Ser mãe é desafiador. Para mim, é dez vezes mais
Mariana nunca passou um ano sem estar grávida desde 2011, com intervalos mínimos entre gestações e corpo adaptado ao estado gestacional contínuo. Com ajuda de duas babás e apoio da mãe, ela gerencia alimentação, educação, transporte e atividades de dez crianças mantendo rotina estruturada.
- Mariana tem 10 filhos — 8 nascidos e 2 gêmeos a caminho
- Nunca passou um ano completo sem estar grávida desde 2011
- Deixou carreira profissional na quinta gestação para dedicar-se integralmente à família
- Conta com ajuda de duas babás e apoio da mãe para gerenciar rotina
Mariana Arasaki, 36 anos, é mãe de oito filhos e espera gêmeos. Ela deixou carreira para dedicar-se integralmente à família numerosa, enfrentando desafios logísticos e críticas sociais.
Mariana Arasaki acordava certa manhã aos 36 anos e percebeu que sua vida tinha se transformado em algo que ela mesma não teria imaginado uma década antes. Mãe de dez filhos — oito já nascidos, dois ainda na barriga — a paulistana deixou a faculdade de Direito quando engravidou da primeira filha, Maria Philomena, hoje com dez anos. Depois vieram Martin, Maria Clara, Maria Sophia, Bernardo, Margarida Maria, Maria Madalena e Stella Maria, que completou onze meses de vida. Agora, grávida de gêmeos, ela criou uma conta no Instagram chamada Coração de Mami para compartilhar o dia a dia dessa família que cresceu muito além do que ela mesma teria previsto.
Quando perguntada se teria escolhido dez filhos, Mariana hesita. Não imaginava sua vida assim, mas as crianças foram chegando e preenchendo os espaços de forma tão completa que ela e o marido, o advogado Carlos, decidiram seguir adiante. Ele, filho único que sempre desejou ter irmãos, encontrou em Mariana — que cresceu entre seis irmãos — uma parceira que entendia o valor de uma família numerosa. A partir da quinta gestação, quando decidiu sair do trabalho administrativo em uma empresa de engenharia, Mariana se tornou mãe em tempo integral. Não se arrepende. "Não conseguia focar no trabalho, tinha que sair correndo, fazer tudo", explica. "Coloquei na balança, conversei com meu marido e tomei essa decisão feliz."
A rotina é militar. Com o apoio de duas babás e da própria mãe, Mariana gerencia a alimentação, as roupas, os estudos e o transporte de dez crianças para escola e atividades extracurriculares. Sair de casa no horário certo com oito filhos requer antecedência de duas horas. Banho, almoço, jantar — tudo é puxado. Mas há vantagens: os três filhos mais velhos já tomam banho sozinhos; os cinco menores ainda precisam de ajuda. Todos comem juntos à mesma hora, sentados na mesa. Quando acorda, ela deita na cama com cada um, brinca um pouco para quebrar o gelo matinal, depois os leva para a escola. Enquanto estão fora, ela fica com a caçula. Quando a bebê dorme, é seu tempo — ginástica, médico, descanso, tarefas pessoais. A volta no horário do almoço é "muito legal", diz: as crianças chegam animadas, contando o que aprenderam. À noite, ela coloca todos para dormir às oito da noite. Aí consegue sair para jantar com o marido, assistir uma série, conversar. "Esse é o segredo de ter uma família numerosa: manter uma rotina bem estabelecida para eles. Só assim a mãe consegue ter uma vida."
