MDB avança e Porto Alegre terá segundo turno entre Melo e Manuela

Nossos adversários são os problemas da cidade
Manuela D'Ávila recusa a ideia de ter um adversário preferido no segundo turno.

Na capital gaúcha, onde o destino político raramente segue o roteiro previsto, as urnas do primeiro turno revelaram um novo arranjo de forças: Sebastião Melo e Manuela D'Ávila avançaram ao segundo turno, enquanto o prefeito Marchezan Júnior — favorito das pesquisas — foi eliminado pela margem de pouco mais de treze mil votos. O resultado, moldado em parte pela retirada estratégica de Fortunati na reta final, lembra que em democracia o tabuleiro pode ser reconfigurado até o último momento, e que Porto Alegre ainda terá de escolher, entre dois projetos distintos de cidade, qual caminho seguirá.

  • A retirada de Fortunati uma semana antes do pleito redistribuiu votos de forma decisiva, retirando Marchezan da disputa e surpreendendo até as pesquisas que davam 40% a Manuela e apenas 25% a Melo.
  • O prefeito tucano, já fragilizado por um processo de impeachment, viu sua tentativa de reeleição desmoronar com apenas 21,07% dos votos válidos.
  • A apuração foi tão lenta que o Tribunal Regional Eleitoral precisou reiniciar o sistema de contagem, enquanto a abstenção atingiu 33% do eleitorado de 1,1 milhão de aptos.
  • Manuela enfrenta o desafio de conquistar o eleitorado de centro-direita de Marchezan e denunciou o silêncio dos adversários homens diante de ataques machistas nos debates.
  • Porto Alegre chega ao segundo turno polarizada entre dois projetos opostos, com Melo consolidando o impulso da última semana e Manuela buscando ampliar sua base além do campo progressista.

Porto Alegre terá segundo turno entre Sebastião Melo, do MDB, e Manuela D'Ávila, do PCdoB. Com 100% das urnas apuradas, Melo terminou com 31,01% dos votos válidos e Manuela com 29% — uma diferença de 13.018 votos que eliminou o prefeito Nelson Marchezan Júnior, do PSDB, que ficou com 21,07% e buscava reeleição mesmo envolvido em processo de impeachment.

O resultado contrariou as pesquisas, que apontavam para um confronto entre Melo e Marchezan com vantagem para o tucano. A virada teve nome e data: uma semana antes do pleito, José Fortunati retirou sua candidatura e declarou apoio a Melo, reorientando o fluxo de votos e alterando profundamente a dinâmica da disputa. Melo afirmava ter sentido essa mudança de clima nas ruas, especialmente na reta final — mesmo que o Ibope do sábado anterior ainda lhe atribuísse apenas 25%, contra 40% de Manuela.

Manuela, que já disputou a prefeitura em duas ocasiões anteriores, terá agora o desafio de conquistar eleitores de centro-direita, sobretudo os que votaram em Marchezan. A candidata do PCdoB disse não ter preferência sobre o adversário no segundo turno, mas levantou uma questão que marcou a campanha: durante os debates, foi alvo de ataques de natureza machista e lamentou o silêncio dos demais candidatos homens diante dessas situações, esperando maior equilíbrio nos próximos encontros.

O dia da votação também foi marcado por problemas operacionais — a lentidão na apuração foi tão grave que o Tribunal Regional Eleitoral precisou reiniciar o sistema de contagem. A abstenção atingiu 33% do eleitorado, e entre as curiosidades do pleito, um drone da Polícia Federal flagrou um homem distribuindo propaganda eleitoral irregular pelas ruas da cidade. Além da prefeitura, os porto-alegrenses elegeram seus 36 vereadores para a Câmara Municipal.

Porto Alegre terá segundo turno. Quando as urnas fecharam no domingo e a apuração se completou, ficou claro que Sebastião Melo, do MDB, e Manuela D'Ávila, do PCdoB, seriam os dois nomes em disputa pela prefeitura da capital gaúcha. Com 100% dos votos contabilizados, Melo terminou com 31,01% dos votos válidos, enquanto Manuela alcançou 29% — uma diferença de 13.018 votos que selou o destino de Nelson Marchezan Júnior, o prefeito tucano que buscava reeleição e ficou para trás com 21,07%.

