Apenas 12 pessoas conseguiram sair vivas dos escombros. O resto desapareceu.
Seis horas após serem deportados dos Estados Unidos e alojados em um hotel em La Guaira, 147 venezuelanos foram soterrados quando dois terremotos sucessivos — de magnitude 7,2 e 7,5 — destruíram o edifício que os abrigava. Apenas 12 sobreviveram. O desastre, o mais severo registrado na Venezuela em mais de um século, matou 1.450 pessoas e expôs, com crueldade implacável, a fragilidade daqueles devolvidos a uma terra que não os aguardava. O silêncio do governo sobre o destino dos deportados transforma o luto em incerteza — e a tragédia natural em crise humanitária.
- Dois terremotos com menos de um minuto de intervalo destruíram um hotel lotado de deportados recém-chegados, deixando mais de 140 pessoas — incluindo ao menos sete crianças — desaparecidas sob os escombros.
- Com 1.450 mortos, 774 edifícios danificados e uma réplica de magnitude 4,9 na sexta-feira, a Venezuela segue instável e suas cidades portuárias, em frangalhos.
- O governo venezuelano não divulgou nenhuma lista de vítimas ou sobreviventes entre os deportados, deixando famílias dependentes dos relatos fragmentados dos 12 que escaparam com vida.
- A política de deportação em massa de Trump, que já enviou mais de 5.700 venezuelanos de volta ao país, ganhou uma dimensão trágica e irreversível com o colapso do hotel em La Guaira.
- O que começou como um desastre sísmico se converteu em crise humanitária de contornos ainda indefinidos, onde a vulnerabilidade dos deportados foi amplificada pelo silêncio institucional.
Um grupo de 147 venezuelanos deportados pelos Estados Unidos chegou a Caracas na tarde de 25 de junho. As autoridades os levaram ao Hotel Sanitário La Llanada, em La Guaira. Seis horas depois, dois terremotos — de magnitude 7,2 e 7,5 — atingiram o país com menos de um minuto de intervalo. O edifício desabou. Apenas 12 pessoas saíram vivas. O resto desapareceu.
O timing foi de uma crueldade quase incompreensível. Homens, mulheres e pelo menos sete crianças haviam sido expulsos dos EUA sob a política de deportação em massa do presidente Trump — mais de 5.700 venezuelanos enviados de volta dessa forma. Este grupo em particular chegou e foi imediatamente colocado em um edifício que não resistiria ao que estava por vir. Ninguém podia saber que um dos eventos sísmicos mais significativos em mais de um século estava prestes a acontecer.
A devastação foi de escala histórica. Até o domingo, 1.450 pessoas haviam morrido. Outros 1.150 foram hospitalizados. Setecentos e setenta e quatro edifícios foram danificados ou destruídos — 189 em colapso total. Entre os mortos estavam dois brasileiros, confirmados pelo Itamaraty.
O governo venezuelano, porém, permanecia em silêncio sobre os deportados. Nenhuma lista de nomes, nenhum número oficial. O que se sabia vinha dos relatos dos 12 sobreviventes, que descreveram a fuga pelos escombros e a busca desesperada por parentes. Na sexta-feira, um novo tremor de magnitude 4,9 sacudiu a costa norte. A Venezuela continuava se movendo, continuava se quebrando — e as famílias dos desaparecidos continuavam esperando por respostas que não chegavam.
Um grupo de 147 venezuelanos deportados pelos Estados Unidos chegou a Caracas na tarde de quarta-feira, 25 de junho. Seis horas depois, a terra começou a tremer. As autoridades venezuelanas os haviam levado ao Hotel Sanitário La Llanada, em La Guaira, uma cidade portuária que se tornaria uma das mais devastadas pelo que viria a seguir. Quando os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram o país com menos de um minuto de intervalo, o edifício desabou sobre eles. Apenas 12 pessoas conseguiram sair vivas dos escombros. O resto desapareceu.
