Martha Lillard, última americana dependente de 'pulmão de aço', morre aos 78 anos

Martha Lillard contraiu poliomielite aos cinco anos, causando paralisia parcial e comprometimento respiratório que a manteve dependente de equipamento médico por 72 anos.
Obrigada. É maravilhoso entrar nisso. Foi o que salvou minha vida.
Martha explicava sua relação com o pulmão de aço, o equipamento que a manteve viva por 72 anos.

Com a morte de Martha Lillard, aos 78 anos, encerra-se um dos últimos elos humanos com uma era da medicina marcada pela poliomielite e pela máquina que desafiou a morte: o pulmão de aço. Por mais de sete décadas, esse cilindro metálico foi o seu pulmão, o seu lar e, paradoxalmente, a sua liberdade. A história de Martha não é apenas a de uma sobrevivente — é a de uma época inteira que respirou por um fio e, ainda assim, encontrou maneiras de viver.

  • Martha contraiu poliomielite aos cinco anos, em 1953, apenas dois anos antes de a vacina salvar outras crianças — uma crueldade de calendário que moldou toda a sua existência.
  • Médicos previram que ela não chegaria aos 20 anos; ela viveu 72 anos dentro do equipamento, pintando, viajando e cuidando de cães, desafiando cada prognóstico.
  • Manter o pulmão de aço tornou-se uma batalha paralela: peças raras, técnicos desaparecidos e uma busca que a levou a comprar um aparelho de um desconhecido no Utah.
  • A síndrome pós-pólio e as complicações da Covid longa aceleraram sua dependência total do equipamento nos anos finais, até a insuficiência pulmonar crônica vencer.
  • Com sua morte, a última geração de sobreviventes que viveu presa a essas máquinas extraordinárias se foi — Martha era a última, após Paul Alexander falecer em março de 2024.

Martha Ann Lillard morreu em 26 de junho, aos 78 anos, levando consigo uma das últimas ligações vivas com a era da poliomielite americana. Por mais de sete décadas, ela dependeu de um pulmão de aço — o cilindro metálico que envolvia quase todo o seu corpo e respirava por ela, através de mudanças de pressão que faziam o tórax se expandir e contrair.

Tudo começou em 1953, quando Martha tinha cinco anos. A poliomielite comprometeu seus pulmões e causou paralisia parcial. O timing foi cruel: ela adoeceu apenas dois anos antes de a vacinação começar nos Estados Unidos. Após meses internada, saiu do hospital ainda presa ao equipamento que a acompanharia pelo resto da vida. Tentou outros métodos de ventilação ao longo dos anos, mas nunca se adaptou. Em entrevista à Rádio Diaries, ela descreveu sua relação com a máquina com uma gratidão que surpreende: "Às vezes, quando chego lá, digo: 'obrigada'. Foi o que esteve lá e que salvou minha vida."

Moradora de Shawnee, Oklahoma, Martha construiu uma existência que desafiava as expectativas médicas. Médicos disseram à família que ela dificilmente chegaria aos 20 anos. Em vez disso, frequentou a escola, pintava, assistia a filmes clássicos, cuidava de cães beagle e chegou a viajar em um trailer adaptado. Sua irmã Cindy McVey resumiu o que a mantinha viva: "Ela tinha entusiasmo e determinação para continuar vivendo e aproveitar a vida ao máximo."

Nos últimos anos, a saúde se deteriorou. A síndrome pós-pólio e complicações da Covid longa a fizeram depender do equipamento em tempo integral. Manter o pulmão de aço também se tornara cada vez mais difícil — peças de reposição e técnicos especializados praticamente desapareceram, e Martha precisou comprar um aparelho de um homem no Utah para continuar sobrevivendo.

Ela se tornou a última usuária conhecida do equipamento nos Estados Unidos após a morte de Paul Alexander, em março de 2024 — o advogado que escreveu memórias e pintava segurando um pincel com a boca. Agora, com a partida de Martha, aquela geração que respirou por máquinas extraordinárias se foi por completo.

Martha Ann Lillard morreu em 26 de junho aos 78 anos, levando consigo uma das últimas ligações vivas com uma era da medicina americana que muitos acreditavam já ter ficado para trás. Durante mais de sete décadas, ela dependeu de um pulmão de aço — aquele cilindro metálico monumental que envolvia quase todo o seu corpo, deixando apenas a cabeça de fora — para respirar. Sua morte marca o encerramento de um capítulo singular na história da poliomielite nos Estados Unidos, um período em que essa máquina, criada em 1928 por pesquisadores de Harvard, era a diferença entre a vida e a morte.

