Este homem não pode ser Presidente, nem vai ser
A menos de três meses das eleições presidenciais portuguesas, o candidato Luís Marques Mendes confrontou publicamente André Ventura com uma acusação que vai além da política partidária: a de que o líder do Chega não serve o cargo que ambiciona, porque divide onde deveria unir. Numa feira em Tomar, longe dos estúdios, Marques Mendes invocou a essência da presidência como guardiã da democracia e da coesão nacional — e concluiu que Ventura representa o seu contrário. É um momento em que a campanha deixa de ser apenas sobre candidatos e passa a ser sobre o que os portugueses entendem por república.
- A referência de Ventura a 'três Salazares' como necessidade de Portugal acendeu uma reação imediata e sem rodeios de Marques Mendes, que a classificou de 'simplesmente lamentável'.
- A acusação mais grave não é retórica: Marques Mendes afirma que Ventura quer destruir a democracia, não reforçá-la, e que usa a candidatura presidencial como palco para provocação e ruído.
- Por baixo da crítica política, Marques Mendes lança uma tese estratégica: Ventura não quer Belém — quer São Bento, e a presidencial é apenas um instrumento para esse fim.
- Outros candidatos também estavam no terreno — Seguro em Mértola, Cotrim de Figueiredo em campanha liberal — cada um a afirmar independência e proximidade aos eleitores reais.
- Ventura, na Madeira, respondeu com confiança nos resultados autárquicos do Chega e prometeu continuar uma campanha que diz ser sobre causas, não sobre pessoas — numa eleição que é, por natureza, profundamente pessoal.
Faltam menos de três meses para as presidenciais e os candidatos já estão nas feiras e mercados, onde os eleitores vivem. Foi numa dessas visitas — à Feira de Santa Iria em Tomar — que Luís Marques Mendes escolheu o momento para atacar frontalmente André Ventura.
O estopim foi uma entrevista recente de Ventura à SIC, na qual o presidente do Chega sugeriu que Portugal precisava de 'três Salazares'. Marques Mendes chamou a isto 'simplesmente lamentável' e foi mais longe: acusou Ventura de querer dividir os portugueses, de não respeitar as instituições democráticas e de usar a candidatura presidencial não como vocação, mas como estratégia para 'criar ruído, confusão e provocação'. A sua conclusão foi direta: Ventura não pode nem vai ser Presidente da República. E acrescentou uma leitura sobre as verdadeiras ambições do rival — o que Ventura quer, na sua opinião, é ser primeiro-ministro.
Enquanto este confronto dominava o dia, outros candidatos percorriam o país. António José Seguro visitava a Feira da Caça em Mértola, prometendo dar voz ao Interior, e garantia que não mudaria o seu estilo para agradar a críticos. João Cotrim de Figueiredo afirmava, pela Iniciativa Liberal, que não ficaria preso à representação do seu partido.
André Ventura, entretanto, estava na Madeira, celebrando os resultados autárquicos do Chega e prometendo continuar a campanha. Insistiu que ela é sobre uma causa, não sobre pessoas — uma afirmação que soa paradoxal numa eleição que é, por natureza, a mais pessoal do sistema político português. Com doze domingos ainda pela frente, as acusações de hoje têm tempo para ecoar e crescer.
Faltam menos de três meses para as eleições presidenciais, e os candidatos estão nas ruas, nas feiras, nos mercados — onde os eleitores realmente estão. É aqui que as campanhas ganham corpo, longe dos estúdios de televisão, entre o barulho das pessoas e a realidade do contacto direto.
Luís Marques Mendes, o antigo líder do PSD agora candidato a Belém, não andou com meias palavras. Numa visita à Feira de Santa Iria em Tomar, no distrito de Santarém, descarregou críticas ferozes sobre André Ventura. O que o irritou foi uma entrevista recente que Ventura deu à SIC, na qual o presidente do Chega sugeriu que Portugal precisava de "três Salazares". Marques Mendes chamou a isto "simplesmente lamentável".
