Metade dos idosos protegida, mas a incerteza à porta
A meio de março de 2021, Portugal atravessava um momento de esperança cautelosa na sua campanha de vacinação contra a Covid-19: mais de metade dos cidadãos com 80 ou mais anos já tinha recebido a primeira dose, sinalizando que os mais vulneráveis começavam a encontrar alguma proteção. Contudo, a decisão de suspender a vacina da AstraZeneca para investigação de reações adversas lançava uma sombra de incerteza sobre o ritmo que o país conseguiria manter nas semanas seguintes.
- Portugal ultrapassou a marca dos 53% de vacinação nos maiores de 80 anos, com mais de 349 mil pessoas a receberem a primeira dose — um sinal claro de que a proteção dos mais vulneráveis avançava a bom ritmo.
- A nível nacional, o progresso era ainda modesto: apenas 8% da população tinha a primeira dose e 3% a vacinação completa, revelando o longo caminho que restava percorrer.
- Disparidades regionais tornavam-se evidentes, com o Alentejo a liderar percentualmente e Lisboa a dominar em números absolutos, enquanto o interior mostrava coberturas proporcionalmente mais elevadas.
- Mais de 200 mil doses permaneciam armazenadas sem ser distribuídas — uma reserva que estava prestes a crescer com a suspensão abrupta da vacina da AstraZeneca.
- A decisão de suspender a AstraZeneca, após relatos de reações adversas em toda a Europa, introduziu uma incerteza significativa que ameaçava abrandar o ritmo da campanha nas semanas seguintes.
Em meados de março de 2021, Portugal alcançou um marco simbólico na sua campanha de vacinação: 53% das pessoas com mais de 80 anos tinham recebido a primeira dose da vacina contra a Covid-19, num total de 349.269 indivíduos. Destes, 104.011 — cerca de 16% do grupo etário — já tinham completado o esquema vacinal com a segunda dose, segundo o relatório da Direção-Geral da Saúde.
A nível nacional, o panorama era mais contido. Cerca de 827.902 pessoas, equivalentes a 8% da população, tinham a primeira dose, enquanto 341.034 — apenas 3% — estavam completamente vacinadas. Só na semana entre 7 e 14 de março, mais de 85 mil pessoas iniciaram o processo e 46 mil completaram-no.
O avanço era desigual tanto por faixa etária como por região. Entre os 65 e os 79 anos, mais de 75 mil pessoas tinham a primeira dose; nos grupos mais jovens, os números caíam drasticamente. Geograficamente, o Alentejo liderava em termos percentuais com 13% da população vacinada, enquanto Lisboa dominava em volume absoluto. O Centro destacava-se com 12% de cobertura na primeira dose.
Por detrás dos números positivos, porém, acumulava-se uma tensão crescente. Portugal tinha mais de 200 mil doses armazenadas sem distribuição — e essa reserva estava prestes a aumentar. Na véspera da publicação do relatório, o país suspendeu a administração da vacina da AstraZeneca para investigar reações adversas reportadas noutros países europeus, numa decisão que espelhava a preocupação generalizada num continente onde dezenas de casos adversos tinham surgido em 17 milhões de doses administradas. Com 450 mil doses desta vacina já inoculadas em Portugal e outras 200 mil em armazém, a suspensão introduzia uma incerteza real sobre o ritmo que a campanha conseguiria manter nas semanas seguintes.
No meio de março de 2021, Portugal tinha vacinado mais de metade da sua população mais idosa. Segundo o relatório divulgado pela Direção-Geral da Saúde na terça-feira, 53% das pessoas com mais de 80 anos já tinham recebido a primeira dose da vacina contra a Covid-19 — um total de 349.269 pessoas. Deste grupo, 104.011 já tinham completado o esquema vacinal com a segunda dose, representando 16% do universo de maiores de 80 anos.
Em termos nacionais, o progresso era mais modesto. Cerca de 8% da população portuguesa — 827.902 pessoas — tinha recebido a primeira dose, enquanto apenas 3% — 341.034 pessoas — tinha a vacinação completa. A semana anterior tinha sido produtiva: entre 7 e 14 de março, mais 85.498 pessoas receberam a primeira injeção e 46.033 completaram o esquema vacinal.
