O Brasil é um dos mercados mais competitivos do mundo em comércio eletrônico
Em um momento em que o Brasil busca consolidar sua posição como polo de inovação e consumo digital na América Latina, o Mercado Livre anunciou um aporte de R$ 34 bilhões para 2025 — 48% acima do ano anterior —, reafirmando que o país é o coração de sua operação global. O anúncio, feito ao lado do presidente Lula em Cajamar, carrega o peso simbólico de uma empresa argentina que encontrou no Brasil sua maior fonte de receita e agora promete dobrar seu quadro de funcionários, chegando a 50 mil colaboradores. Por trás dos números, há uma aposta de longo prazo na resiliência do mercado brasileiro, mesmo diante das turbulências do comércio internacional.
- Com 48% de crescimento em relação a 2024, o investimento de R$ 34 bilhões sinaliza uma corrida para dominar um mercado de comércio eletrônico que recebe novos concorrentes a cada três meses.
- A criação de 14 mil vagas de emprego — dobrando o contingente brasileiro para 50 mil funcionários — coloca pressão imediata sobre logística, tecnologia e serviços financeiros para absorver essa expansão.
- A rede de centros de distribuição saltará de 17 para até 27 unidades até o fim do ano, numa tentativa de levar entregas no mesmo dia ou no dia seguinte para regiões além do Sudeste.
- O tarifaço de Trump foi descartado como fator de risco: a empresa afirma pensar em horizontes de 10 a 20 anos, ancorada no fato de que o Brasil já responde por 55% de toda a sua receita global.
- Com 22 milhões de tomadores de crédito via Mercado Pago e mais de 1 milhão de famílias dependendo da plataforma para mais da metade de sua renda, o impacto social do crescimento vai muito além das telas.
Na segunda-feira, em cerimônia no centro de distribuição de Cajamar, na Grande São Paulo, o Mercado Livre anunciou um investimento de R$ 34 bilhões no Brasil para 2025 — um salto de 48% em relação ao ano anterior. O presidente da empresa, Fernando Yunes, fez o anúncio ao lado do presidente Lula e de ministros como Fernando Haddad e Luiz Marinho, sublinhando o caráter estratégico da relação entre a companhia e o país.
O Brasil já é a operação mais importante do grupo argentino, que atua em 18 mercados latino-americanos. Em 2024, o país respondeu por 55% da receita total da empresa, com R$ 61,4 bilhões em receita líquida divididos entre a plataforma de e-commerce e o Mercado Pago. São mais de 100 milhões de compradores ativos por ano, com 57 compras e 360 transações acontecendo a cada segundo.
Os recursos serão distribuídos entre logística, tecnologia, serviços financeiros, marketing e contratação de pessoal. A meta é encerrar 2025 com 50 mil funcionários no Brasil — o dobro do contingente de 2024 —, com 14 mil novas vagas abertas, especialmente em serviços financeiros e tecnologia. A infraestrutura logística também será ampliada: os 17 centros de distribuição atuais devem chegar a 25 ou 27 unidades, avançando para além do Sudeste e melhorando prazos de entrega. Hoje, 49% das vendas já são entregues no mesmo dia ou no seguinte.
Yunes destacou que mais de 1 milhão de famílias obtêm mais da metade de sua renda pela plataforma, e que o Mercado Pago concedeu crédito a 22 milhões de pessoas no ano passado, sendo o primeiro credor de metade das pequenas e médias empresas do país. Sobre o tarifaço de Trump, o executivo foi direto: os planos não mudam, pois a empresa pensa em horizontes de 10 a 20 anos.
Além dos investimentos operacionais, a empresa fechou um acordo de R$ 1 bilhão pelo naming rights do Estádio do Pacaembu, em São Paulo, por 30 anos — um gesto que reforça seu enraizamento na cultura e no cotidiano brasileiro.
Na segunda-feira, o Mercado Livre anunciou um investimento de R$ 34 bilhões no Brasil para 2025, um salto de 48% em relação aos R$ 23 bilhões aplicados no ano anterior. O anúncio foi feito pelo presidente da empresa, Fernando Yunes, em cerimônia no centro de distribuição da companhia em Cajamar, na Grande São Paulo, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros como Fernando Haddad, da Fazenda, e Luiz Marinho, do Trabalho e Emprego.
O Brasil representa a operação mais importante do grupo argentino, que atua em 18 mercados da América Latina. Em 2024, o país sozinho respondeu por 55% da receita total do Mercado Livre, gerando R$ 61,4 bilhões em receita líquida — R$ 37,7 bilhões da plataforma de comércio eletrônico e R$ 23,7 bilhões do Mercado Pago, sua operação de serviços financeiros. A empresa lidera as vendas pela internet no país e movimenta números impressionantes: mais de 100 milhões de compradores ativos anuais realizam 57 compras e 360 transações a cada segundo.
