Maiores de 58 anos lideram consumo de medicamentos psiquiátricos no Brasil

Mais de 472 mil brasileiros foram afastados do trabalho em 2024 por ansiedade e depressão, representando crescimento de 67% em relação a 2023.
Mantém adesão ao tratamento por quase o dobro do tempo que outras idades
Idosos com 58 anos ou mais demonstram maior continuidade no uso de medicamentos psiquiátricos.

No Brasil, o envelhecimento da população encontra a saúde mental em um cruzamento inevitável: brasileiros com 58 anos ou mais lideram o consumo de medicamentos psiquiátricos no país, representando mais de 30% do total, e permanecem em tratamento quase o dobro do tempo das demais faixas etárias. Um levantamento da Funcional, baseado em mais de 2,5 milhões de beneficiários, revela que o sofrimento psíquico não poupa gerações — cresce com a idade, avança entre adultos em plena vida produtiva e já afastou mais de 472 mil trabalhadores em 2024. O dado não é apenas estatístico: é o retrato de uma sociedade que adoece em silêncio e ainda busca estruturas capazes de ampará-la.

  • Transtornos mentais já são a terceira causa de afastamento do trabalho no Brasil, com 472 mil casos em 2024 — um salto de 67% em apenas um ano.
  • O uso de antidepressivos cresceu 12,4% entre adultos de 29 a 58 anos nos últimos dois anos, sinalizando que as pressões da vida moderna estão cobrando um preço crescente da população economicamente ativa.
  • Idosos acima de 58 anos não apenas lideram o consumo de psiquiátricos, mas mantêm adesão ao tratamento por 9,8 meses em média — quase o dobro das demais faixas —, sugerindo que o acesso subsidiado é determinante para a continuidade do cuidado.
  • Com o IBGE projetando que idosos serão 28% da população em 2046, a demanda por políticas de saúde mental e acesso a medicamentos tende a crescer de forma estrutural e irreversível.

Um levantamento da Funcional, empresa especializada em tecnologias para programas de suporte a pacientes, identificou que brasileiros com 58 anos ou mais concentram 30,6% de todo o consumo de medicamentos psiquiátricos no país. Mais do que liderar em volume, esse grupo se destaca pela adesão: permanece em tratamento por uma média de 9,8 meses, quase o dobro dos seis meses observados nas demais faixas etárias.

O estudo acompanhou mais de 2,5 milhões de beneficiários do Benefício Farmácia entre agosto de 2024 e julho de 2025 e revelou uma curva clara: quanto maior a idade, maior o consumo de psiquiátricos. Entre crianças e adolescentes, a taxa é de 10,7%; entre adultos de 34 a 38 anos, sobe para 23,7%; e chega a 27,3% na faixa dos 49 a 53 anos. No total, 22% dos beneficiários utilizaram algum medicamento psiquiátrico no período — proporção superior à registrada antes da pandemia.

O fenômeno não se restringe aos mais velhos. Dados anteriores da mesma empresa apontaram crescimento de 12,4% no uso de antidepressivos entre adultos de 29 a 58 anos nos últimos dois anos. Antidepressivos e analépticos lideram as prescrições, seguidos por sedativos e ansiolíticos. O ticket médio desses medicamentos gira em torno de R$ 370, mas descontos de 70% a 100%, subsidiados pelas empresas contratantes, são decisivos para garantir o acesso contínuo.

O pano de fundo é grave: em 2024, mais de 472 mil brasileiros foram afastados do trabalho por ansiedade e depressão — crescimento de 67% em relação a 2023. Os transtornos mentais já ocupam o terceiro lugar entre as causas de afastamento laboral. Alexandre Vieira, diretor médico da Funcional, aponta desigualdade no acesso ao cuidado e pressões da vida moderna como fatores estruturais por trás desse crescimento, e defende políticas de apoio emocional dentro das organizações.

O horizonte demográfico amplifica a urgência. O IBGE projeta que, em 2046, pessoas com 60 anos ou mais serão 28% da população brasileira. Para um grupo que já acumula múltiplas condições de saúde e depende de tratamentos contínuos, garantir acesso a medicamentos psiquiátricos deixa de ser uma questão individual e passa a ser um desafio de política pública de longo prazo.

Um levantamento da Funcional, empresa especializada em tecnologias para programas de suporte a pacientes, revelou que brasileiros com 58 anos ou mais lideram o consumo de medicamentos psiquiátricos no país. Esse grupo representa 30,6% de todo o consumo dessa classe de fármacos e demonstra uma característica que chama atenção: mantém a adesão ao tratamento por uma média de 9,8 meses, quase o dobro dos 6 meses observados nas demais faixas etárias.

