Moraes autoriza novos depoimentos em inquérito sobre interferência de Bolsonaro na PF

Não vou esperar minha família toda de sacanagem porque não posso trocar alguém
Bolsonaro em reunião ministerial de 2020, interpretado por Moro como pressão sobre a Polícia Federal.

Em um dos capítulos mais delicados da relação entre o Executivo e as instituições brasileiras, o ministro Alexandre de Moraes autorizou a Polícia Federal a retomar a coleta de depoimentos no inquérito que investiga se o presidente Bolsonaro tentou interferir na autonomia da corporação para proteger aliados. A decisão, proferida nesta segunda-feira, dispensa formalidades adicionais e permite que investigadores avancem sem aguardar a participação da PGR ou da defesa de Sergio Moro. Num momento em que o próprio depoimento do presidente ainda aguarda definição no Supremo, a investigação recupera seu ritmo — lembrando que nenhuma instituição existe acima da pergunta sobre sua própria independência.

  • Um inquérito que havia ficado paralisado por meses volta a ganhar força com a autorização direta do STF para novos depoimentos.
  • A dispensa de notificação à PGR e à defesa de Moro agiliza o processo e reduz as possibilidades de obstrução procedimental.
  • As evidências centrais — mensagens trocadas entre Bolsonaro e Moro e declarações explosivas na reunião ministerial de abril de 2020 — continuam no coração da investigação.
  • O depoimento do próprio presidente, ainda indefinido quanto ao formato, está marcado para setembro e pode determinar o rumo do caso.
  • Com a intimação de novas testemunhas se aproximando, a pressão sobre o governo tende a se intensificar nos próximos meses.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou nesta segunda-feira a Polícia Federal a ouvir novas testemunhas no inquérito que investiga se o presidente Bolsonaro tentou interferir na autonomia da corporação para proteger aliados e familiares de investigações.

O pedido havia chegado ao STF na sexta-feira anterior, assinado pelo delegado responsável pelo caso. Os investigadores queriam saber se precisariam notificar a Procuradoria-Geral da República e os advogados de Sergio Moro antes de realizar novos depoimentos. Moraes respondeu que não havia essa necessidade — a PF poderia prosseguir sem formalidades adicionais.

A decisão representa um ponto de inflexão. O inquérito estava suspenso enquanto o Supremo definia o formato do depoimento do próprio Bolsonaro — se por escrito ou presencialmente —, julgamento previsto para setembro. Com a nova autorização, a investigação retoma seu curso.

O caso se apoia em dois pilares principais: mensagens trocadas entre Bolsonaro e Moro em um aplicativo, e declarações feitas pelo presidente na reunião ministerial de 22 de abril de 2020. Naquela ocasião, Bolsonaro afirmou que tentara trocar pessoas da segurança no Rio de Janeiro sem conseguir pelos meios oficiais, e que não esperaria sua família ser prejudicada por isso — chegando a mencionar a possibilidade de trocar o ministro caso não pudesse agir de outra forma. Segundo Moro, a referência a 'segurança' era uma alusão direta à Polícia Federal no estado.

Com a retomada dos depoimentos e o julgamento sobre o formato da oitiva presidencial se aproximando, a investigação entra em uma fase de maior intensidade — colocando em xeque a fronteira entre influência política e independência institucional.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, abriu caminho nesta segunda-feira para que a Polícia Federal avance em um dos inquéritos mais sensíveis do governo Bolsonaro. A autorização permite que investigadores ouçam novas testemunhas em um processo que examina se o presidente tentou interferir na autonomia da corporação para proteger aliados e familiares de investigações.

O pedido chegou ao STF na sexta-feira anterior, assinado pelo delegado Felipe Alcântara Leal. Os investigadores queriam saber se precisariam notificar a Procuradoria-Geral da República e os advogados do ex-juiz Sergio Moro para que participassem dos novos depoimentos. Moraes respondeu que não havia essa necessidade. A PF poderia prosseguir com as oitivas sem formalidades adicionais, sem precisar intimar a PGR ou a defesa de Moro para fazer perguntas. O documento que a corporação havia enviado não especificava quem seriam essas testemunhas.