Tudo começou em 1953, quando Martha tinha cinco anos. A poliomielite a acometeu, deixando seus pulmões funcionando com apenas uma fração de sua capacidade normal e causando paralisia parcial. O timing foi cruel: ela contraiu a doença apenas dois anos antes de a vacinação contra a poliomielite começar nos Estados Unidos. Após cerca de seis meses internada, ela saiu do hospital ainda presa ao equipamento que a acompanharia pelo resto da vida. O pulmão de aço funcionava através de mudanças de pressão que faziam o tórax se expandir e contrair, compensando os pulmões que não conseguiam fazer o trabalho sozinhos.

Durante as grandes epidemias das décadas de 1940 e 1950, centenas de pessoas dependiam dessas máquinas. Mas com a aprovação da vacina em 1955 e o desenvolvimento de respiradores modernos, os pulmões de aço desapareceram rapidamente dos hospitais. Martha foi uma exceção notável. Ela tentou outros métodos de ventilação ao longo dos anos, mas nunca se adaptou. Em uma entrevista à Rádio Diaries, ela explicou sua relação com o equipamento com uma gratidão que surpreende: "Eu preferiria não precisar disso. Mas às vezes, quando chego lá, digo: 'obrigada'. É maravilhoso entrar nisso. Foi o que esteve lá e que salvou minha vida."

Moradora de Shawnee, Oklahoma, Martha construiu uma vida que desafiava as expectativas médicas. Médicos disseram a sua família que ela dificilmente chegaria aos 20 anos. Em vez disso, ela frequentou a escola, depois continuou com aulas particulares, pintava, assistia a filmes clássicos e cuidava de cães beagle. Com o apoio da família, viajou em um trailer adaptado e até dirigiu por um período. Seu pai conversou com hotéis para garantir que tivessem espaço para acomodar o equipamento. Sua irmã mais jovem, Cindy McVey, resumiu o que mantinha Martha viva: "Ela tinha entusiasmo e determinação para continuar vivendo e aproveitar a vida ao máximo."

Nos últimos anos, porém, sua saúde se deteriorou. Martha desenvolveu síndrome pós-pólio — uma complicação que afeta alguns sobreviventes de poliomielite décadas depois — e posteriormente enfrentou complicações da Covid longa. Ela passou a depender do pulmão de aço em tempo integral. A certidão de óbito listou insuficiência pulmonar crônica e síndrome pós-pólio como fatores associados à sua morte.

Manter o equipamento que a sustentava tornou-se cada vez mais difícil. Os pulmões de aço foram fabricados principalmente entre as décadas de 1940 e 1960. À medida que o tempo passava, peças de reposição e técnicos especializados praticamente desapareceram. Na década de 1990, Martha procurou hospitais e museus que ainda guardassem aparelhos antigos, mas acabou comprando um equipamento de um homem em Utah, que utilizou até o final de sua vida.

Martha tornou-se a última usuária conhecida de um pulmão de aço nos Estados Unidos após a morte de Paul Alexander em março de 2024. Alexander, conhecido como "o homem do pulmão de aço", também havia contraído poliomielite na infância e viveu mais de 70 anos dentro do equipamento. Ele se formou em direito, escreveu um livro de memórias e criou pinturas segurando um pincel com a boca. Agora, com a morte de Martha, aquela geração de sobreviventes que viveu presa a essas máquinas extraordinárias se foi completamente.

Ela tinha entusiasmo e determinação para continuar vivendo e aproveitar a vida ao máximo
— Cindy McVey, irmã de Martha Lillard
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que a história de Martha importa agora, quando a poliomielite parece tão distante?

Model

Porque ela era a última testemunha viva de uma época em que a medicina funcionava de forma muito diferente. Seu corpo contava a história de uma doença que aterrorizava os americanos, e de como a vacinação mudou tudo — exceto para ela.

Inventor

Ela tentou outras formas de respiração, mas rejeitou todas. O que isso diz sobre a relação entre uma pessoa e a máquina que a mantém viva?

Model

Diz que não é apenas uma questão técnica. Martha conhecia seu corpo melhor do que qualquer médico. O pulmão de aço não era apenas eficiente para ela — era confortável, era familiar, era a coisa que a salvou quando era criança. Rejeitar isso seria rejeitar a si mesma.

Inventor

Médicos disseram que ela morreria aos 20 anos. Ela viveu até os 78. Como se explica isso?

Model

Determinação pura. Sua irmã disse que Martha tinha entusiasmo para viver. Ela pintava, viajava, dirigia. Não era alguém resignada ao equipamento — era alguém que o usava para fazer mais, não menos.

Inventor

A morte de Paul Alexander em 2024 deixou Martha sozinha. Como deve ter sido ser a última?

Model

Isolador. Ela era um fóssil vivo de uma era médica que havia desaparecido. Não havia mais ninguém que entendesse exatamente o que era viver assim. E quando ela morreu, aquela geração inteira se foi.

Inventor

O que sua morte significa para a história da poliomielite?

Model

Que a vacinação funcionou. Que a medicina avançou. Mas também que algumas pessoas pagaram um preço que ninguém mais terá que pagar. Martha foi a última a carregar esse peso.

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