Dez modelos novos em cinco meses — é o maior programa de lançamentos da história
A Mercedes-Benz responde a uma queda nas vendas globais com o maior programa de lançamentos da sua história: dez novos modelos em cinco meses. O colapso de 27% na China, mercado que nenhum crescimento europeu ou americano conseguiu compensar, forçou a marca a agir com urgência — não com cautela. É o retrato de uma construtora histórica a reinventar-se entre a eletrificação e o regresso ao motor de combustão, tentando servir ao mesmo tempo o futuro e os que ainda não querem deixar o passado.
- As vendas globais da Mercedes caíram 6% no primeiro trimestre de 2026, com a China a registar um colapso de 27% que apagou os ganhos na Europa e nos EUA.
- A resposta foi radical: dez novos modelos em cinco meses, o maior programa de lançamentos da história da marca, sem espaço para hesitação.
- A estratégia divide-se entre o futuro elétrico — com um Classe C de 762 km de autonomia e um AMG GT com mais de 1100 cavalos — e o regresso do V8 para os clientes mais entusiastas.
- A marca ouviu as críticas aos híbridos plug-in de quatro cilindros e corrigiu o rumo: seis cilindros voltam ao AMG GLC 53 e o V8 regressa ao CLE.
- Em Portugal, Classe C, GLA e GLC elétrico são os modelos com maior expectativa de impacto nas vendas, numa renovação que abrange toda a gama.
A Mercedes-Benz está a apostar tudo num único movimento: dez modelos novos em cinco meses, o maior programa de lançamentos da sua história. A urgência tem nome — o primeiro trimestre de 2026 fechou com 419 mil automóveis vendidos, uma queda de 6% face ao ano anterior. A Europa cresceu 7% e os EUA subiram 20%, mas a China desabou 27%, e nenhuma recuperação regional conseguiu tapar esse buraco.
A renovação abrange toda a gama e traz consigo uma mudança de filosofia. O novo Classe C elétrico, construído sobre a plataforma de 800 volts, promete até 762 quilómetros de autonomia. Em certos mercados chegará também o AMG GT 4 portas elétrico, com mais de 1100 cavalos na versão de topo. Mas a eletrificação total não é a única resposta.
Depois das críticas aos quatro cilindros híbridos plug-in da AMG, a marca recuou: os seis cilindros regressam ao AMG GLC 53, o GLE 63 S e o GLS 63 recebem um novo V8 biturbo eletrificado, e o CLE prepara-se para recuperar o V8. A Mercedes ouviu os clientes mais entusiastas e está a mudar de direção.
O Classe C recebe um facelift, o GLA estreia uma geração completamente nova em versões convencionais e elétricas, e o Classe S foi atualizado com melhorias de design e tecnologia. Em Portugal, são precisamente o Classe C, o GLA e o GLC elétrico os modelos com maior expectativa de impacto. A aposta é clara: estes dez lançamentos têm de reverter a queda e recuperar o terreno perdido — sobretudo na China.
A Mercedes-Benz está apostando tudo. Dez modelos novos em cinco meses — é o maior programa de lançamentos da história da marca, e a urgência por trás dele é clara: as vendas caíram.
O primeiro trimestre de 2026 fechou com 419 mil 400 automóveis vendidos em todo o mundo. Isso representa uma queda de 6% comparado ao mesmo período do ano anterior. Os números revelam uma geografia desigual da crise. A Europa cresceu 7%, os Estados Unidos subiram 20%, mas a China desabou 27%. Nenhuma recuperação regional conseguiu compensar completamente o colapso no maior mercado asiático. A resposta da marca alemã foi acelerar — não esperar, não recalibrar gradualmente, mas colocar toda a carne no assador até dezembro.
A renovação toca praticamente toda a gama, dos modelos compactos até aos topo de gama, e inclui uma mudança de filosofia sobre o que os clientes realmente querem. O novo Classe C elétrico, construído sobre a plataforma de 800 volts que já conhecemos do GLC, promete uma autonomia de até 762 quilómetros segundo o ciclo WLTP. Em certos mercados, chegará também o AMG GT 4 portas elétrico, com mais de 1100 cavalos na versão de topo. Mas nem tudo segue para a eletrificação total.
A estratégia nos motores de combustão sofreu uma reviravolta. Depois das críticas aos quatro cilindros híbridos plug-in da AMG, os seis cilindros regressam ao AMG GLC 53. Os grandes SUV — o GLE 63 S e o GLS 63 — recebem um novo V8 biturbo eletrificado. E o CLE prepara-se para recuperar o V8, uma decisão que responde diretamente ao que os clientes mais entusiastas pedem. A marca ouviu, e está a mudar.
Os modelos mais vendidos também entram em renovação. O Classe C receberá um facelift, enquanto o GLA inaugura uma geração completamente nova, disponível tanto com motores convencionais como em versões 100% elétricas. No topo, o Classe S foi atualizado com alterações ao design, novos equipamentos e melhorias tecnológicas — não é uma reinvenção total, mas uma versão melhorada do modelo que já circula.
Em Portugal, a expectativa é que o Classe C, o GLA e o GLC elétrico sejam os modelos que mais vão animar as vendas. A renovação é abrangente, mas também é uma aposta: a marca está a contar que estes dez lançamentos conseguem reverter a tendência de queda e recuperar o terreno perdido, especialmente no mercado chinês onde o impacto foi mais severo.
Notable Quotes
O maior programa de lançamentos de produto e tecnologia da sua história— Mercedes-Benz, sobre o plano de 2026
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que é que a Mercedes decidiu lançar dez modelos em apenas cinco meses? Isso não é arriscado?
É arriscado, sim, mas a alternativa era mais arriscada ainda. Quando as vendas caem 6% globalmente e 27% na China, esperar não é uma opção. A marca está a tentar recuperar momentum antes do final do ano.
E a estratégia dos motores? Parece haver uma contradição — eletrificam o Classe C, mas trazem de volta o V8 noutros modelos.
Não é contradição, é pragmatismo. Ouviram os clientes. Os entusiastas queriam o V8 de volta, e a marca está a dar-lho. Ao mesmo tempo, sabem que o futuro é elétrico, por isso o Classe C elétrico é central. Estão a servir dois mercados simultaneamente.
A China caiu 27%. Será que estes lançamentos conseguem mesmo reverter isso?
Essa é a grande pergunta. Estes modelos são principalmente para mercados ocidentais — Europa, EUA, Portugal. A China é um problema mais profundo, relacionado com a concorrência local e as preferências do mercado. Os lançamentos ajudam, mas não resolvem tudo.
Em Portugal, qual é o modelo que vai fazer a diferença?
Provavelmente o GLC elétrico. É um SUV, é elétrico, é prático. Combina tudo o que o mercado português quer neste momento. O Classe C também, mas o GLC tem mais apelo.
A Mercedes está a fazer isto sozinha, ou toda a indústria está neste ritmo de lançamentos?
A Mercedes está a ser mais agressiva do que o normal. Isto é um sinal de que a pressão é real e urgente. Outras marcas estão a lançar modelos, claro, mas não com esta intensidade e abrangência.