Moraes autoriza PF a ouvir senador Do Val sobre tentativa de golpe

tentou coagi-lo para que se aliasse a uma tentativa de golpe
A acusação central que levou o senador Marcos do Val a renunciar e cooperar com a investigação.

Em fevereiro de 2023, o ministro Alexandre de Moraes abriu caminho para que a Polícia Federal ouvisse o senador Marcos do Val, figura que emergiu como testemunha central nas investigações sobre os atos de 8 de janeiro em Brasília. Do Val afirma ter sido pressionado pelo ex-presidente Bolsonaro a integrar uma articulação golpista — acusação que, se confirmada, pode enquadrar os envolvidos nos crimes mais graves contra a ordem democrática. O episódio revela como a ruptura institucional tentada naquele dia continua a desdobrar seus fios pelo tecido da República.

  • O senador Marcos do Val anunciou publicamente que foi coagido por Bolsonaro a participar de uma tentativa de golpe, transformando-se de aliado em acusador.
  • A divulgação das acusações nas redes sociais criou pressão imediata sobre o inquérito, forçando a Polícia Federal a solicitar autorização para ouvi-lo formalmente.
  • A investigação avança em três frentes simultâneas — instigadores, executores e financiadores —, refletindo a escala e a complexidade dos eventos na Praça dos Três Poderes.
  • Figuras como o governador afastado Ibaneis Rocha e o ex-ministro Anderson Torres já estão na mira, enquanto Bolsonaro é investigado mesmo estando nos Estados Unidos.
  • Moraes sinalizou que a intenção golpista pode ser tipificada como crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, elevando o peso jurídico do caso.

No início de fevereiro de 2023, o ministro Alexandre de Moraes autorizou a Polícia Federal a ouvir o senador Marcos do Val, do Podemos do Espírito Santo, no âmbito das investigações sobre os atos extremistas de 8 de janeiro em Brasília. Do Val havia anunciado publicamente sua intenção de renunciar ao mandato e feito acusações graves contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando ter sido pressionado a participar de uma tentativa de golpe de Estado.

O delegado responsável pelo inquérito solicitou a autorização argumentando que o senador havia divulgado informações potencialmente relevantes em suas redes sociais. Ao deferir o pedido, Moraes também sinalizou que a intenção golpista poderia ser enquadrada tanto como crime de golpe de Estado quanto como abolição violenta do Estado Democrático de Direito — tipificações de extrema gravidade no ordenamento jurídico brasileiro.

A investigação integra um inquérito mais amplo que apura o papel de diversas autoridades nos protestos que destruíram as sedes dos Três Poderes. Entre os investigados estão o governador afastado do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, preso preventivamente. A apuração foi dividida em três núcleos distintos — instigadores, executores e financiadores —, dada a dimensão do número de envolvidos.

Bolsonaro, que permanecia nos Estados Unidos desde o fim de seu mandato, também figurava entre os investigados sob suspeita de ter incitado os grupos radicais. O depoimento de Do Val era aguardado como um possível ponto de inflexão: sua disposição em fazer acusações públicas e cogitar a renúncia sinalizava que o senador considerava suas informações suficientemente sérias para enfrentar as consequências políticas e jurídicas do que estava prestes a revelar.

No início de fevereiro, o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal autorizou a Polícia Federal a ouvir o senador Marcos do Val em conexão com a investigação dos eventos de 8 de janeiro em Brasília. O senador, filiado ao Podemos pelo Espírito Santo, havia anunciado publicamente sua intenção de renunciar ao mandato e feito acusações graves contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que havia sido alvo de coação para participar de uma tentativa de golpe de Estado.

O delegado Raphael Soares Astini solicitou a autorização para interrogar Do Val, argumentando que o senador havia divulgado recentemente em suas redes sociais informações potencialmente relevantes para o inquérito. A decisão de Moraes, proferida em despacho na quinta-feira, 2 de fevereiro, reconheceu que as circunstâncias envolvendo o senador precisavam ser esclarecidas. O ministro também sinalizou sua interpretação de que a intenção golpista poderia ser enquadrada tanto como crime de golpe de Estado quanto como crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

A investigação que levou à autorização para ouvir Do Val faz parte de um inquérito mais amplo focado no papel de autoridades nos protestos extremistas ocorridos na Praça dos Três Poderes. Entre os investigados estão o governador afastado do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que se encontrava preso preventivamente. A Polícia Federal estruturou sua apuração em três linhas de investigação distintas, divididas em núcleos separados devido ao grande número de pessoas envolvidas.

Cada uma dessas frentes de investigação persegue um aspecto diferente dos eventos: uma busca identificar os instigadores e autores intelectuais dos atos golpistas, outra concentra-se nos executores diretos, e a terceira investiga os financiadores. Bolsonaro, que se encontrava nos Estados Unidos desde o final do ano anterior, também era objeto de investigação sob a suspeita de ter incitado os grupos radicais que participaram dos protestos.

O depoimento de Do Val representava um ponto de inflexão potencial na investigação, uma vez que o senador havia se posicionado publicamente como alguém com conhecimento direto das alegadas tentativas de coação. Sua disposição em renunciar ao mandato e fazer acusações públicas sinalizava a seriedade com que levava suas alegações. A autorização de Moraes para sua oitiva indicava que a corte considerava suas informações suficientemente substanciais para justificar uma investigação formal.

Bolsonaro tentou coagi-lo para que se aliasse a uma tentativa de golpe de Estado
— Acusação do senador Marcos do Val
A intenção golpista pode ser enquadrada como crime de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
— Ministro Alexandre de Moraes, em despacho
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que um senador em exercício renunciaria ao mandato para fazer acusações desse tipo?

Model

Porque o que ele estava dizendo era incompatível com permanecer no cargo. Não é um gesto que se faz levianamente — significa que ele acreditava que sua integridade pessoal estava em jogo.

Inventor

E por que Moraes precisava autorizar especificamente a PF a ouvi-lo? Ele não poderia simplesmente ser convocado?

Model

A questão é mais sutil. Do Val é senador, tem imunidade parlamentar. A autorização de Moraes cria um marco legal claro para que a PF possa proceder sem questões procedimentais posteriores.

Inventor

Qual era o interesse de Bolsonaro em coagir especificamente um senador?

Model

Um senador é uma figura de peso político. Se conseguisse alinhar um senador à tentativa de golpe, teria legitimidade institucional — a aparência de que havia apoio dentro do próprio Congresso.

Inventor

A investigação estava apenas começando nesse momento?

Model

Não. Já havia três frentes de investigação em andamento, com dezenas de pessoas sendo apuradas. Do Val era uma peça que ainda faltava encaixar no quebra-cabeça.

Inventor

E Bolsonaro estava onde durante tudo isso?

Model

Nos Estados Unidos. Longe do alcance imediato das autoridades brasileiras, o que complicava qualquer ação mais direta contra ele.

Fale Conosco FAQ