Lula promete recuperar refinarias, mas rejeita preços pedidos por privatizadores

O Brasil é que é dono dela, não ela que é dona do Brasil
Lula redefine o papel da Petrobras como instrumento de soberania nacional, não apenas como empresa lucrativa.

Em um evento de investimentos da Petrobras na Amazônia, o presidente Lula reafirmou sua intenção de recuperar refinarias privatizadas, mas impôs uma condição clara: o governo não pagará preços inflados por ativos que, em sua visão, foram entregues a preço de banana. A fala revela uma tensão mais profunda entre duas filosofias de Estado — a que enxerga empresas públicas como instrumentos de soberania nacional e a que as trata como negócios a serem otimizados pelo mercado. Para Lula, a Petrobras não pertence a si mesma; pertence ao Brasil.

  • Lula quer recuperar refinarias privatizadas, mas recusa pagar o que os atuais donos pedem — a negociação está travada entre a vontade política e o preço de mercado.
  • O presidente chamou a privatização da Eletrobras de 'o maior roubo da história do país', elevando o tom da crítica a um nível de acusação histórica.
  • A recuperação da Fafen na Bahia e o plano para a Fafen em Sergipe sinalizam que o governo já está agindo, não apenas discursando.
  • Com R$ 2,8 bilhões em investimentos anunciados na Amazônia, a Petrobras é reposicionada como ativo estratégico de soberania, não apenas como empresa lucrativa.
  • O próximo capítulo será uma disputa sobre o que constitui um 'preço justo' — e se o governo conseguirá recuperar esses ativos dentro de seus próprios termos.

Lula subiu ao palco de um evento de investimentos da Petrobras na Amazônia com uma mensagem direta: o governo quer recuperar as refinarias privatizadas, mas não vai pagar o preço pedido pelos vendedores. Quando alguém na plateia pediu que ele resgatasse uma refinaria, o presidente respondeu que já havia trazido de volta a Fafen na Bahia e que planeja fazer o mesmo com a Fafen em Sergipe. "A Petrobras não pode dar dinheiro para as pessoas se não tiver um preço justo", disse.

O tom foi de quem está disposto a agir dentro de limites. Em um momento mais descontraído, Lula sugeriu que a Petrobras se aliasse à Pemex para explorar o Golfo do México e ironizou se Trump "ia se meter" com a estatal brasileira prospectando por lá.

As críticas mais duras vieram quando o presidente falou sobre o custo das privatizações para o Brasil. Ele questionou retoricamente o que o país ganhou com a venda da BR Distribuidora e chamou a privatização da Eletrobras de "o maior roubo da história desse país", afirmando que a empresa foi "vendida na bacia das almas".

O pano de fundo era o anúncio de R$ 2,8 bilhões em investimentos da Petrobras na Amazônia. Lula usou a ocasião para reposicionar a estatal como instrumento de soberania nacional, não apenas como empresa orientada ao lucro. Segundo ele, a Petrobras precisa pensar no Brasil, não apenas em si mesma — e o Brasil é que é dono dela, não o contrário.

O que está em jogo agora é uma disputa sobre o que constitui um preço justo — e se o governo conseguirá recuperar esses ativos dentro de seus próprios termos, sem abrir mão da lógica que orienta toda a fala: patrimônio público não se entrega, se recupera.

Lula subiu ao palco em um evento de anúncio de investimentos da Petrobras na Amazônia com uma mensagem clara: o governo quer trazer de volta as refinarias que foram privatizadas, mas não vai pagar o preço que os vendedores estão pedindo. Quando alguém na plateia pediu que ele recuperasse uma refinaria, o presidente respondeu direto: seu governo já trouxe de volta a Fafen na Bahia e planeja fazer o mesmo com a Faen em Sergipe. "Vamos tentar recuperar as refinarias que eles privatizaram, mas não podemos comprar pelo preço que eles querem", disse. "A Petrobras não pode dar dinheiro para as pessoas se não tiver um preço justo."