Desde 2011, quando Maria Philomena nasceu, Mariana nunca passou um ano completo sem estar grávida. O intervalo mínimo foi de três meses entre um nascimento e a próxima gestação. Seu corpo, ela brinca, já se acostumou — como se estivesse sempre grávida. Nunca voltou ao peso inicial porque sempre que começava a emagrecer, engravidava de novo. Cada gestação é diferente: enjoo nos primeiros quatro meses em todas elas, muito calor nas gestações de menina, muito frio nas de menino. Desta vez, dos gêmeos, é uma fome que não consegue explicar. Mas depois que o bebê nasce, vem "uma amnésia de mãe", brinca. "Quando vejo, já estou grávida de novo." A família ainda pensa em ter mais filhos. "Estamos deixando à vontade", diz. As próprias crianças pedem irmãos — quando Stella nasceu, Mariana tinha que disputar com os filhos maiores para poder cuidar da bebê.
O preço dessa vida numerosa não é apenas físico. Mariana enfrenta críticas constantes de desconhecidos que a abordam no shopping ou nas redes sociais. "Para que tudo isso?" ou "Agora chega, né?" — frases que ouve na frente das crianças, situações desagradáveis que a constrangem. Nos comentários do Instagram, recebeu ataques dizendo que ela não cuida dos filhos, que quem cuida é a babá. Isso a machuca profundamente. "Eu me mato pelos meus filhos", responde. Ela evita ler comentários negativos porque sabe que a tristeza afeta os bebês que carrega. Abdicou de sua carreira, de tempo para si mesma — o tempo livre é mínimo. Mas essa foi uma decisão sua, e ela é muito feliz com ela. "Ser mãe é desafiador. Para mim, é dez vezes mais", resume. "Toda mãe tem que ser feliz com a escolha que fez."
Citas Notables
Se naquela época me perguntassem: 'Mari, você teria dez filhos?', não sei o que eu responderia. Não imaginava a minha vida desse jeito, mas as crianças foram chegando e preenchendo nossa vida de tal forma que quisemos ter mais e mais— Mariana Arasaki
Eu sofro como toda mãe. Eu me dedico demais, abdico muito da minha vida pelas crianças. O tempo que tenho livre, para mim mesma, é mínimo, mas essa foi uma decisão minha e eu sou muito feliz com ela— Mariana Arasaki
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Como você consegue sair de casa com oito filhos sem que ninguém fique para trás?
Começamos a preparar duas horas antes. Almoço, banho, roupa — tudo tem que estar pronto. Mesmo assim, às vezes vaza uma fralda, suja a roupa de outro. A gente aprendeu a relevar essas coisas que antes eram muito importantes, como pontualidade e organização perfeita.
E quando viajam? Como funciona?
Dois carros. Meu marido dirige um, eu dirijo outro. As malas são o maior desafio — roupa de frio, de calor, tudo tem que caber. É logística pura.
Você nunca passou um ano inteiro sem estar grávida. Como é viver nesse estado contínuo?
Meu corpo se acostumou. É como se eu estivesse sempre grávida. Nunca consegui voltar ao peso inicial porque sempre que começava a emagrecer, engravidava de novo. Tem uma amnésia de mãe que faz a gente esquecer tudo — o enjoo, o cansaço — e aí vem outro.
As críticas que você recebe — elas te afetam?
Muito. Pessoas que eu nem conheço me param no shopping e falam coisas grosseiras na frente das crianças. Nos comentários, disseram que eu não cuido dos meus filhos, que quem cuida é a babá. Isso machuca porque eu me dedico demais, abdico muito. Procuro não ler para não ficar triste, porque a tristeza afeta os bebês que estou carregando.
Qual é o segredo para manter tudo funcionando?
Rotina. Coloco todos para dormir às oito da noite. Aí consigo sair para jantar com meu marido, assistir uma série, conversar. Sem rotina bem estabelecida, a mãe não consegue ter uma vida. E os filhos maiores ajudam muito os menores — eles aprendem uns com os outros.
Você pensa em parar?
A gente ainda pensa em ter mais filhos. Estamos deixando à vontade. As próprias crianças pedem irmãos. Quando a Stella nasceu, eu tinha que disputar com meus filhos maiores para poder cuidar dela. Para eles, cada bebê novo é como uma boneca.