Esta decisão marca um ponto de inflexão em uma investigação que havia ficado paralisada. Meses antes, Moraes havia ordenado que a PF retomasse o trabalho, já que o inquérito estava suspenso enquanto o Supremo definia como seria o depoimento do próprio Bolsonaro — se por escrito ou presencialmente. Esse julgamento está marcado para setembro. Agora, com a autorização para novos depoimentos, a corporação deve começar a intimar as testemunhas.

O caso repousa sobre dois pilares de evidência que Moro tem destacado publicamente. O primeiro são mensagens trocadas entre ele e Bolsonaro em um aplicativo de mensagens. O segundo é a reunião ministerial de 22 de abril de 2020, quando Bolsonaro fez declarações que investigadores interpretam como tentativa de pressão sobre a instituição. Naquela ocasião, o presidente disse que havia tentado trocar pessoas da segurança no Rio de Janeiro e que não conseguira oficialmente. Ele afirmou que não esperaria sua família ser prejudicada por não poder fazer essas mudanças, e que se não pudesse trocar alguém, trocaria o chefe dele, e se não pudesse trocar o chefe, trocaria o ministro. Segundo Moro, quando Bolsonaro mencionou "segurança", estava se referindo à Polícia Federal no estado.

O inquérito representa um dos temas mais delicados para o governo. A investigação busca determinar se houve pressão presidencial para comprometer a independência de uma instituição que deveria estar acima de influências políticas. Com a nova autorização de Moraes, o processo ganha momentum novamente, e a coleta de depoimentos deve se intensificar nos próximos meses, enquanto o Supremo se prepara para decidir como o próprio presidente será ouvido.

Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro e oficialmente não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar minha família toda de sacanagem.
— Jair Bolsonaro, em reunião ministerial de 2020
Autorizo o Delegado de Polícia Federal a proceder às oitivas de eventuais testemunhas sem a necessidade de intimação nos termos antes determinados, inclusive dos advogados dos investigados.
— Alexandre de Moraes, em decisão sobre o inquérito
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que essa autorização de Moraes é importante agora, se o inquérito já estava em andamento?

Model

O inquérito estava travado. Estava esperando o STF decidir como Bolsonaro seria ouvido. Enquanto isso, a PF não podia avançar com outras testemunhas. Agora pode.

Inventor

E por que Moraes disse que a PGR e a defesa de Moro não precisam ser notificadas?

Model

Porque a PF argumentou que notificar todos os interessados atrasava tudo. Moraes concordou que a corporação pode proceder sem essas formalidades. É mais rápido.

Inventor

Mas isso não prejudica a defesa de Moro?

Model

Moro pode questionar depois o que foi dito. A decisão de Moraes é que ele não precisa estar presente em cada depoimento para fazer perguntas. É uma escolha processual.

Inventor

O que essas mensagens entre Bolsonaro e Moro mostram?

Model

A fonte não detalha o conteúdo delas. Mas Moro as apresenta como prova de que houve pressão. As mensagens, junto com o que Bolsonaro disse na reunião ministerial, formam o caso.

Inventor

E aquela fala sobre "trocar gente da segurança"?

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Bolsonaro estava falando sobre o Rio de Janeiro especificamente. Moro interpreta isso como referência à Polícia Federal local. O presidente estava dizendo que precisava fazer essas mudanças e que as faria, de um jeito ou de outro.

Inventor

Quando o STF vai decidir sobre o depoimento de Bolsonaro?

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Em setembro. Enquanto isso, a PF segue coletando depoimentos de outras pessoas. Quando chegar a vez do presidente, o Supremo já terá definido se será presencial ou por escrito.

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