Mortes por influenza caem 67% no RS; subtipo viral e sazonalidade explicam redução

168 mortes por influenza no RS em 2026, com 140 óbitos em pessoas acima de 60 anos; 4 mortes por VSR, principalmente em crianças menores de 5 anos.
85% dos mortos não haviam se vacinado contra a gripe
Dado que revela o padrão consistente de vulnerabilidade entre os não imunizados no Rio Grande do Sul.

No Rio Grande do Sul, a morte por influenza recuou de forma expressiva em 2026 — não por acaso, mas por uma combinação de biologia viral e sazonalidade alterada que redesenhou o ritmo da doença. O subtipo H3N2, predominante este ano, distribui seu peso ao longo de mais semanas, evitando os picos devastadores que o H1N1 impôs em 2025. Ainda assim, a proteção permanece desigual: a maioria dos que morreram não havia se vacinado, e uma nova ameaça — o vírus sincicial respiratório — começa a ganhar força entre as crianças.

  • A queda de 67% nas mortes por influenza no RS é real, mas frágil — a circulação viral ainda é alta e os hospitais seguem sob pressão.
  • Oito em cada dez mortos não haviam tomado a vacina, revelando que a proteção existe, mas não chegou a quem mais precisava.
  • O vírus sincicial respiratório emerge silenciosamente: já causou 824 hospitalizações, 203 internações em UTI e quatro mortes, quase todas em crianças de até quatro anos.
  • A cobertura vacinal contra a influenza está em apenas 50,76% no estado, e entre crianças pequenas cai para menos de 42% — janela aberta para o VSR avançar nas próximas semanas.

O Rio Grande do Sul registrou 168 mortes por influenza em 2026 — uma queda abrupta frente aos 511 óbitos do mesmo período em 2025. Os casos confirmados também recuaram, de 2.734 para 1.845. O perfil das vítimas, porém, permanece perturbador: 85% dos mortos não estavam vacinados, e entre os hospitalizados essa proporção chega a 94%. Idosos concentram o peso da tragédia — 140 das 168 mortes ocorreram em pessoas acima de 60 anos.

Dois fatores explicam a melhora. O primeiro é o subtipo viral: o H3N2, dominante em 2026, distribui os casos ao longo de mais semanas epidemiológicas, sem gerar os picos concentrados que o H1N1 provocou no ano anterior. Na semana epidemiológica 24 de 2025, morreram 74 pessoas e houve 312 hospitalizações; na mesma semana de 2026, foram quatro mortes e 68 internações. O segundo fator é a sazonalidade antecipada — a influenza começou a circular cerca de um mês e meio antes em 2026, e já dava sinais de recuo em meados de maio, movimento que não ocorreu no ano passado.

A cautela, no entanto, persiste. A cobertura vacinal no estado está em apenas 50,76%, e entre crianças de seis meses a menores de seis anos cai para 41,46%. Enquanto a influenza segue seu curso menos agressivo, o vírus sincicial respiratório começa a preocupar as autoridades: em circulação intensa há apenas um mês, o VSR já causou 824 hospitalizações e quatro mortes — quase todas em crianças de até quatro anos. A vacina existe e é gratuita pelo SUS para grupos prioritários, mas garantir que essa proteção chegue a quem mais precisa segue sendo o desafio central das próximas semanas.

O Rio Grande do Sul viu o número de mortes por influenza despencar nos primeiros meses de 2026. Até agora, 168 pessoas morreram pela doença — uma queda abrupta comparada aos 511 óbitos registrados no mesmo período do ano anterior. Os números vêm do painel de monitoramento da Secretaria Estadual da Saúde, e revelam um padrão que se repete também nos casos confirmados: 1.845 em 2026 contra 2.734 em 2025.

O perfil das vítimas permanece consistente e preocupante. Cerca de 85% dos que morreram não haviam se vacinado contra a gripe. Entre os hospitalizados, a proporção é ainda mais dramática: quase 94% não tinham recebido a imunização. Os idosos concentram a maior parte da tragédia — 140 das 168 mortes ocorreram em pessoas com mais de 60 anos.

A explicação para essa redução significativa passa por dois fatores biológicos e epidemiológicos distintos. O primeiro diz respeito ao subtipo do vírus influenza A que circula no estado. Em 2025, o H1N1 era predominante e causava picos acentuados de internação. Este ano, o H3N2 tomou conta — e embora ambos os subtipos possam ser igualmente graves, o H3N2 gera menos hospitalizações e, consequentemente, menos mortes. Renata Petzhold Mondini, analista em saúde do Centro Estadual de Vigilância em Saúde, explica que quando o H1N1 circula, há um pico mais concentrado de casos. Com o H3N2, os casos se distribuem ao longo de mais semanas epidemiológicas, sem atingir aquele ponto crítico de sobrecarga.

