Universidade do Porto exibe 125 mil insetos e peças raras em mostra até setembro

Devolver ao público acesso a um património que normalmente permanece longe dos circuitos expositivos
A exposição abre as coleções científicas da universidade, guardadas há séculos, ao conhecimento público.

Ao longo de mais de dois séculos, académicos, naturalistas e colecionadores foram depositando na Universidade do Porto fragmentos do mundo natural e humano — insetos, fósseis, esqueletos de baleias, artefatos megalíticos. Hoje, a exposição 'Maravilhário', patente até setembro no Polo Central do museu, devolve ao público esse espólio imenso e silencioso, lembrando que as grandes instituições científicas se constroem também pela generosidade de quem reconhece o valor de preservar e partilhar.

  • Mais de 125 mil insetos, 40 mil moluscos e centenas de peças arqueológicas estiveram guardados nos arquivos durante décadas, inacessíveis ao grande público.
  • A exposição reúne objetos de disciplinas tão distintas quanto paleontologia, etnografia e botânica, criando uma tensão produtiva entre a especialização científica e a visão de conjunto.
  • Peças como o esqueleto de uma baleia-azul encalhada em 1937 ou uma bússola usada em Moçambique nos anos 1960 carregam histórias que transcendem a catalogação científica.
  • A vice-reitora para a Cultura sublinha que o objetivo é evidenciar o papel das doações privadas na construção do conhecimento institucional — um modelo de ciência feita em comunidade.
  • A mostra está patente até 20 de setembro, posicionando-se como um convite urgente a repensar o que se esconde nos arquivos das universidades portuguesas.

A Universidade do Porto abriu ao público um tesouro acumulado ao longo de mais de dois séculos. Até 20 de setembro, o Polo Central do museu, instalado no edifício da Reitoria, acolhe 'Maravilhário', uma exposição que reúne mais de 125 mil insetos, dezenas de milhares de moluscos, fósseis, aves, instrumentos científicos e artefatos arqueológicos — tudo doado por académicos, naturalistas e particulares desde o final do século XVIII.

Entre os espécimes mais notáveis está o esqueleto de uma baleia-azul juvenil que encalhou em Matosinhos em 1937 e foi posteriormente oferecido à universidade. A mostra inclui também um herbário produzido por uma estudante em 1944, uma coleção de aracnídeos doada este ano por um biólogo neerlandês, e artefatos recolhidos em monumentos megalíticos e necrópoles portuguesas. Menos óbvios, mas igualmente reveladores, são uma bússola-pantómetro usada em trabalhos topográficos em Moçambique nos anos 1960 e a peça 'Rei a cavalo', da ceramista Rosa Ramalho.

Geologia, paleontologia, zoologia, arqueologia, etnografia e botânica convivem nas mesmas salas, refletindo a amplitude científica da instituição. Fátima Vieira, vice-reitora para a Cultura e Museus, sublinha que a iniciativa pretende destacar o papel das doações na construção das coleções universitárias — e devolver ao público um património que normalmente permanece nos arquivos. Cada objeto é, no fundo, um testemunho de como o conhecimento se constrói também pela generosidade de quem escolhe guardar e partilhar.

A Universidade do Porto abriu as portas de um tesouro acumulado ao longo de mais de dois séculos. Até 20 de setembro, o Polo Central do museu, instalado no edifício da Reitoria, exibe "Maravilhário", uma mostra que reúne mais de 125 mil insetos, dezenas de milhares de moluscos, esqueletos de baleias, fósseis, cerâmicas, instrumentos científicos e artefatos arqueológicos — tudo aquilo que académicos, naturalistas, colecionadores e particulares doaram à instituição desde o final do século XVIII até hoje.