A acusação é grave e vai ao cerne do que Marques Mendes acredita que deve ser a presidência. Segundo ele, o país precisa de um Presidente que una os portugueses, não que os divida. Ventura, na sua leitura, é exatamente o oposto — um homem que está ali para "pôr uns contra os outros". Marques Mendes foi além: disse que Ventura não respeita nada nem ninguém, que quer destruir a democracia em vez de a reforçar. A conclusão foi direta e sem ambiguidades: "Este homem não pode ser Presidente da República, nem vai ser".
Mas há mais na análise de Marques Mendes. Ele acredita que Ventura não quer realmente ser Presidente — quer ser primeiro-ministro. A candidatura presidencial, na sua opinião, é apenas um instrumento para "criar ruído, confusão e provocação". É uma estratégia, não uma vocação genuína para o cargo.
Enquanto isto, outros candidatos também estavam no terreno. António José Seguro visitava a Feira da Caça em Mértola, prometendo dar voz ao Interior do país. Quando confrontado com críticas, Seguro respondeu que não se deixa condicionar — que não vai mudar o seu estilo ou as suas posições apenas para agradar. João Cotrim de Figueiredo, pela Iniciativa Liberal, também garantiu que não ficará preso às amarras da representação do seu partido.
André Ventura, entretanto, estava na Madeira, aproveitando os resultados das autárquicas para reafirmar que o Chega está em crescimento e que vai cumprir os seus objetivos nas presidenciais. Prometeu voltar à Madeira em breve para continuar a campanha, embora insista que ela é sobre uma causa, não sobre pessoas — uma afirmação que soa estranha numa eleição que é, por natureza, profundamente pessoal.
O que está em jogo aqui é fundamental: a visão de que tipo de Presidente Portugal precisa. Marques Mendes vê a presidência como um cargo de unidade e defesa da democracia. Ventura, na perspetiva do antigo líder do PSD, representa o oposto — divisão, provocação, desrespeito pelas instituições. Com doze domingos ainda a separar esta pré-campanha do dia das eleições, estas acusações vão ecoar e intensificar-se.
Citas Notables
O país precisa de um Presidente que una os portugueses. Este homem está aqui para os pôr uns contra os outros.— Luís Marques Mendes
Ele quer dividir os portugueses, eu quero unir. Ele quer minar e até destruir a democracia. Eu quero reforçar a qualidade da nossa democracia.— Luís Marques Mendes
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Porque é que Marques Mendes escolheu atacar Ventura tão duramente neste momento, numa feira, e não num debate formal?
Porque é onde os eleitores estão. Uma feira é onde a campanha é real — não é encenação. E porque as palavras de Ventura sobre "três Salazares" tocaram num nervo. Não é apenas retórica; é uma questão de princípio sobre o que a presidência deve ser.
Mas Ventura está em crescimento. Os números das autárquicas mostram isso. Como é que Marques Mendes responde a isso?
Não responde com números. Responde com uma questão moral: crescimento para quê? Para unir ou para dividir? Marques Mendes acredita que o crescimento de Ventura é baseado em provocação, não em visão genuína.
E quanto a Seguro? Porque é que ele está tão quieto nesta história?
Seguro está a fazer o seu trabalho — a estar presente, a ouvir, a garantir que não se deixa condicionar. Mas a verdade é que o confronto real agora é entre Marques Mendes e Ventura. São os dois polos opostos.
Ventura diz que a sua campanha é sobre uma causa, não sobre pessoas. Acredita nisso?
Não. Numa eleição presidencial, tudo é pessoal. É sobre quem quer ser o chefe de Estado. Ventura sabe isto, mas precisa de enquadrar a sua candidatura de forma diferente porque sabe que muitos portugueses têm receio do que ele representa.
Então isto é sobre democracia ou sobre poder?
É sobre ambos. Marques Mendes está a dizer que Ventura quer poder a qualquer custo, mesmo que isso signifique danificar as instituições democráticas. É uma acusação séria, e é por isso que ele a faz em público, nas feiras, onde as pessoas podem ouvir e decidir por si mesmas.