Metade dos jovens brasileiros de 16 a 24 anos está fora da sala de aula

Aproximadamente 25,8% dos jovens de 18 a 24 anos estão sem educação e sem trabalho, refletindo impacto direto na trajetória de vida e oportunidades econômicas de milhões de brasileiros.
Metade dos jovens que abandonaram a escola o fez porque precisava trabalhar
A pesquisa da CNI revela que necessidade econômica, não falta de interesse, é o principal motor da evasão escolar.

No Brasil de 2023, quase metade dos jovens entre 16 e 24 anos se encontra fora das salas de aula — não por indiferença, mas por uma necessidade que a sociedade lhes impôs antes que pudessem escolher. Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria expõe o que já se suspeitava: a renda familiar determina, com brutalidade quase matemática, quem tem o privilégio de estudar e quem precisa, cedo demais, sustentar a vida. O abandono escolar no país não é uma falha individual, mas o reflexo de fraturas estruturais que se aprofundam a cada geração ignorada.

  • Quase metade dos jovens brasileiros entre 16 e 24 anos está fora da escola, e a maioria saiu não por escolha, mas por sobrevivência — para trabalhar e sustentar a família.
  • A desigualdade de renda revela um abismo: enquanto 73% dos jovens de famílias com mais de cinco salários mínimos estão matriculados no ensino médio, apenas 17% daqueles com até um salário mínimo conseguem o mesmo.
  • Mulheres enfrentam uma camada adicional de exclusão — 13% abandonaram a escola por gravidez, percentual que dobra em regiões como o Nordeste e nas capitais.
  • O Brasil figura ao lado de Grécia, Itália e África do Sul entre os países com maior proporção de jovens sem educação e sem emprego, com 25,8% dos jovens de 18 a 24 anos nessa condição.
  • Especialistas alertam que ignorar as taxas de evasão no ensino médio — onde quase 9% dos alunos abandonam já no primeiro ano — é uma escolha coletiva com consequências irreversíveis para milhões de trajetórias.

Em maio de 2023, a Confederação Nacional da Indústria divulgou uma pesquisa que confirmou, em números, o que muitas famílias brasileiras já vivem no cotidiano: 47% dos jovens entre 16 e 24 anos estão fora da escola. Entre os que abandonaram, pelo menos metade o fez para trabalhar — 36% para sustentar a família, 18% interrompidos pela gravidez, uma realidade que recai de forma desproporcional sobre as mulheres. No Nordeste e nas capitais, 14% das jovens deixaram os estudos por esse motivo, o dobro da média nacional.

O fator mais determinante, porém, é a renda familiar. Jovens de famílias com mais de cinco salários mínimos têm taxa de matrícula no ensino médio de 73%. Para aqueles com renda de até um salário mínimo, esse número despenca para 17%. Na pós-graduação, a disparidade é ainda mais reveladora: 13% dos jovens de famílias mais ricas frequentam esses cursos, contra apenas 1% dos mais pobres.

As razões do abandono também se dividem por gênero: 55% dos homens saíram para manter a família, enquanto entre as mulheres esse índice é de 39%. Cerca de 11% de ambos os gêneros simplesmente declararam não ter interesse em continuar estudando — um dado que, longe de ser uma simples preferência, pode refletir a ausência de perspectivas reais.

O cenário é agravado por dados estruturais: 66,4 milhões de brasileiros com mais de 18 anos não completaram o ensino médio. E 25,8% dos jovens entre 18 e 24 anos estão simultaneamente sem educação e sem trabalho — colocando o Brasil ao lado de Grécia, Itália e África do Sul entre os países com maior proporção de jovens nessa situação. Rafael Lucchesi, do SENAI e do SESI, foi direto: ignorar essas taxas de evasão é contraproducente. A advertência ressoa diante de um quadro que, sem intervenção, tende a se aprofundar.

Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria divulgada em maio de 2023 traçou um retrato desconfortável da educação brasileira: quase metade dos jovens entre 16 e 24 anos não está na escola. Enquanto 53% dessa faixa etária seguem estudando — seja no ensino médio, técnico ou superior — os outros 47% abandonaram as salas de aula, e as razões que os levaram embora revelam as fraturas profundas da desigualdade no país.

O trabalho foi o principal culpado. Pelo menos metade dos jovens que deixaram a escola o fez porque precisava trabalhar. Desses, 36% saíram para sustentar a família, enquanto 18% interromperam os estudos por gravidez — uma realidade que afeta principalmente as mulheres. Entre elas, 13% abandonaram a escola por esse motivo, contra apenas 1% dos homens. A disparidade é ainda mais aguda em certas regiões: no Nordeste e nas capitais, 14% das mulheres jovens deixaram os estudos por gravidez, o dobro da média nacional.

