Não conseguirá pagar e nem comprar a justiça Divina
Cinco anos após a morte da modelo cuiabana Nayara Vit em Santiago, sua mãe Eliane carrega o peso de uma absolvição que não consegue aceitar. O empresário Rodrigo Del Valle, presente no apartamento do 12º andar de onde Nayara caiu em julho de 2021, foi absolvido pela Justiça chilena e a decisão foi mantida em segunda instância. Para a família, as falhas na investigação e na preservação das provas nunca foram respondidas à altura da perda. Quando a Justiça dos homens silencia, algumas mães aprendem a esperar por outra.
- A cada aniversário da morte, a dor de Eliane Vit se renova — e desta vez veio acompanhada de acusações públicas diretas ao homem que a Justiça chilena decidiu não condenar.
- A família aponta um rastro de falhas: cena do crime não preservada, coleta de provas comprometida e uma perícia que, segundo Eliane, foi impedida pelo próprio acusado no dia da morte.
- Após quase dois anos preso preventivamente, Rodrigo Del Valle foi absolvido em junho de 2024 e a Corte de Apelação de Santiago confirmou a decisão, encerrando o caminho penal sem condenação.
- Eliane recusa o silêncio: nas redes sociais, acusa o empresário de ter 'pago pelo silêncio das autoridades' e avisa que ele não escapará da 'justiça divina'.
- Entre a acusação e a saudade, a mãe também homenageia a filha — que completaria 38 anos dias antes e deixou uma filha órfã — mantendo viva a memória de quem a Justiça formal não conseguiu proteger.
Cinco anos depois, a data de 7 de julho ainda sangra. Nayara Vit, modelo cuiabana radicada há cerca de 16 anos no Chile, morreu ao cair do 12º andar de um apartamento em Las Condes, Santiago, em 2021. Tinha 33 anos e deixou uma filha. Sua mãe, Eliane Vit, voltou às redes sociais nesta terça-feira para dizer, sem rodeios, o que pensa: Rodrigo Del Valle Mijac, namorado de Nayara e único presente no apartamento, tirou a vida da filha — e a Justiça chilena o deixou livre.
A versão de Rodrigo sempre foi a de que Nayara, sob efeito de álcool e anfetamina, teria se lançado da sacada enquanto ele estava na sala. A família nunca aceitou essa narrativa e apontou desde o início falhas graves: a cena não foi preservada, as provas foram mal coletadas e a perícia foi prejudicada. Eliane afirma que o próprio Rodrigo impediu a realização da perícia no local no dia da morte. Após ser preso por determinação judicial, ele foi absolvido em junho de 2024. A Corte de Apelação de Santiago manteve a decisão.
No aniversário da morte, Eliane escreveu com amargura que a Justiça chilena 'errou em não condená-lo, alegando erro das instituições'. Mas foi além da acusação: avisou que o empresário não conseguirá 'pagar nem comprar a justiça Divina' e que o encontro dele com essa lei está marcado. Dias antes, quando Nayara completaria 38 anos, a mãe já havia publicado uma homenagem: 'Hoje tem festa lá em cima.'
O caso permanece como um dos mais controversos envolvendo brasileiros no exterior. Para Eliane, a impunidade é insuportável — mas ela segue falando, segue lembrando e segue esperando por uma justiça que, acredita, virá de um lugar além dos tribunais.
Cinco anos se passaram desde o dia em que Nayara Vit caiu do 12º andar de um apartamento em Santiago, no Chile. Nesta terça-feira, 7 de julho, a data marcou mais um aniversário de sua morte — e sua mãe, Eliane Vit, voltou às redes sociais para expressar a raiva que ainda a consome. A aposentada cuiabana não consegue aceitar a absolvição de Rodrigo Del Valle Mijac, o empresário que era namorado de Nayara e estava no apartamento quando ela morreu. Para Eliane, a Justiça chilena cometeu um erro monumental ao deixá-lo livre.