O espólio é vasto e revelador. Além dos 125 mil insetos, o museu guarda 40 mil moluscos, 39 mil espécimes de herbário, 5.500 exemplares de árvores e arbustos, 4.450 aves, 2.500 aracnídeos, 1.150 fósseis e centenas de peças arqueológicas, etnográficas e geológicas. Entre os objetos mais notáveis está o esqueleto de uma baleia-azul juvenil que encalhou na Praia do Paraíso, em Matosinhos, em 1937, e foi posteriormente oferecido à universidade. Há também uma coleção de aracnídeos dedicada ao estudo dos escorpiões, doada este ano pelo biólogo neerlandês Arie van der Meijden, um herbário produzido por uma estudante da Faculdade de Ciências em 1944, e artefatos recolhidos em monumentos megalíticos e necrópoles portuguesas.

A exposição funciona como um retrato da amplitude científica que a instituição representa. Geologia, paleontologia, zoologia, arqueologia, etnografia e botânica convivem nas mesmas salas, cada disciplina trazendo consigo décadas ou séculos de investigação e preservação. Fátima Vieira, vice-reitora para a Cultura e Museus da Universidade do Porto, explica que a iniciativa pretende destacar o papel fundamental das doações na construção das coleções universitárias. Mais do que isso, a mostra devolve ao público acesso a um património que normalmente permanece nos arquivos, longe dos circuitos expositivos.

Entre os destaques menos óbvios está uma bússola-pantómetro utilizada em trabalhos topográficos no norte de Moçambique no início da década de 1960. Há também a peça "Rei a cavalo", da ceramista Rosa Ramalho, integrada numa das coleções de cerâmica recentemente incorporadas no acervo da universidade. Parte significativa da mostra provém da coleção reunida por José Teixeira da Silva Braga Júnior, que incluía milhares de aves, invertebrados, mamíferos, minerais e objetos arqueológicos relacionados com o mundo neotropical, além de instrumentos científicos e peças de arte popular.

O que "Maravilhário" propõe é uma viagem por histórias de colecionismo, investigação e partilha que moldaram uma das mais importantes coleções científicas e culturais do país. Cada objeto conta uma história de doação, de interesse académico, de preservação. A exposição funciona como um testemunho de como instituições de ensino superior se constroem não apenas através de pesquisa própria, mas também através da generosidade de quem reconhece o valor de guardar, estudar e partilhar conhecimento.

A exposição pretende destacar o papel das doações na construção das coleções da instituição e devolver esse património à comunidade
— Fátima Vieira, vice-reitora para a Cultura e Museus da Universidade do Porto
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Porque é que uma universidade precisa de 125 mil insetos guardados num museu?

Model

Porque a ciência funciona com padrões. Um inseto isolado é apenas um inseto. Milhares deles, catalogados e preservados, permitem aos investigadores entender evolução, distribuição geográfica, mudanças climáticas ao longo do tempo. É a diferença entre uma observação e uma conclusão.

Inventor

Mas estes objetos estão guardados há décadas. Porque é que agora os mostram ao público?

Model

Porque há uma mudança na forma como as universidades veem o seu papel. Não é apenas guardar — é partilhar. A vice-reitora fala em "devolver à comunidade". Há uma ideia de que este conhecimento não deve estar trancado.

Inventor

A baleia-azul de 1937 é um exemplo interessante. Como é que um animal que encalhou numa praia acaba num museu universitário?

Model

Alguém reconheceu o valor. Não era apenas uma carcaça — era um espécime raro, um registro de uma espécie, uma oportunidade de investigação. A doação à universidade transformou-a em conhecimento permanente.

Inventor

E as doações continuam a acontecer? O biólogo holandês doou uma coleção de escorpiões este ano.

Model

Sim. Há ainda pessoas que entendem que o lugar certo para uma coleção científica é uma instituição que a possa preservar, estudar e partilhar. É um ato de confiança.

Inventor

Qual é a importância de mostrar tudo isto junto — insetos, fósseis, cerâmicas, instrumentos topográficos?

Model

Mostra que a ciência não é compartimentada. Um geólogo, um arqueólogo e um zoólogo trabalham com métodos diferentes, mas com o mesmo objetivo: entender o mundo. A mostra faz isso visível.

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