O tom da fala foi de quem está disposto a agir, mas dentro de limites. Lula deixou claro que sonha com muito para a Petrobras, mas que a empresa não pode ser usada para encher os bolsos de quem lucrou com as privatizações anteriores. Em um momento de brincadeira, ele sugeriu que a Petrobras se aliasse à Pemex, a estatal mexicana de petróleo, para explorar o Golfo do México — e ironizou se o presidente Trump "ia se meter" com a Petrobras prospectando lá.

Mas a crítica mais dura veio quando Lula falou sobre o que as privatizações custaram ao Brasil. Ele lembrou que em 2004 comprou uma empresa de distribuição de gás para controlar o preço do botijão. Depois, o governo anterior vendeu a BR Distribuidora entre 2019 e 2021. "Alguém pode me explicar o que o Brasil ganhou quando eles privatizaram a BR?", perguntou, retoricamente. "Tem algum colunista importante, algum cientista político que possa me explicar?"

A Eletrobras recebeu crítica ainda mais severa. Lula chamou sua privatização de "o maior roubo da história desse país" e disse que a empresa foi "vendida na bacia das almas" — uma expressão que significa vendida por nada, em condições ridículas. O tom não era de quem estava apenas discordando de uma política; era de quem via a privatização como uma traição aos interesses nacionais.

O contexto para essa fala era o anúncio de R$ 2,8 bilhões em investimentos da Petrobras na Amazônia. Lula usou a ocasião para reposicionar a estatal como um ativo de soberania nacional, não apenas como uma empresa que precisa ser lucrativa. Ele explicou que a Petrobras não pode "pensar só na Petrobras enquanto empresa" — tem de pensar no Brasil. Se fosse só por lucro, um diretor da estatal diria que não faz sentido construir barcaças na Amazônia se custar dez milhões de dólares quando é mais barato comprar na China. Mas a Petrobras não funciona assim, segundo Lula. "O Brasil é que é dono dela, não ela que é dona do Brasil."

A mensagem subjacente é que o governo está em modo de recuperação — trazendo de volta ativos que considera estratégicos, mas sem desperdiçar dinheiro público. Não é uma nacionalização desenfreada; é uma negociação com condições. E é uma crítica frontal à lógica das privatizações dos governos anteriores, que Lula vê como uma entrega do patrimônio nacional a preços injustos. O que vem a seguir é uma disputa sobre qual preço é justo — e se o governo conseguirá recuperar essas refinarias dentro de seus próprios termos.

Vamos tentar recuperar as refinarias que eles privatizaram, mas não podemos comprar pelo preço que eles querem
— Presidente Lula
A Petrobras não tem de pensar só na Petrobras enquanto empresa, tem de pensar no Brasil
— Presidente Lula
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Lula insiste em recuperar refinarias se a Petrobras já é uma estatal grande e lucrativa?

Model

Porque para ele não se trata de lucro. É sobre quem controla a cadeia de produção de energia no país. Quando você vende uma refinaria, você perde o controle sobre o preço final do combustível, sobre o emprego, sobre a tecnologia.

Inventor

Mas ele disse que não vai pagar o preço que eles querem. Como negocia isso?

Model

Essa é a tensão real. Ele quer recuperar os ativos, mas não quer que o governo pague caro demais — o que significaria tirar dinheiro de saúde, educação. É um jogo de poker: ele mostra que quer comprar, mas só se o preço for razoável.

Inventor

A brincadeira sobre Trump e o Golfo do México — era só brincadeira mesmo?

Model

Tinha brincadeira, mas também tinha mensagem. Ele estava dizendo que a Petrobras é grande o bastante para competir internacionalmente, que não precisa se encolher. E que não tem medo de Trump.

Inventor

Por que ele trouxe à tona a BR Distribuidora, que foi vendida anos atrás?

Model

Porque ainda dói. Para Lula, aquela venda foi um erro estratégico que o Brasil nunca recuperou. Trazer de volta a BR seria reverter um dano que ele vê como irreparável — ou quase.

Inventor

E a Eletrobras? Ele chamou de roubo.

Model

Sim. Para ele, a Eletrobras foi vendida por um preço ridiculamente baixo, em condições que não refletiam o valor real do ativo. Não é apenas desacordo político — é raiva de ter visto patrimônio nacional esvaziado.

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