Os números revelavam também o avanço em outras faixas etárias. Entre os 65 e os 79 anos, 75.470 pessoas tinham recebido a primeira dose, com 32.051 já vacinadas completamente. Na faixa dos 50 aos 64 anos, 200.596 tinham a primeira dose e 73.759 estavam completamente vacinadas. Grupos mais jovens avançavam mais lentamente: entre os 25 e os 49 anos, 185.603 tinham iniciado o processo; entre os 18 e os 24 anos, apenas 16.740; e praticamente ninguém com menos de 17 anos tinha sido vacinado.
A distribuição geográfica mostrava disparidades regionais significativas. Lisboa e Vale do Tejo liderava em números absolutos com 384.711 doses administradas, atingindo 7% da população com primeira dose e 3% com vacinação completa. O Norte, que tinha estado na dianteira na semana anterior, tinha 381.184 doses administradas, com 8% da população já vacinada e 3% completamente protegida. O Centro apresentava uma percentagem mais elevada: 12% da população tinha recebido a primeira dose e 5% estava completamente vacinada, apesar de números absolutos menores. O Alentejo liderava em termos percentuais, com 13% da população vacinada e 6% com esquema completo. O Algarve, a região mais pequena, tinha administrado 45.040 doses.
Por trás destes números havia uma complicação que se tornaria cada vez mais relevante. Portugal tinha recebido 1.468.929 doses até 14 de março, mas apenas distribuído 1.264.093, deixando mais de 200 mil vacinas armazenadas. Esta diferença estava prestes a aumentar significativamente. Na segunda-feira, o país decidiu suspender a administração da vacina da AstraZeneca enquanto investigava reações adversas reportadas noutros países europeus. Em Portugal, já tinham sido administradas 450 mil doses desta vacina, com outras 200 mil em armazém. A decisão refletia preocupações que afetavam toda a Europa, onde dezenas de casos adversos tinham sido registados num universo de 17 milhões de doses administradas.
O relatório da DGS, atualizado no final da tarde, oferecia um retrato de uma campanha de vacinação em ritmo acelerado mas ainda longe de cobrir a população em geral. Os idosos, grupo prioritário e mais vulnerável, estavam a ser protegidos a um ritmo significativo. Mas a suspensão da AstraZeneca introduzia uma incerteza que poderia abrandar o progresso nas semanas seguintes.
Notable Quotes
Até 14 de março, tinham sido recebidas 1.468.929 doses e distribuídas 1.264.093 doses, existindo pouco mais de 200 mil vacinas armazenadas— Direção-Geral da Saúde
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que é que 53% dos maiores de 80 anos é considerado um marco importante nesta altura?
Porque eram o grupo mais vulnerável. Morriam em proporções muito maiores. Proteger metade deles em março significava que a morte estava a recuar nesse grupo.
Mas apenas 16% tinha a vacinação completa. Isso não parece pouco?
Sim, mas lembre-se que as vacinas tinham dois passos. A primeira dose já oferecia proteção parcial. A segunda vinha duas ou três semanas depois. Portanto 53% com primeira dose significava que em breve muitos mais estariam completamente protegidos.
E o resto do país? 8% parecia muito baixo.
Era. Mas a estratégia era clara: idosos primeiro, depois grupos de risco, depois o resto. Não havia doses suficientes para fazer tudo ao mesmo tempo. Portugal estava a fazer o que podia com o que tinha.
Então por que suspender a AstraZeneca nessa altura?
Porque havia sinais de problemas graves noutros países. Alguns casos de coágulos. Não sabiam se era real ou coincidência, mas não podiam arriscar. Melhor parar e investigar do que continuar e descobrir depois que havia um problema.
Isso não atrasou tudo?
Bastante. Portugal tinha 200 mil doses da AstraZeneca em armazém. Não podiam usar. E havia mais a chegar. A campanha que estava a ganhar ritmo ficou subitamente mais lenta.