Mahrez admite gol 'um pouco estranho' em empate dramático entre Argélia e Áustria

Sei que foi um pouco estranho, mas tenho que respeitar o futebol
Mahrez reflete sobre seu gol controverso nos acréscimos que classificou a Argélia e o Irã.

No Arrowhead Stadium em Kansas City, Riyad Mahrez protagonizou uma noite carregada de ambiguidade moral e história: seu gol nos acréscimos, admitido pelo próprio como 'um pouco estranho', selou o empate em 3 a 3 entre Argélia e Áustria e reconfigurou o destino de três seleções ao mesmo tempo. O futebol, fiel à sua natureza, não ofereceu conclusões limpas — apenas consequências que ecoam décadas de memória e rivalidade.

  • Um gol nos acréscimos marcado em circunstâncias duvidosas transformou o destino de três seleções em segundos, classificando o Irã e eliminando a Áustria.
  • Mahrez reconheceu publicamente a estranheza da jogada, criando um raro momento de honestidade desconfortável em meio à celebração.
  • A partida reacendeu a ferida de 1982, quando Alemanha Ocidental e Áustria combinaram um resultado para eliminar a Argélia no 'Jogo da Vergonha'.
  • Sasa Kalajdzic roubou a narrativa da vingança perfeita ao empatar no último lance, deixando o desfecho suspenso entre justiça poética e ironia esportiva.
  • A Argélia avança para enfrentar a Suíça em Vancouver, carregando um gol polêmico que o próprio autor não consegue celebrar sem ressalvas.

No Arrowhead Stadium em Kansas City, Argélia e Áustria encerraram a fase de grupos da Copa do Mundo com um empate caótico de 3 a 3. Riyad Mahrez foi o centro gravitacional da noite: marcou dois gols, deu uma assistência e participou de todos os tentos argelinos. Mas foi o terceiro gol, nos acréscimos, que deixou a zona mista em silêncio.

"Sinceramente, sei que foi um pouco estranho", admitiu Mahrez após a partida. A bola chegou à frente do goleiro em circunstâncias que muitos consideraram irregulares, mas o atacante não hesitou em completar. "Tenho que respeitar o futebol", disse, sem arrependimento — apenas a lógica crua do instinto diante de uma oportunidade.

As consequências foram imediatas e dramáticas: com aquele gol, o Irã se classificava e a Áustria era eliminada. Mahrez recusou-se a dramatizar. "Sei que é uma situação delicada, mas é futebol. Nós dois nos classificamos, e isso é o mais importante", afirmou, reconhecendo que ambas as seleções haviam avançado.

O encontro carregava um peso histórico inescapável. Em 1982, Alemanha Ocidental e Áustria orquestraram o chamado 'Jogo da Vergonha', combinando um resultado que eliminou a Argélia de forma calculada e humilhante. Quarenta e quatro anos depois, o gol de Mahrez parecia reescrever aquela história — até que Sasa Kalajdzic empatou no último lance, roubando a narrativa da vingança perfeita.

A Argélia segue em frente e enfrenta a Suíça na segunda fase, em Vancouver. Mahrez carregará consigo aquele gol estranho — admitido, não celebrado — como símbolo de uma noite em que o futebol foi, como sempre, maior do que qualquer conclusão limpa.

No Arrowhead Stadium em Kansas City, a partida entre Argélia e Áustria terminou em caos controlado: 3 a 3, na última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo. Riyad Mahrez, o camisa 7 argelino, foi o protagonista dessa noite elétrica — marcou dois gols e deu uma assistência, participando de todos os três tentos de seu país. Mas foi seu terceiro gol, marcado nos acréscimos do segundo tempo, que deixou a zona mista em silêncio incômodo.