Os números ilustram essa diferença com clareza. Na semana epidemiológica 24 de 2025 — entre 8 e 14 de junho — morreram 74 pessoas e houve 312 hospitalizações. Na mesma semana de 2026, foram apenas quatro mortes e 68 internações. O segundo fator é a mudança na sazonalidade do vírus. A influenza começou a circular com intensidade cerca de um mês e meio antes em 2026 do que em 2025. Casos já apareciam no início de março, e a partir de meados de maio começaram a diminuir — movimento que não ocorreu no ano anterior, quando os números continuaram subindo. Não há explicação definitiva para essas mudanças sazonais; vários fatores podem interferir em qual período do ano um vírus ganha força.

Apesar da queda, a Secretaria Estadual da Saúde mantém a cautela. O nível de circulação da influenza continua alto e ainda pode sobrecarregar os hospitais. A vacina trivalente disponibilizada gratuitamente protege contra os dois subtipos de influenza A e um subtipo de influenza B, mas a cobertura vacinal no estado está em apenas 50,76%. O cenário é particularmente frágil entre crianças de seis meses a menores de seis anos: apenas 41,46% foram vacinadas este ano.

Mas a atenção das autoridades de saúde já se volta para outra ameaça. O vírus sincicial respiratório, que afeta principalmente crianças e causa bronquiolite, começou a circular com mais intensidade apenas há um mês — o que sugere potencial para crescimento nas próximas semanas. Desde o início do ano, o VSR já causou 824 hospitalizações, levou 203 pessoas à UTI e matou quatro. Dessas internações, 92% foram de crianças entre zero e quatro anos. A vacina contra o VSR é oferecida gratuitamente pelo SUS para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, bebês prematuros e crianças menores de dois anos com comorbidades específicas. O desafio agora é garantir que essa proteção chegue a quem mais precisa, enquanto a influenza segue seu curso menos agressivo — por enquanto.

Nos anos em que circula o subtipo H1N1 predominantemente, a gente tem mais casos de internação. Neste ano, com a circulação da H3N2, existe uma distribuição ao longo de mais semanas epidemiológicas, mas não chega a existir um pico.
— Renata Petzhold Mondini, analista em saúde do Centro Estadual de Vigilância em Saúde
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que exatamente o H3N2 causa menos mortes que o H1N1, se ambos podem ser igualmente graves?

Model

A gravidade potencial é a mesma, mas o H3N2 não gera aquele pico concentrado de internações. Com o H1N1, você tem muita gente doente ao mesmo tempo, o que sobrecarrega os hospitais e piora os desfechos. O H3N2 se espalha ao longo de mais semanas, então o sistema consegue respirar.

Inventor

E a vacinação? Se 85% dos mortos não eram vacinados, por que a cobertura é tão baixa?

Model

A vacina está disponível gratuitamente, mas chegar até as pessoas é outra história. Em crianças pequenas, apenas 41% foram vacinadas. Há barreiras de acesso, de informação, talvez até hesitação. E os idosos, que são os mais vulneráveis, precisam ser alcançados de forma mais ativa.

Inventor

A sazonalidade começou mais cedo este ano. Isso é bom ou ruim?

Model

É ambíguo. Começou mais cedo, mas também terminou mais cedo. Significa que em maio já estávamos na fase descendente, enquanto em 2025 ainda estávamos subindo. Menos tempo de circulação intensa é melhor para o sistema de saúde, mas ninguém sabe exatamente por que isso aconteceu.

Inventor

E o VSR? Por que as autoridades estão preocupadas agora?

Model

Porque começou a circular intensamente há apenas um mês. Ainda estamos no começo da curva. Se continuar crescendo nas próximas semanas como esperado, pode sobrecarregar os hospitais pediátricos. E a cobertura vacinal é limitada — só protege gestantes, prematuros e crianças com comorbidades.

Inventor

Então a lição é que a vacinação funciona, mas só se as pessoas forem vacinadas.

Model

Exatamente. Os números falam por si: 85% dos mortos não eram vacinados. A vacina está lá, gratuita. O desafio agora é convencer quem ainda não se vacinou a fazer isso, especialmente as crianças pequenas.

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