Nayara morreu em 7 de julho de 2021, aos 33 anos, ao cair da sacada do apartamento de alto padrão onde vivia com Rodrigo no bairro Las Condes, em Santiago. A modelo, natural de Cuiabá, havia passado cerca de 16 anos no Chile e se tornou conhecida por participar do programa de televisão "Toc Show". Ela deixou uma filha órfã. A versão apresentada por Rodrigo era a de que Nayara, sob efeito de álcool e anfetamina, teria corrido e se lançado da sacada enquanto ele estava na sala. Desde o início, porém, a família rejeitou essa narrativa. Para eles, Nayara foi vítima de feminicídio.
Os questionamentos da família sobre a condução do caso nunca cessaram. Desde os primeiros dias, os parentes apontaram falhas graves na investigação: a cena do crime não foi preservada adequadamente, a coleta de provas foi comprometida, e a perícia apresentou problemas. Eliane afirma que Rodrigo impediu que a perícia fosse realizada no dia da morte e que teria pago pelo silêncio das autoridades. Quase dois anos após a morte, Rodrigo foi preso por determinação da Justiça chilena, após pedido do Ministério Público. Mas em junho de 2024, ele foi absolvido em julgamento. A Corte de Apelação de Santiago posteriormente manteve essa decisão.
Na publicação que fez nesta terça-feira, Eliane escreveu com amargura: "Hoje faz cinco anos que Rodrigo Del Valle tirou sua vida, te jogando do 12º andar da sacada do apartamento. A justiça chilena errou em não condená-lo, alegando erro das instituições, na perícia e na coleta de provas." Ela acrescentou que, embora o empresário tenha escapado da condenação criminal, não conseguirá fugir do que chama de justiça divina. "O criminoso impediu essa perícia no local no dia, pagou pelo silêncio das autoridades, mas não conseguirá pagar e nem comprar a justiça Divina. Seu encontro com a lei de Deus está marcado."
Mas a publicação não foi apenas uma acusação. Eliane também homenageou a filha, afirmando que, apesar da ausência física, Nayara segue viva na memória e no coração da família. "Quanto à Nayara, continua viva, brilhando e sorrindo. Perdemos sua presença física, mas não perdemos seu amor e sua alegria. Você é muito amada por nós." Dias antes, na sexta-feira anterior, quando Nayara completaria 38 anos, Eliane já havia publicado outra homenagem: "Hoje tem festa lá em cima. Hoje você completaria 38 anos. Você partiu tão cedo. Quantas saudades de você."
O caso de Nayara Vit permanece como um dos mais controversos envolvendo brasileiros no exterior. A família continua convencida de que houve feminicídio, enquanto a Justiça chilena considerou as provas insuficientes para condenação. Para Eliane, a impunidade é insuportável. Mas ela segue falando, segue lembrando, segue esperando — talvez não pela Justiça dos homens, mas pela que acredita vir de um lugar além.
Citas Notables
A justiça chilena errou em não condená-lo, alegando erro das instituições, na perícia e na coleta de provas— Eliane Vit, mãe de Nayara
Continua viva, brilhando e sorrindo. Perdemos sua presença física, mas não perdemos seu amor e sua alegria— Eliane Vit, homenageando a filha
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que a mãe continua falando sobre o caso cinco anos depois, se a Justiça já decidiu?
Porque para ela a decisão não é justiça — é impunidade. Quando você acredita que sua filha foi morta e o responsável foi liberado, o silêncio vira cumplicidade.
A família questionou a investigação desde o início. O que exatamente acham que foi feito errado?
Segundo eles, tudo. A cena não foi preservada, as provas foram coletadas mal, a perícia foi comprometida. E Eliane afirma que Rodrigo impediu a perícia no próprio dia da morte.
Mas ele foi preso depois. Por que não foi condenado?
A Justiça chilena disse que não havia provas suficientes. Rodrigo alegou que Nayara, sob efeito de álcool e anfetamina, se lançou da sacada sozinha. Sem provas sólidas, o juiz o absolveu.
E a família acredita em quê?
Que foi feminicídio. Que ele a jogou. E que as falhas na investigação — algumas delas, segundo eles, propositais — permitiram que ele escapasse.
Quando Eliane fala em "justiça divina", o que ela está dizendo?
Que desistiu da Justiça dos homens. Que confia em algo além do que a lei chilena pode oferecer. É uma forma de manter a esperança quando tudo mais falhou.
Nayara deixou filhos?
Uma filha. Crescerá sem mãe, e com a morte da mãe envolta em mistério e impunidade.