 359 casos em todo o estado, dos quais 108 ocorreram em Belo Horizonte. A cidade também já contabiliza 14 mortes causadas pela meningite em 2025.
Os dados nacionais pintam um quadro ainda mais preocupante. O Brasil registrou mais de 4,4 mil casos de meningite em 2025. Desses, 1.731 foram causados por bactérias — incluindo 361 casos de doença meningocócica. As meningites virais vêm logo atrás, com 1.584 registros. Até agora, foram contabilizadas 61 mortes provocadas por meningococos no país. A substituição da dose de reforço foi anunciada como parte de uma estratégia nacional para intensificar o combate à doença, seguindo as diretrizes da Organização Mundial da Saúde.
Para as crianças que já receberam três doses da meningocócica C, o Ministério da Saúde esclareceu que não será necessário tomar a ACWY imediatamente. No entanto, aqueles que tomaram a dose de reforço aos 12 meses poderão completar o esquema com a nova vacina até os 5 anos de idade. Além da meningocócica, o Sistema Único de Saúde também oferece vacinas contra outros agentes infecciosos que podem causar meningite, como o pneumococo e o Haemophilus influenzae tipo b.
A meningite é uma inflamação das meninges, as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Pode ser provocada por diversos agentes infecciosos — bactérias, vírus, fungos e até parasitas. A transmissão ocorre, em geral, por meio de gotículas e secreções eliminadas pelo nariz e pela garganta de pessoas infectadas. Os principais sintomas incluem febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e confusão mental. Nos casos mais graves, pode levar à morte em poucas horas ou deixar sequelas permanentes, como surdez e problemas neurológicos.
Citações Notáveis
O esquema completo com a vacina ACWY já é prática rotineira nas unidades de saúde do município desde 2024— Prefeitura de Belo Horizonte
A medida segue as diretrizes do roteiro global da Organização Mundial da Saúde, que recomenda a ampliação da proteção vacinal contra sorogrupos mais agressivos da meningite— Ministério da Saúde
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que Belo Horizonte já estava usando a ACWY se o resto do país ainda usava a meningocócica C?
A capital tomou essa decisão antecipadamente porque viu a necessidade. Com 30% dos casos de meningite de Minas concentrados aqui, a prefeitura decidiu ampliar a proteção oferecida às crianças sem esperar pela orientação federal.
Então essa mudança nacional é realmente uma novidade, ou apenas uma formalização do que alguns lugares já faziam?
É um pouco dos dois. Belo Horizonte e talvez outras cidades já tinham avançado, mas agora o Ministério da Saúde está padronizando isso em todo o Brasil. Isso garante que crianças em qualquer lugar do país recebam a mesma proteção ampliada.
A ACWY é significativamente melhor que a C, ou é apenas uma melhoria marginal?
É uma melhoria real. A C protege contra um sorogrupo; a ACWY protege contra quatro. Além disso, protege contra a meningococcemia, que é uma infecção no sangue com altíssimo risco de morte. Não é marginal.
Com 14 mortes em Belo Horizonte este ano, a vacinação está falhando?
Não é que a vacinação falhe. É que a doença ainda circula, e nem todas as crianças estão vacinadas — a cobertura está em 91%, não em 100%. Além disso, existem sorogrupos que a vacina C não cobria. A ACWY reduz essas lacunas.
O que acontece com as crianças que já tomaram a meningocócica C?
Elas não precisam tomar a ACWY imediatamente. Mas se tomaram o reforço aos 12 meses, podem completar o esquema com a nova vacina até os 5 anos. É uma transição gradual, não uma revaccinação em massa.
Isso significa que Belo Horizonte estava à frente do governo federal?
Sim. A capital antecipou uma decisão que o Ministério da Saúde acaba de formalizar. É um exemplo de como decisões locais podem antecipar mudanças que depois se tornam política nacional.