O estudo analisou o comportamento de mais de 2,5 milhões de beneficiários do Benefício Farmácia entre agosto de 2024 e julho de 2025. Os dados mostram um padrão claro: conforme a idade avança, cresce o uso de medicamentos psiquiátricos. Entre crianças e adolescentes de 0 a 18 anos, a taxa de utilização é de 10,7%. Esse número salta para 23,7% na faixa de 34 a 38 anos e chega a 27,3% entre 49 e 53 anos. No período analisado, 22% de todos os beneficiários utilizaram algum medicamento psiquiátrico, proporção superior à registrada em 2019, antes da pandemia de covid-19.

O crescimento não se limita aos idosos. Um estudo anterior da mesma empresa, divulgado em julho, apontou aumento de 12,4% no uso de antidepressivos entre adultos de 29 a 58 anos nos últimos dois anos. Antidepressivos e analépticos — medicamentos que estimulam o sistema nervoso central e podem ser usados no tratamento de TDAH — constituem as classes mais prescritas, seguidas por sedativos e ansiolíticos. O ticket médio desses medicamentos nas farmácias gira em torno de R$ 370, mas os beneficiários recebem descontos que variam de 70% a 100%, subsidiados pelas empresas contratantes, fator decisivo para garantir acesso contínuo.

Os números refletem uma realidade mais ampla de sofrimento mental no país. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que em 2024 mais de 472 mil brasileiros foram afastados do trabalho por quadros de ansiedade e episódios depressivos. Esse número representa um crescimento de 67% em relação a 2023, elevando os transtornos mentais à terceira principal causa de afastamento laboral. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, 10,2% dos brasileiros adultos — aproximadamente 16 milhões de pessoas — já receberam diagnóstico de depressão em algum momento. Essa prevalência era de apenas 7,6% em 2013, evidenciando uma trajetória de alta que se intensificou nos últimos anos.

Alexandre Vieira, diretor médico da Funcional, interpreta esses achados como sintoma de problemas estruturais. O crescimento do consumo de antidepressivos está associado à alta prevalência da doença, à desigualdade no acesso ao cuidado em saúde mental e às pressões da vida moderna. Para Vieira, isso reforça a urgência de políticas e programas de apoio emocional nas organizações, com foco especial na adesão contínua ao tratamento.

O cenário ganha ainda mais peso quando se considera as projeções demográficas. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística prevê que em 2046 pessoas com 60 anos ou mais serão a maior fatia da população brasileira, chegando a 28%. Esse envelhecimento populacional amplia significativamente a necessidade de políticas que garantam acesso contínuo a medicamentos e acompanhamento de doenças crônicas. Pacientes idosos, que frequentemente apresentam múltiplas condições de saúde simultâneas, encontram em benefícios como o Benefício Farmácia um mecanismo essencial para manter a continuidade do seu tratamento de saúde mental.

O crescimento do uso de antidepressivos está associado à alta prevalência da doença, desigualdade no acesso ao cuidado em saúde mental e às pressões da vida moderna
— Alexandre Vieira, diretor médico da Funcional
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que os idosos usam esses medicamentos por mais tempo que outras idades?

Model

Provavelmente porque chegam à idade com mais diagnósticos acumulados e com menos resistência a buscar ajuda. Também têm mais tempo livre para manter a rotina de medicação, sem as pressões de trabalho que interrompem o tratamento em adultos mais jovens.

Inventor

Mas o crescimento entre adultos de 29 a 58 anos é preocupante, não é?

Model

Muito. Esses são os anos de maior pressão — carreira, família, responsabilidades financeiras. O crescimento de 12,4% em dois anos sugere que a vida moderna está cobrando um preço cada vez maior na saúde mental das pessoas no auge da produtividade.

Inventor

E quanto aos afastamentos do trabalho? 472 mil pessoas é um número enorme.

Model

É. E cresceu 67% em um ano. Significa que as empresas estão começando a reconhecer que não dá para ignorar a saúde mental, ou que as pessoas estão tão desesperadas que precisam sair do trabalho para lidar com isso.

Inventor

O subsídio dos medicamentos parece fazer diferença real?

Model

Faz toda a diferença. Um medicamento que custa R$ 370 fica inacessível para a maioria. Com desconto de 70% a 100%, a pessoa consegue manter o tratamento. Sem isso, muita gente simplesmente abandona.

Inventor

E em 2046, quando os idosos forem 28% da população?

Model

Vai ser um desafio imenso. Se hoje já temos dificuldade em garantir acesso, imagina quando a demanda dobrar. Precisamos começar a construir essas políticas agora.

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