Mahrez reconheceu o incômodo com franqueza. "Sinceramente, sei que foi um pouco estranho", disse ele após a partida. A bola havia chegado à frente do goleiro em circunstâncias que muitos consideraram duvidosas, mas o atacante não hesitou. "Tenho que respeitar o futebol, e a bola chegou na frente do goleiro, então eu tinha que marcar." Não havia arrependimento em suas palavras, apenas a lógica crua do instinto de um jogador diante de uma oportunidade.

O que tornava aquele gol ainda mais delicado era sua consequência imediata. Com o gol argelino nos acréscimos, o Irã se classificava para a próxima fase e a Áustria caía para fora da competição. A dinâmica da última rodada havia virado de cabeça para baixo em questão de segundos. Mahrez, porém, recusou-se a dramatizar a situação. "Sei que é uma situação delicada, mas é futebol. Tenho que respeitar, e o bom para eles é que marcaram e se classificaram. Nós dois nos classificamos, e isso é o mais importante hoje", afirmou, reconhecendo que ambas as seleções haviam avançado.

Há uma camada histórica nesse encontro que não pode ser ignorada. Em 1982, Argélia e Áustria já haviam protagonizado um episódio que marcou a memória do futebol mundial. Na época, os argelinos precisavam de um empate ou de uma derrota da Alemanha Ocidental para se classificar. Sabendo disso, Alemanha Ocidental e Áustria orquestraram o que ficou conhecido como o "Jogo da Vergonha". Os alemães abriram o placar aos dez minutos do primeiro tempo e praticamente pararam de jogar, deixando a Argélia eliminada. Foi uma humilhação calculada.

Quarenta e quatro anos depois, a vingança estava ao alcance. Com o gol de Mahrez nos acréscimos, a Argélia finalmente se via reescrevendo aquela história — eliminando a Áustria da Copa do Mundo. Mas o futebol, como sempre, não permitiu conclusões limpas. Sasa Kalajdzic empatou para a Áustria no último lance do jogo, roubando a narrativa perfeita da vingança argelina. O empate 3 a 3 deixou ambas as seleções classificadas, mas a Áustria seguiu adiante enquanto o Irã também se salvou.

Agora a Argélia segue em frente. Na sexta-feira, a seleção africana enfrenta a Suíça pela segunda fase do torneio no BC Place, em Vancouver. Mahrez carregará consigo aquele gol estranho, aquele momento que ele mesmo admitiu ser um pouco fora do comum, mas que o futebol permitiu e que o mantém vivo na competição.

Sinceramente, sei que foi um pouco estranho. Tenho que respeitar o futebol, e a bola chegou na frente do goleiro, então eu tinha que marcar.
— Riyad Mahrez, em zona mista após a partida
Sei que é uma situação delicada, mas é futebol. Nós dois nos classificamos, e isso é o mais importante hoje.
— Riyad Mahrez
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Como Mahrez conseguiu aceitar tão rapidamente um gol que ele próprio chamou de estranho?

Model

Porque para um atacante, a bola na frente do goleiro é sempre uma verdade. Ele não inventou a jogada — apenas completou o que o futebol ofereceu.

Inventor

Mas não havia uma sensação de culpa? A Áustria estava sendo eliminada por causa daquele gol.

Model

Mahrez deixou claro que não. Ele separou o que é responsabilidade pessoal do que é responsabilidade coletiva. Ele fez seu trabalho. A Áustria também fez o dela ao empatar depois.

Inventor

E quanto àquele histórico de 1982? Isso pesava na mente dele?

Model

Provavelmente. Mas ele não deixou isso transparecer. O que ele disse foi que ambas as seleções se classificaram, e isso era o mais importante. Talvez seja a forma de um jogador lidar com o peso da história — focando no presente.

Inventor

O empate final, então, foi uma espécie de justiça?

Model

Talvez para quem vê de fora. Para Mahrez, foi apenas futebol acontecendo. Duas seleções marcaram gols estranhos, duas se classificaram. A história não se fechou como muitos esperavam.

Quer a matéria completa? Leia o original em UOL ↗
Fale Conosco FAQ