O resultado surpreendeu em relação às expectativas que circulavam antes da votação. As pesquisas apontavam para um confronto entre Melo e Marchezan, com o PSDB levando vantagem. Mas uma semana antes do pleito, José Fortunati, do PTB, retirou sua candidatura e declarou apoio ao emedebista. Esse movimento reconfigurou o tabuleiro político da cidade. Os votos que poderiam ter se distribuído entre vários candidatos convergiram para Melo, alterando significativamente a trajetória da campanha. Marchezan, que havia vencido Melo no segundo turno de 2016, agora via sua chance de reeleição desaparecer — complicado ainda mais pelo fato de estar envolvido em um processo de impeachment.

Melo demonstrava confiança nos dias finais. Ele afirmava ter sentido a mudança de clima na campanha especialmente na reta final, quando o eleitor toma suas decisões com mais intensidade. Apontava o acolhimento recebido na última semana como sinal de que chegaria ao segundo turno, algo que via refletido nas manifestações de apoio que recebia pelas ruas. A pesquisa Ibope divulgada no sábado anterior à votação, porém, havia indicado cenário bem diferente: 40% para Manuela e apenas 25% para ele.

Manuela, que já havia disputado a prefeitura de Porto Alegre em duas ocasiões anteriores, enfrentava agora o desafio de conquistar votos para avançar. Ela precisaria buscar apoio entre eleitores de centro-direita, particularmente aqueles que haviam votado em Marchezan. A candidata do PCdoB afirmava não ter preferência sobre quem enfrentaria no segundo turno, dizendo que seus adversários verdadeiros eram os problemas da cidade. Mas ela também levantava questão importante sobre a campanha que havia transcorrido: durante os debates, havia sido alvo de acusações de natureza machista, e lamentava o silêncio dos demais candidatos homens diante dessa violência pública. Esperava maior equilíbrio nos próximos encontros.

O processo de apuração em Porto Alegre, como em outras cidades do país, foi marcado por lentidão significativa. O atraso foi tão pronunciado que o Tribunal Regional Eleitoral precisou reiniciar o sistema de contagem. A capital gaúcha tinha aproximadamente 1,1 milhão de eleitores aptos a votar, e além da disputa pela prefeitura, os porto-alegrenses também elegeram seus 36 vereadores para a Câmara Municipal. A abstenção foi elevada, atingindo 33% do eleitorado.

Entre as particularidades do pleito, a segurança recebeu reforço especial. A Polícia Federal utilizou 16 drones no Estado, e um deles flagrou um homem distribuindo propaganda eleitoral nas ruas da cidade — um detalhe que chamou atenção em meio aos problemas operacionais que marcaram o dia da votação. Agora, Porto Alegre se prepara para o segundo turno, com Melo buscando consolidar o apoio que recebeu na semana final de campanha, e Manuela tentando expandir sua base entre eleitores que ainda não haviam definido seu voto.

Eu fui sentir a eleição mais no final porque a decisão do eleitor fica mais a flor da pele. Estou muito convencido que o acolhimento da última semana nos levaria para o segundo turno.
— Sebastião Melo
Vocês acompanharam a violência a qual eu fui submetida nos debates e o silêncio de todos os candidatos homens em relação a essa violência em público.
— Manuela D'Ávila
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que a retirada de Fortunati mudou tanto o jogo?

Model

Quando um candidato sai uma semana antes e leva seu apoio para outro, você está falando de votos que estavam dispersos se concentrando. Fortunati tinha seu eleitorado, e aquele apoio explícito funcionou como um sinal para outros eleitores indecisos.

Inventor

Marchezan estava tão confiante assim?

Model

Ele acreditava nas pesquisas, que o colocavam à frente. Mas a urna disse outra coisa. Ele mesmo reconheceu que em 2016 as pesquisas erraram por 11 pontos, então talvez houvesse esperança. Não havia.

Inventor

Manuela enfrentou algo específico nos debates?

Model

Sim. Ela foi alvo de acusações machistas, e ninguém entre os candidatos homens se posicionou contra isso publicamente. Ela está pedindo que o segundo turno seja diferente.

Inventor

Como ela consegue votos de centro-direita se é do PCdoB?

Model

Não é fácil. Mas Marchezan saiu, e seus eleitores precisam ir para algum lugar. Manuela espera que a rejeição a Melo seja maior que a ideologia.

Inventor

A abstenção de 33% é normal?

Model

É alta. Significa que um terço dos eleitores aptos não compareceu. Isso deixa espaço para mobilização no segundo turno — quem conseguir trazer esses ausentes de volta pode mudar o resultado.

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