A renda familiar emerge como o fator determinante mais brutal. Entre os jovens matriculados no ensino médio, 24% vêm de famílias com renda acima de cinco salários mínimos. Já entre aqueles com renda familiar de até um salário mínimo — pouco mais de R$ 1.230 por mês — apenas 17% estão na escola. Quando a renda sobe para dois a cinco salários, o índice pula para 41%. Acima de cinco salários, chega a 73%. Na pós-graduação, a desigualdade é ainda mais gritante: apenas 1% dos jovens de famílias com renda até um salário estão em especialização, enquanto 13% daqueles com renda acima de cinco salários frequentam esses cursos.

Os motivos para abandonar a escola variam também por gênero. Para os homens, a necessidade de manter a família é o principal fator — 55% deles deixaram a escola por essa razão. Entre as mulheres, esse percentual cai para 39%. Por outro lado, 15% dos homens disseram que pararam de estudar para ganhar seu próprio dinheiro e ter autonomia, enquanto 9% das mulheres fizeram a mesma escolha. Ambos os gêneros compartilham outro motivo: 11% dos jovens entrevistados simplesmente não tinham interesse em continuar estudando.

O cenário varia também entre regiões. O Nordeste lidera com 18% de pessoas com 16 anos ou mais ainda matriculadas, enquanto o Sul fica atrás com apenas 10%. O ensino à distância é mais popular entre pessoas mais velhas — 35% daquelas entre 41 e 59 anos — e mais comum no Sul (24%) do que no Nordeste (13%).

Quando perguntados sobre prioridades educacionais, 23% dos entrevistados apontaram a alfabetização como a maior urgência do governo, seguida por creches (16%) e ensino médio (15%). O ensino técnico recebeu a melhor avaliação. A preocupação com o ensino médio não é casual: segundo o Censo Escolar de 2022, 8,9% dos alunos abandonam os estudos no primeiro ano dessa etapa, e a série tem o maior índice de repetência do país, com 12,7%.

Os números revelam uma crise estrutural. No Brasil, 66,4 milhões de pessoas com mais de 18 anos não completaram o ensino médio e não frequentam a escola. O reflexo direto disso é que 25,8% dos jovens entre 18 e 24 anos estão simultaneamente sem educação e sem trabalho, segundo dados do IBGE do quarto trimestre de 2022. O Brasil figura entre os países com as maiores taxas de jovens nessa situação, ao lado de Grécia, Itália e África do Sul. Rafael Lucchesi, diretor-geral do SENAI e diretor-superintendente do SESI, alertou que ignorar essas taxas de evasão é contraproducente — uma advertência que ecoa diante de um cenário que continua se deteriorando.

Fechar os olhos para essas taxas é contraproducente
— Rafael Lucchesi, diretor-geral do SENAI e diretor-superintendente do SESI
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que a renda familiar é tão determinante? Não deveria a educação ser um direito independente de quanto a família ganha?

Model

Deveria, claro. Mas quando uma família ganha um salário mínimo, o filho de 16 anos não é uma criança — é uma mão de obra. A escola compete com a necessidade imediata de comer, de pagar aluguel. Não é uma escolha moral, é uma questão de sobrevivência.

Inventor

E por que a gravidez afeta tanto as mulheres e tão pouco os homens?

Model

Porque a gravidez é vista como responsabilidade da mulher. Um homem pode ser pai e continuar estudando. Uma mulher que engravida é frequentemente retirada da escola — pela família, pela escola, ou porque ela mesma sente que não consegue conciliar. É uma forma de invisibilidade que começa cedo.

Inventor

O Nordeste tem mais alunos matriculados, mas também tem mais evasão por gravidez. Como isso faz sentido?

Model

Não faz sentido lógico, faz sentido social. O Nordeste tem mais pobreza, mais desigualdade. Mais meninas engravidam cedo porque têm menos acesso a informação, menos acesso a contraceptivos, menos poder de decisão sobre seus corpos. Ao mesmo tempo, a região investe mais em manter jovens na escola — mas a realidade social é mais forte que a política.

Inventor

E esses 25,8% de jovens sem escola e sem trabalho — o que acontece com eles?

Model

Ficam presos. Sem educação, não conseguem emprego formal. Sem emprego, não conseguem sair da pobreza. Sem perspectiva, muitos caem em situações ainda piores. É uma geração inteira sendo deixada para trás.

Inventor

O ensino técnico foi bem avaliado. Por que não é prioridade?

Model

Porque ainda há uma hierarquia invisível na educação brasileira. O ensino técnico é visto como para quem não consegue entrar na universidade. Mas é onde há mais oportunidades reais de emprego. A avaliação positiva mostra que as pessoas reconhecem isso — o problema é que as políticas públicas ainda não acompanharam.

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