O timing foi brutal e quase incompreensível em sua crueldade. Esses homens, mulheres e crianças — pelo menos sete delas menores de idade — haviam sido expulsos dos Estados Unidos sob a política de deportação em massa implementada pelo presidente Donald Trump. Mais de 5.700 venezuelanos foram mandados de volta para casa dessa forma. Este grupo em particular chegou em Caracas e foi imediatamente colocado em um edifício que não resistiria ao que estava por vir. Ninguém sabia, ninguém podia saber, que um dos eventos sísmicos mais significativos registrados na Venezuela em mais de um século estava prestes a acontecer.
O terremoto foi devastador em escala. Até o domingo, o número de mortos havia chegado a 1.450 pessoas. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, divulgou os números em um discurso publicado nas redes sociais: 1.150 feridos receberam atendimento nos hospitais de La Guaira e nas unidades de saúde dos sete estados atingidos. Setecentos e setenta e quatro edifícios foram danificados ou destruídos — 189 sofreram colapso total, enquanto 585 tiveram danos estruturais ou desabamento parcial. Entre os mortos estavam dois brasileiros, um homem e uma mulher, confirmados pelo Itamaraty.
Mas o governo venezuelano permanecia em silêncio sobre o destino específico dos deportados. Nenhuma lista de nomes foi divulgada. Nenhum número oficial de mortos ou sobreviventes entre o grupo de 147 foi fornecido. O que se sabe vem de relatos de familiares que conseguiram falar com os 12 que escaparam — histórias de pessoas que saíram correndo dos escombros e tentaram encontrar seus parentes nos destroços. Mais de 140 pessoas permaneciam desaparecidas, e a máquina estatal não oferecia respostas.
Na sexta-feira, um novo terremoto de magnitude 4,9 foi registrado na costa norte do país. Testemunhas relataram que o chão tremeu novamente em Caracas e em Maracay. A Venezuela continuava se movimentando, continuava se quebrando, enquanto as famílias dos deportados esperavam por notícias que não chegavam. O desastre natural havia se transformado em uma crise humanitária com dimensões que ainda não eram totalmente compreendidas — uma tragédia que capturou, de forma terrível e inequívoca, a vulnerabilidade daqueles que haviam sido enviados de volta para um país que não os esperava.
Notable Quotes
O número de edifícios danificados ou que desabaram subiu para 774. Desses, 189 sofreram colapso total e 585 tiveram danos estruturais ou desabamento parcial— Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como é possível que 147 pessoas desapareçam assim, sem que o governo divulgue sequer uma lista de nomes?
O colapso foi instantâneo. O hotel desabou durante os terremotos. Em situações de desastre dessa magnitude, os registros administrativos muitas vezes se perdem junto com os edifícios. Mas sim, o silêncio do governo é notável — e preocupante.
Esses deportados chegaram apenas seis horas antes dos tremores. Parece quase impossível de acreditar.
É uma coincidência terrível. Eles foram colocados em um hotel específico pelas autoridades venezuelanas. Ninguém poderia ter previsto o terremoto, mas a falta de preparação para receber um grupo tão grande, em um edifício que não resistiria, revela algo sobre como essas deportações são gerenciadas.
Havia crianças no grupo?
Pelo menos sete crianças. Elas estavam entre os 147. Apenas 12 do grupo inteiro conseguiram escapar. Você pode imaginar o que isso significa para as famílias que estão esperando notícias.
E quanto aos números gerais de mortos?
1.450 pessoas morreram nos terremotos. Setecentos e setenta e quatro edifícios foram danificados ou destruídos. Mas esses números não dizem nada sobre quem eram essas pessoas ou por que estavam onde estavam. O grupo de deportados é apenas uma parte dessa história maior.
O governo Trump enviou mais de 5.700 venezuelanos de volta. Quantos deles estão em risco agora?
Essa é a pergunta que ninguém está fazendo publicamente. Esses 147 tiveram o azar de chegar no momento exato em que a terra começou a se mover. Mas há milhares de outros que foram deportados. Ninguém sabe em que condições eles estão vivendo agora.