México abre Copa sob pressão para quebrar maldição histórica das quartas

Sou o menos importante nesta seleção, mas sou o principal responsável
Aguirre reflete sobre sua posição como técnico diante da pressão histórica que o México enfrenta.

Há quase um século, o México carrega nas chuteiras o peso de uma história que teima em se repetir: nunca venceu uma partida de abertura em Copas do Mundo, e duas vezes que sediou o torneio viu sua jornada encerrar nas quartas de final. Nesta quinta-feira, no Azteca, contra a África do Sul, a seleção mexicana não disputa apenas três pontos — disputa a possibilidade de reescrever sua própria narrativa. À frente do grupo está Javier Aguirre, que viveu 1986 como jogador neste mesmo país e retorna, 40 anos depois, como técnico determinado a transformar a maldição em memória.

  • O México nunca venceu um jogo de abertura em sete tentativas mundialistas — uma estatística que pesa como uma herança maldita sobre cada jogador que entra em campo nesta quinta-feira.
  • Ser anfitrião amplifica a pressão: nas edições de 1970 e 1986, o país recebeu o mundo e foi eliminado nas quartas; em 2022, nem chegou às oitavas.
  • Javier Aguirre, 67 anos e três Copas como técnico, enfrenta o mesmo adversário de 2010 — a África do Sul — agora com os papéis invertidos: desta vez, o México é o anfitrião.
  • O treinador assume publicamente a responsabilidade por qualquer derrota, mas afirma conduzir este ciclo com 'tranquilidade emocional' e foco no ser humano antes do atleta.
  • O torneio ainda reserva Coreia do Sul e República Tcheca na fase de grupos, mas o verdadeiro teste simbólico começa agora — com uma vitória que o México nunca conseguiu na estreia.

O México entra em campo nesta quinta-feira no estádio Azteca carregando quase cem anos de um padrão que resiste a ser quebrado. Contra a África do Sul, os mexicanos buscam sua primeira vitória em um jogo de abertura de Copa do Mundo — feito que nunca conseguiram em sete tentativas desde 1930, quando a França os goleou por 4 a 1 no Uruguai.

Esta é a terceira vez que o país sedia o torneio. Nas duas anteriores, em 1970 e 1986, a trajetória terminou nas quartas de final — a barreira que nunca foi superada. Nos ciclos mais recentes, o desempenho foi ainda mais modesto: eliminação nas oitavas em 2014 e 2018, e eliminação na fase de grupos em 2022. Agora, com Coreia do Sul e República Tcheca ainda pela frente, a pressão de uma nação inteira recai sobre o grupo.

À frente da seleção está Javier Aguirre, 67 anos, que viveu 1986 como jogador neste mesmo país e retorna quatro décadas depois como técnico. Ele é o único treinador mexicano, ao lado de Ignacio Trelles, a comandar a seleção em três Copas — e nas duas anteriores que dirigiu também caiu nas oitavas. Curiosamente, já enfrentou a África do Sul em uma abertura de Copa: em 2010, quando os africanos eram os anfitriões, o jogo terminou em 1 a 1.

Aguirre descreve sua postura atual com palavras como 'tranquilidade emocional' e 'paz interior'. Diz priorizar o crescimento dos jogadores como pessoas — sua situação financeira, seu bem-estar familiar — antes de enxergá-los apenas como peças táticas. Planeja compartilhar com o elenco a estatística dos jogos de abertura como motivação extra.

Sobre o desfecho, é direto: 'Sou o principal responsável quando há uma derrota. É uma lei que conheço desde sempre.' Essa aceitação, paradoxalmente, parece libertá-lo. O México entra em campo não apenas para vencer um jogo, mas para finalmente romper com um padrão que define sua presença nas Copas — e Aguirre sabe que, qualquer que seja o resultado, será ele quem responderá por isso.

O México entra em campo nesta quinta-feira como anfitrião da Copa do Mundo 2026 carregando o peso de uma maldição que atravessa quase um século. Contra a África do Sul no estádio Azteca, os mexicanos buscam não apenas uma vitória, mas o rompimento de um padrão que define sua história nas competições mundiais: nunca conseguiram vencer um jogo de abertura. Em sete tentativas desde 1930, acumulam cinco derrotas e dois empates, um retrospecto que começa com uma goleada de 4 a 1 pela França no Uruguai.

