Metalúrgicos de empresa de defesa em São José dos Campos entram em greve

Aproximadamente 300 trabalhadores do setor de defesa estão envolvidos na mobilização grevista que começou em 19 de junho.
A empresa ofereceu o mesmo valor rejeitado antes
A Modirum Gespi manteve sua proposta de R$ 2 mil de PLR após os trabalhadores a rejeitarem inicialmente.

Em São José dos Campos, cerca de 300 metalúrgicos da Modirum Gespi — empresa inserida no setor de defesa — cruzaram os braços em 19 de junho, depois de recusar uma proposta de PLR e reajuste no vale-alimentação que consideraram aquém do necessário. A greve revela uma tensão antiga e universal: a distância entre o que o trabalho produz e o que o trabalhador recebe de volta. Enquanto a empresa invoca equilíbrio e sustentabilidade, os trabalhadores respondem com mobilização — e o espaço entre essas duas linguagens é onde o futuro do acordo ainda está sendo escrito.

  • Cerca de 300 metalúrgicos paralisaram atividades em uma empresa do setor de defesa, sinalizando que a paciência com propostas consideradas insuficientes chegou ao limite.
  • A oferta de R$ 2 mil de PLR e a elevação do vale-alimentação de R$ 200 para R$ 350 foi rejeitada pelos trabalhadores, que exigem valores mais expressivos e mudanças estruturais como o fim do banco de horas.
  • No dia 29 de junho, uma parada de uma hora e meia funcionou como aviso: a categoria está disposta a intensificar a pressão caso as negociações não avancem.
  • A Modirum Gespi mantém que negocia com boa-fé e transparência, mas ainda não moveu seus números o suficiente para desfazer o impasse.
  • O desfecho depende de uma escolha concreta: a empresa cede mais, ou os trabalhadores sustentam — e ampliam — a greve nos próximos dias.

Na manhã de 19 de junho, trabalhadores da Modirum Gespi, em São José dos Campos, votaram pela greve. A empresa, que atua no setor de defesa, havia apresentado uma proposta que os metalúrgicos rejeitaram — e cerca de 300 funcionários passaram a se mobilizar em busca de condições melhores.

As demandas são objetivas: aumento real na Participação nos Lucros e Resultados, reajuste no vale-alimentação compatível com o custo de vida, extinção do banco de horas, pagamento adequado de horas extras e efetivação de trabalhadores temporários. São reivindicações que tocam tanto na renda imediata quanto na estabilidade do emprego.

A empresa ofereceu R$ 2 mil de PLR — proposta já apresentada e recusada anteriormente — e elevação do vale-alimentação de R$ 200 para R$ 350 em setembro, com nova alta para R$ 400 a partir de fevereiro de 2027. Os trabalhadores consideraram insuficiente. Em 29 de junho, realizaram uma parada de uma hora e meia como demonstração de força.

A Modirum Gespi declarou que as negociações seguem em andamento, conduzidas com seriedade e boa-fé, e que suas propostas buscam equilibrar os interesses dos colaboradores com a sustentabilidade do negócio. O que permanece em aberto é se esse equilíbrio, como a empresa o define, é compatível com o que os trabalhadores estão dispostos a aceitar — e os próximos dias dirão se a greve se aprofunda ou se um acordo finalmente se desenha.

Na manhã de 19 de junho, trabalhadores da Modirum Gespi votaram para deflagrar uma greve. A empresa, que funciona no setor de defesa em São José dos Campos, havia apresentado uma proposta que os metalúrgicos rejeitaram. Agora, cerca de 300 funcionários estão mobilizados em busca de condições que a companhia ainda não ofereceu.

O que os trabalhadores querem é claro: um aumento real na Participação nos Lucros e Resultados, um reajuste no vale-alimentação que acompanhe o custo de vida, o fim do banco de horas — aquele sistema que permite à empresa acumular horas trabalhadas para compensar depois — pagamento adequado de horas extras, e a transformação de funcionários temporários em efetivos. São demandas que tocam tanto na remuneração imediata quanto na segurança do emprego.

A Modirum Gespi, por sua vez, ofereceu R$ 2 mil de PLR, um valor que já havia sido apresentado e rejeitado. Para o vale-alimentação, a proposta foi modesta: elevar os atuais R$ 200 para R$ 350 em setembro, e depois para R$ 400 a partir de fevereiro de 2027. Os trabalhadores consideraram insuficiente. No dia 29 de junho, fizeram uma parada de uma hora e meia como demonstração de força, sinalizando que estavam dispostos a intensificar a pressão.

A empresa respondeu com uma declaração que mistura reconhecimento e firmeza. A Modirum Gespi afirma que as negociações coletivas continuam em andamento, que vêm sendo conduzidas com seriedade, respeito, transparência e boa-fé. Diz que desde o início apresentou sucessivas propostas buscando uma solução equilibrada, algo que contemple os interesses dos colaboradores mas também preserve a continuidade das operações, a sustentabilidade do negócio e a manutenção dos empregos. Respeita, segundo seu comunicado, o direito de organização e manifestação dos trabalhadores.

O que fica em aberto é se essas duas posições conseguem se encontrar. Os trabalhadores têm um sindicato que os representa e uma mobilização que começou há semanas. A empresa tem uma proposta que considera equilibrada e uma declaração de compromisso com o diálogo. O intervalo entre essas duas realidades é onde a negociação acontece agora — e é também onde reside a possibilidade de que a greve se intensifique ou de que um acordo seja alcançado. Nos próximos dias, o que importa é se a Modirum Gespi está disposta a mover seus números ou se os trabalhadores precisarão manter a pressão.

As negociações coletivas relativas ao programa de participação nos resultados permanecem em andamento e vêm sendo conduzidas pela empresa com seriedade, respeito, transparência e boa-fé
— Modirum Gespi
Os trabalhadores reivindicam aumento da PLR, reajuste no vale-alimentação, fim do banco de horas, pagamento de horas extras e efetivação de funcionários temporários
— Sindicato dos metalúrgicos
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que uma empresa de defesa em São José dos Campos se torna palco de uma greve agora, em julho?

Model

Porque há meses os trabalhadores vêm sinalizando insatisfação. Votaram em junho, fizeram uma parada de aviso no final do mês. A empresa não budou nos números que importam — PLR e vale-alimentação.

Inventor

A empresa diz que está negociando com transparência. Os trabalhadores acreditam nisso?

Model

Transparência é fácil de declarar. O que importa é se há movimento real nas ofertas. R$ 2 mil de PLR rejeitado uma vez, oferecido de novo — isso não é transparência, é repetição.

Inventor

E quanto aos 300 trabalhadores? Eles têm algo a perder além do salário?

Model

Têm. Há temporários que querem virar efetivos. Há banco de horas acumulado que a empresa pode usar para compensar. A segurança do emprego está em jogo tanto quanto o dinheiro.

Inventor

A empresa menciona sustentabilidade do negócio. Isso é um sinal de que não pode oferecer mais?

Model

Ou é verdade, ou é uma forma de dizer que não quer. Difícil saber de fora. Mas quando uma empresa do setor de defesa fala em sustentabilidade em meio a uma greve, está dizendo que há limites — reais ou percebidos.

Inventor

O que acontece se ninguém ceder?

Model

A greve se intensifica. Passa de uma hora e meia para um dia inteiro, depois mais. Uma empresa de defesa não pode ficar parada por muito tempo sem pressão de cima. Isso pode forçar movimento.

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