O investimento de R$ 34 bilhões será direcionado a logística, tecnologia para comércio eletrônico, serviços financeiros, programas de fidelidade, entretenimento, marketing e contratação de pessoal. A expansão de quadros será particularmente intensa na área de serviços financeiros, com oportunidades também em logística e tecnologia. Até o fim de 2025, a operação brasileira dobrará seu contingente de funcionários em relação a 2024, chegando a 50 mil colaboradores — o que significa a abertura de 14 mil novos postos de trabalho.
Yunes ressaltou que o Brasil é um dos mercados mais competitivos do mundo em comércio eletrônico, com novas empresas anunciando entrada no país a cada três meses. Segundo ele, mais de 1 milhão de famílias recebem mais de 50% de sua renda através da plataforma. No ano passado, 22 milhões de pessoas tomaram empréstimos via Mercado Pago, que concede o primeiro crédito para metade das pequenas e médias empresas do país.
A infraestrutura logística será expandida significativamente. Atualmente, a empresa opera 17 centros de distribuição e planeja encerrar 2025 com 25 a 27 unidades, avançando para regiões além do Sudeste e melhorando os prazos de entrega. Hoje, 49% das vendas são entregues no mesmo dia ou no dia seguinte, e cerca de 200 cidades são atendidas pelo serviço de fulfillment — no qual o Mercado Livre gerencia o estoque, armazenamento, separação e distribuição dos produtos dos vendedores da plataforma.
Quanto aos efeitos das políticas comerciais internacionais, Yunes afirmou que o tarifaço do presidente americano Donald Trump não altera os planos de investimento no Brasil. Segundo ele, a empresa pensa no longo prazo, com investimentos projetados para 10, 15 ou 20 anos. O aporte se justifica pela extrema competitividade do mercado brasileiro, que conta com grandes players nacionais e estrangeiros, especialmente asiáticos.
Em 2024, o Mercado Livre pagou R$ 5 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais. O grupo, fundado em 1999, soma 84 mil funcionários diretos globalmente e opera, além da plataforma de comércio eletrônico e do banco digital Mercado Pago, os negócios de Mercado Ads, Mercado Envios e Mercado Livre VIS. A receita líquida consolidada do grupo atingiu US$ 21 bilhões em 2024, enquanto o volume de vendas brutas alcançou US$ 51,5 bilhões, com mais de 1,8 bilhão de produtos vendidos.
A empresa também fechou um acordo de R$ 1 bilhão para naming rights do Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, no Pacaembu, zona oeste de São Paulo, por um período de 30 anos.
Notable Quotes
O Brasil é um dos mercados mais competitivos do mundo em comércio eletrônico, a cada três meses uma empresa nova anuncia entrada no país— Fernando Yunes, presidente do Mercado Livre
A gente pensa no longo prazo, os investimentos são para 10, 15, 20 anos— Fernando Yunes, sobre os planos de investimento independentemente de políticas comerciais internacionais
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o Brasil é tão importante para o Mercado Livre que justifica esse investimento massivo?
Porque é o mercado mais maduro e competitivo da América Latina. Sozinho, o Brasil gera 55% de toda a receita do grupo. Não é só tamanho — é rentabilidade.
Mas 14 mil novos empregos em um ano é muito? Pouco?
É significativo. A operação brasileira vai dobrar de tamanho. Estamos falando de passar de 25 mil para 50 mil pessoas. Isso é expansão séria, não é ajuste marginal.
Qual é o risco aqui? Parece tudo muito otimista.
O risco é a competição. Yunes mesmo disse que a cada três meses uma empresa nova entra no mercado. E tem players asiáticos chegando. O investimento é uma aposta de que conseguem manter a liderança.
E os 22 milhões de pessoas que pegaram empréstimo — isso é bom ou preocupante?
Ambos. Mostra que o Mercado Pago virou porta de entrada de crédito para quem não tinha acesso. Mas também significa que estão expandindo risco de crédito muito rápido.
Esse acordo do estádio — é marketing ou é algo mais?
É marketing de longo prazo. Trinta anos é uma aposta de que a marca vai estar aqui para sempre. É também um sinal de que têm caixa para fazer essas coisas.
O que muda com os 25 a 27 centros de distribuição?
Velocidade. Hoje 49% das entregas são no mesmo dia ou no dia seguinte. Com mais CDs fora do Sudeste, conseguem fazer isso em mais cidades. Entrega rápida é o que diferencia no e-commerce.