Esta é a terceira vez que o México sedia a Copa do Mundo. Nas duas anteriores — 1970 e 1986 — a trajetória terminou nas quartas de final, a barreira que nunca conseguiu ultrapassar. Nos últimos torneios, o desempenho foi igualmente frustrante: eliminação nas oitavas em 2014 e 2018, e nem sequer passou da fase de grupos em 2022. Agora, com Coreia do Sul e República Tcheca ainda pela frente na primeira fase, o time enfrenta a pressão de um país inteiro esperando pelo fim dessa sequência de fracassos.

Javier Aguirre, técnico de 67 anos, carrega sua própria história com essa maldição. Ele estava no banco quando o México enfrentou a África do Sul na abertura de 2010, quando os africanos eram os anfitriões — a partida terminou empatada em 1 a 1. Agora, 16 anos depois, retorna para tentar quebrar o ciclo. Aguirre também é o único técnico mexicano, junto com Ignacio Trelles, a comandar a seleção em três Copas do Mundo. Nas duas anteriores que dirigiu — Coreia e Japão 2002 e África do Sul 2010 — também caiu nas oitavas de final.

O que torna este momento ainda mais significativo é que Aguirre viveu a experiência de disputar uma Copa em casa 40 anos atrás, em 1986, como jogador. "Desde que cheguei, há 22 meses, não tive emoção maior do que voltar a viver uma Copa do Mundo em casa", declarou. Ele reconhece a importância de quebrar a estatística dos jogos de abertura e planeja compartilhar esse dado com seus jogadores como incentivo adicional.

Aguirre aborda este terceiro capítulo de sua carreira como técnico com uma perspectiva diferente da que tinha quando era jogador. Descreve sua postura atual como marcada por "tranquilidade emocional" e "paz interior", menos exigente do que era consigo mesmo nas décadas anteriores. Sua preocupação vai além do desempenho tático: prioriza o crescimento dos jogadores como pessoas, atentando-se à sua situação financeira, ao bem-estar familiar e ao desenvolvimento pessoal antes de vê-los apenas como números em um uniforme.

O desfecho desta Copa pode transformá-lo em herói ou vilão, mas Aguirre deixa claro que essa classificação não o preocupa. "Eu sou o menos importante nesta seleção", afirmou, mas reconhece a responsabilidade que carrega: "sou o principal responsável quando há uma derrota. É uma lei que conheço desde sempre". Essa aceitação da culpa, paradoxalmente, o liberta. O México entra em campo não apenas para vencer a África do Sul, mas para finalmente romper com um padrão que define sua presença nas Copas do Mundo — e Aguirre sabe que, independentemente do resultado, será ele quem responda por isso.

Temos que quebrar a estatística. Eu não tinha esse dado, vou compartilhar com os jogadores, vai ser mais um incentivo.
— Javier Aguirre, técnico do México
Eu sou o menos importante nesta seleção, mas sou o principal responsável quando há uma derrota.
— Javier Aguirre
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que essa maldição das quartas de final é tão específica? O México não consegue avançar além desse ponto?

Model

Não é que não consiga — é que nunca conseguiu. Em 1970 e 1986, quando era anfitrião, caiu justamente nas quartas. É como se houvesse um teto invisível que a seleção não consegue romper.

Inventor

E Aguirre, que já treinou o México antes, por que ele é diferente agora?

Model

Ele viveu isso como jogador em 1986, em casa. Agora volta 40 anos depois como técnico. Mas o que mudou não é a estratégia — é como ele vê os jogadores. Menos exigente, mais atento ao que eles são além do futebol.

Inventor

Ele já fracassou em duas Copas anteriores como técnico. Como isso não o assombra?

Model

Assombra, talvez. Mas ele transformou isso em clareza. Sabe que é o responsável pelas derrotas. Não tenta se esconder disso. Isso, de alguma forma, o liberta.

Inventor

A abertura contra a África do Sul — é a mesma partida de 2010?

Model

Tecnicamente, sim. Mesmos times, mesmo estádio. Mas agora o México é anfitrião. Há 16 anos foi empate. Desta vez, precisam vencer.

Inventor

E se não vencerem?

Model

Então a maldição continua. E Aguirre, como sempre, assume a responsabilidade. Mas ele já aceitou isso. Talvez seja por isso que consegue estar em paz.

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