Parecia feito digitando um comando no ChatGPT
Críticos chamaram o filme de 'sem graça', 'entediante' e 'lamentável', com alguns afirmando que parecia feito por inteligência artificial. Dwayne Johnson repete sua performance de voz original, enquanto o uso intenso de CGI faz o filme parecer mais animação do que live-action.
- 42% no Metacritic, 33% no Rotten Tomatoes
- Dwayne Johnson repete sua performance de voz original de dez anos atrás
- Catherine Laga'aia, 19 anos, faz sua estreia no cinema como Moana
- Disney perdeu US$ 170 milhões com Branca de Neve em 2025, mas recuperou com Lilo & Stitch arrecadando US$ 1 bilhão
O remake live-action de Moana recebeu críticas devastadoras de especialistas, que o descreveram como desnecessário e sem vida, com pontuações de 42% no Metacritic e 33% no Rotten Tomatoes.
Dez anos depois que Moana conquistou as telas como animação, a Disney trouxe a história de volta em forma de filme com atores reais. Dwayne Johnson retorna para emprestar sua voz ao semideus Maui, enquanto a atriz australiana-samoana Catherine Laga'aia, de 19 anos, assume o papel da jovem Moana em sua estreia no cinema. O filme chegou aos cinemas brasileiros na quinta-feira, 9 de julho, carregando expectativas de uma grande produção — e saiu deles carregando críticas devastadoras.
Os números falam por si. No Metacritic, o filme conquistou apenas 42% de aprovação entre 35 críticos. No Rotten Tomatoes, a situação era ainda pior: 33% com base em 115 avaliações. O consenso resumido no último site é direto: trata-se de uma empreitada "bastante sem vida" que apenas reafirma a superioridade da animação original. Palavras como "sem graça", "entediante", "desnecessário" e "lamentável" ecoaram nas resenhas.
Entre os críticos mais severos estava Peter Bradshaw, do The Guardian, que descreveu a produção como competente mas desprovida de qualquer entusiasmo real. Bradshaw observou que Johnson atuava "no piloto automático, como um software", e criticou duramente o uso de computação gráfica — tão predominante que o filme parecia mais animação do que live-action. Ele concluiu que a obra era simplesmente "mais um conteúdo supérfluo criado para ser monetizável". Clarisse Loughrey, do The Independent, foi ainda mais contundente em sua crítica de uma estrela, chamando o filme de "um desperdício do tempo e do talento de todos". Ela questionou se realmente havia chegado o momento de aceitar Johnson repetindo exatamente a mesma interpretação de voz que havia feito uma década antes. Quanto às cenas supostamente filmadas no Havaí, Loughrey foi sarcástica: seria incapaz de dizer quais eram, tamanha a uniformidade visual do material.
John Nugent, da revista Empire, ofereceu uma observação particularmente cortante: o personagem de Johnson "parece uma interpretação feita por inteligência artificial". Nugent argumentou que chamar a produção de live-action era "quase um equívoco", dado o uso intenso de efeitos digitais. Kevin Maher, do The Times, atacou por outro ângulo, apontando que Johnson, aos 54 anos, estava "três décadas mais velho" para o papel e que sua atuação era "estranhamente sem brilho e contida". Maher classificou o remake como "uma tentativa preguiçosa de arrancar dinheiro para acionistas", afirmando que tudo aquilo que era vibrante, grandioso e ambicioso no original havia sido transformado em algo pesado, limitado e sem vida.
Robbie Collin, do The Telegraph, talvez tenha resumido melhor o sentimento geral. Ele sugeriu que o filme "poderia ter sido feito a partir de um comando no ChatGPT", e descreveu a experiência como se alguém tivesse digitado "E se esta cena de Moana fosse refeita em live-action?" em um campo de comando, repetidamente. Com duas estrelas, Collin argumentou que quase nenhum momento do filme escapava dessa sensação de artificialidade programada.
As vozes positivas foram raras. David Rooney, do Hollywood Reporter, descreveu a produção como "um entretenimento familiar envolvente" repleto de elementos visuais interessantes, cores vibrantes e cenários tropicais deslumbrantes. Owen Gleiberman, da Variety, foi além, afirmando que o filme "escapa da maldição dos remakes" e que Johnson era uma escolha "perfeita" para o papel, entregando beleza, humor e encanto.
O roteiro foi adaptado por Jared Bush, o mesmo responsável pelo texto original. As músicas de Lin-Manuel Miranda foram preservadas, enquanto Thomas Kail, diretor da montagem teatral de Hamilton, fez sua estreia na direção de um longa-metragem. Nos últimos 15 anos, a Disney lançou mais de 20 remakes live-action de seus clássicos, com resultados extremamente variáveis. A Pequena Sereia não decolou em 2023, mas Mufasa: O Rei Leão recuperou a confiança em 2024. No ano passado, o remake de Branca de Neve custou à empresa 170 milhões de dólares em perdas — um golpe que foi rapidamente compensado quando Lilo & Stitch se tornou um dos maiores sucessos do ano, arrecadando 1 bilhão de dólares. A pergunta que fica é se Moana conseguirá recuperar essa aposta, ou se será mais um capítulo na história de remakes questionáveis da Disney.
Notable Quotes
Parece apenas mais um conteúdo supérfluo criado para ser monetizável— Peter Bradshaw, The Guardian
O personagem de Johnson parece uma interpretação feita por inteligência artificial— John Nugent, Empire
Uma tentativa preguiçosa de arrancar dinheiro para acionistas— Kevin Maher, The Times
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que você acha que os críticos foram tão duros com este filme especificamente? Não é só mais um remake.
Porque o original era realmente bom — vibrante, bem-humorado, com uma abordagem genuína da cultura polinésia. Este filme parece ter pegado tudo isso e o transformou em algo genérico e pesado.
Vários críticos mencionaram que parecia feito por IA. O que eles queriam dizer com isso?
Que não havia alma. Que cada cena parecia calculada, sem risco, sem criatividade real. Como se alguém tivesse simplesmente dito ao computador: "refaça isto em live-action" e pronto.
Dwayne Johnson é uma estrela enorme. Como sua atuação foi recebida?
Ele basicamente repetiu exatamente o que havia feito dez anos antes. Aos 54 anos, estava visivelmente fora de lugar para o papel, e os críticos sentiram que ele estava operando no piloto automático.
E quanto ao uso de CGI? Não é normal em filmes live-action?
É, mas aqui foi tão excessivo que o filme parecia mais animação do que live-action. Derrotou o próprio propósito de fazer um remake com atores reais.
A Disney tem um histórico ruim com esses remakes?
Variável. Alguns funcionam, outros não. Mas o padrão é claro: estão fazendo isso principalmente para ganhar dinheiro, não porque têm algo novo a dizer.