Lula promete trabalhar contra anistia a golpistas no Congresso

Bolsonaro condenado a 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado por tentativa de golpe e abolição de Estado Democrático.
O governo vai trabalhar contra a anistia, não é o momento
Lula rejeita proposta de perdão a condenados por atos golpistas, incluindo Bolsonaro, e promete ação governamental contra a medida.

Lula declarou que o governo 'vai trabalhar contra a anistia' e que não é o momento adequado para discuti-la, pois as condenações ainda estão em curso. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe; veto presidencial de Lula é considerado certo por aliados políticos.

  • Bolsonaro condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe
  • Lula promete que governo trabalhará contra projeto de anistia no Congresso
  • Veto presidencial é considerado certo por aliados políticos de Lula

Lula afirmou que o governo federal atuará contra projeto de anistia que poderia perdoar condenados por atos golpistas, incluindo Bolsonaro, e promete veto presidencial à proposta.

Na manhã de quinta-feira, horas depois que Jair Bolsonaro recebeu uma condenação de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe e abolição do Estado Democrático, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro sua posição sobre o que virá a seguir. Em entrevista à Band, ele afirmou que o governo federal trabalhará ativamente contra um projeto de anistia em discussão no Congresso — uma proposta que, se aprovada, poderia perdoar justamente os condenados por atos golpistas, incluindo o ex-presidente.

Lula reconheceu que o Congresso tem direito constitucional de discutir anistia quando julgar apropriado. Mas deixou igualmente claro que o governo tem direito de se opor e de orientar sua base legislativa conforme seus interesses políticos. "O governo vai trabalhar contra a anistia, não é o momento de discutir anistia porque o cidadão nem foi condenado ainda", disse o presidente, numa referência ao fato de que os processos ainda estão em andamento e as condenações ainda não foram finalizadas em todas as instâncias.

O timing da declaração não era casual. A condenação de Bolsonaro pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal havia acabado de ser proferida, e a proposta de anistia já circulava entre parlamentares da oposição como resposta potencial. Aliados políticos de Lula já consideram seu veto à medida como praticamente certo, caso ela chegue à sua mesa. Isso significaria que, para derrotar o veto presidencial, os apoiadores da anistia precisariam reunir uma maioria ainda mais robusta no Congresso — dois terços dos votos em ambas as casas legislativas.

A postura de Lula reflete uma estratégia clara: não apenas se opor à anistia, mas fazê-lo publicamente e com antecedência, sinalizando para sua base que o governo não cederá nesse ponto. A questão toca em feridas ainda abertas da política brasileira, especialmente após os eventos de 8 de janeiro de 2023 e a subsequente investigação sobre a tentativa de golpe. Para o governo, ceder em anistia seria, em certa medida, deslegitimar as condenações que acabavam de ser proferidas.

O cenário que se desenha é de uma batalha legislativa que promete ser intensa. De um lado, a oposição e seus aliados no Congresso buscando viabilizar a anistia como forma de proteger Bolsonaro e outros condenados. Do outro, o governo federal usando toda sua influência para bloquear a iniciativa, com a promessa de um veto que teria força de lei até que fosse derrubado por supermaioria. A tensão política em torno dessa questão não deve diminuir nos próximos meses, especialmente conforme as condenações se consolidarem nas instâncias superiores.

O governo vai trabalhar contra a anistia, não é o momento de discutir anistia porque o cidadão nem foi condenado ainda
— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Lula escolheu falar sobre isso justamente nesta quinta-feira, logo após a condenação?

Model

O timing não é coincidência. Ele estava respondendo a uma realidade imediata — a condenação tinha acabado de sair, e a proposta de anistia já estava sendo discutida no Congresso. Falar naquele momento era estabelecer uma linha clara: o governo não vai negociar sobre isso.

Inventor

Mas o Congresso tem direito de discutir anistia, certo? Por que Lula enfatiza que "não é o momento"?

Model

Porque tecnicamente as condenações ainda estão em processo. Bolsonaro pode recorrer, pode haver julgamentos em outras instâncias. Para Lula, discutir perdão enquanto a justiça ainda está trabalhando é colocar a carroça na frente dos bois — é deslegitimar o próprio processo.

Inventor

E se a anistia for aprovada no Congresso apesar da oposição do governo?

Model

Aí entra o veto presidencial. Lula veta, e a proposta só passa se conseguir dois terços dos votos em ambas as casas. É um obstáculo muito alto. Seus aliados já dizem que o veto é certo, então a oposição teria que conquistar votos que não tem.

Inventor

Isso significa que Lula está usando sua base legislativa como escudo?

Model

Exatamente. Ele está sinalizando publicamente que vai orientar seus aliados contra a anistia. Não é apenas uma posição pessoal — é uma instrução ao governo e ao partido sobre como votar.

Inventor

Qual é o risco político para Lula nessa posição?

Model

Se a anistia ganhar força e ele não conseguir derrotá-la, fica a impressão de que o governo é fraco. Mas se ceder, parece que está legitimando um golpe. Ele escolheu o caminho mais difícil, mas também o que seus apoiadores esperavam.

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