Médico condenado por abuso sexual é investigado por novo crime no Rio

Mulher relatou abuso sexual durante consulta médica em novembro de 2022, incluindo tentativa de contato físico não consentido.
Um profissional com histórico comprovado continua com acesso a pacientes vulneráveis
O neurocirurgião mantém consultório particular apesar de condenação anterior e nova denúncia.

Um neurocirurgião carioca de 72 anos, já condenado e preso por violação sexual no exercício da medicina, volta a ser investigado por novo abuso contra uma paciente em 2022 — desta vez em uma unidade pública de emergência. O caso ilumina uma tensão estrutural entre a justiça penal, a regulação profissional e a proteção de quem busca cuidado médico: cumprida parte da pena, o médico retornou à prática clínica com licença intacta. A pergunta que o episódio deixa suspensa não é apenas sobre um indivíduo, mas sobre os mecanismos que deveriam impedir que a vulnerabilidade do paciente se torne oportunidade para o abuso.

  • Uma mulher que buscava atendimento de emergência em novembro de 2022 saiu da consulta com um relato de abuso — perguntas íntimas não solicitadas e toque não consentido por parte do médico que a atendia.
  • O histórico do neurocirurgião não era desconhecido: condenado em 2016, ele cumpriu pouco mais de um ano de prisão e retomou o exercício da medicina sem que seu registro fosse cassado.
  • Após o novo incidente, o hospital o afastou dos plantões, mas a licença profissional permaneceu válida — e ele seguiu atendendo em consultório particular em um shopping da Barra da Tijuca.
  • O Cremerj aplicou censura pública em janeiro de 2023 e abriu sindicância, enquanto a Polícia Civil conduz investigações paralelas sobre o caso mais recente.
  • O episódio expõe uma lacuna sistêmica: condenações criminais e punições disciplinares coexistem com a continuidade do acesso do médico a pacientes vulneráveis.

Um neurocirurgião de 72 anos com passagem pela prisão por crime sexual enfrenta nova investigação por abuso contra uma paciente no Rio de Janeiro. Em novembro de 2022, a mulher procurou o Centro de Emergência Regional na área central da cidade e, durante a consulta com Salim Michel Yazeji, foi submetida a perguntas sobre sua vida conjugal e a uma tentativa de toque não consentido. Ela registrou ocorrência na Delegacia de Atendimento à Mulher, que passou a conduzir as investigações.

O histórico do médico é extenso. Diversas vítimas o denunciaram ao longo dos anos, mas apenas uma acusação chegou a julgamento antes deste caso. Em 2016, Yazeji foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão por violação sexual mediante fraude — abusos cometidos durante consultas, valendo-se da autoridade médica sobre as pacientes. Cumpriu um ano e dois meses e deixou a prisão em outubro de 2021.

Após o incidente de 2022, o hospital o desligou dos plantões. Ainda assim, seu registro profissional não foi cassado, e ele mantém consultório particular em um shopping na Barra da Tijuca. O médico não se manifestou publicamente sobre as acusações.

O Cremerj aplicou censura pública em janeiro de 2023 — a terceira sanção mais grave prevista em lei — e abriu sindicância para apurar o novo abuso. A Polícia Civil segue com as diligências. O caso torna visível uma falha no sistema de proteção: um profissional com condenação comprovada por abuso sexual permanece com acesso a pacientes, enquanto os mecanismos de controle avançam em ritmo que não acompanha o risco.

Um neurocirurgião de 72 anos, já condenado por crime sexual, enfrenta nova investigação por abuso contra uma paciente no Rio de Janeiro. O caso traz à tona um padrão preocupante: um profissional que cumpriu pena, mantém sua licença médica e continua atendendo em consultório particular.

O episódio ocorreu em novembro de 2022, quando a mulher procurou o Centro de Emergência Regional, na região central da cidade. Durante a consulta, Salim Michel Yazeji perguntou se ela era casada e tentou abrir suas nádegas sem consentimento. A paciente relatou o ocorrido à polícia, acionando a Delegacia de Atendimento à Mulher, que agora conduz as investigações.

Este não é o primeiro caso envolvendo o médico. Várias vítimas já denunciaram abuso ao longo dos anos, mas apenas uma acusação chegou a julgamento antes desta. Em 2016, Yazeji foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão por violação sexual mediante fraude — crime cometido durante consultas médicas, onde aproveitava sua posição de autoridade para abusar de pacientes. Cumpriu um ano e dois meses da sentença e saiu da prisão em outubro de 2021.

Após o incidente de 2022, o hospital o desligou do plantão, mas não houve revogação de seu registro profissional junto ao conselho de medicina. Hoje, ele mantém um consultório particular em um shopping na Barra da Tijuca, continuando a atender pacientes. O médico não se pronunciou sobre as acusações quando procurado.

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro informou que julgou Yazeji em janeiro de 2023, aplicando censura pública — a terceira punição mais severa prevista pela legislação. O conselho também abriu sindicância para investigar o abuso de novembro de 2022. A Polícia Civil, por sua vez, segue realizando diligências para esclarecer os fatos. O caso evidencia uma lacuna no sistema: um profissional com histórico comprovado de abuso sexual continua com acesso a pacientes vulneráveis, apesar das condenações anteriores.

O médico perguntou se ela era casada e tentou abrir as nádegas dela em uma das consultas
— Relato da paciente à TV Globo
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Como um médico condenado por crime sexual consegue manter seu registro profissional e consultório?

Model

O registro profissional é controlado pelo conselho de medicina, não pela justiça criminal. Mesmo após condenação penal, o conselho precisa fazer seu próprio julgamento disciplinar — o que levou tempo e só aconteceu em janeiro de 2023, quase dois anos depois do novo crime.

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E por que ele foi desligado do hospital mas não perdeu a licença?

Model

São esferas diferentes. O hospital pode desligar um funcionário por decisão administrativa. Mas revogar um registro profissional é mais complexo — exige processo formal no conselho. Enquanto isso, ele abriu consultório particular.

Inventor

A mulher que denunciou em 2022 — ela sabia do histórico dele?

Model

Provavelmente não. Pacientes não têm acesso fácil ao histórico disciplinar de médicos. Ela procurou uma emergência e foi atendida por alguém que já tinha sido condenado antes, mas isso não estava visível para ela.

Inventor

O que significa censura pública como punição?

Model

É uma repreensão formal publicada. Grave, sim, mas não revoga a licença. O médico continua podendo trabalhar, apenas com seu nome marcado no conselho.

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Então ele pode continuar atendendo?

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Tecnicamente sim, enquanto a sindicância do conselho não resultar em revogação. A investigação policial é separada — pode levar a novo processo criminal. Mas até lá, ele segue com seu consultório.

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