Lula promete governo com cara do Brasil, com mais mulheres e negros

A composição do governo vai ter a cara do Brasil
Lula promete que seu futuro governo refletiria a diversidade da sociedade brasileira, com mais mulheres, negros e indígenas.

Em Belo Horizonte, às vésperas do segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou que um eventual governo seu espelharia a pluralidade do povo brasileiro — com mais mulheres, negros e indígenas no poder. Num momento em que a violência política se intensificava contra figuras femininas da vida pública, o candidato escolheu a paz como bandeira, lembrando que nações se constroem pelo diálogo, não pelo confronto.

  • A tensão na campanha escalou com ataques explícitos a mulheres na política, incluindo uma ministra do STF e uma ex-ministra presentes na própria coletiva.
  • Simone Tebet, terceira colocada no primeiro turno e agora aliada de Lula, denunciou um padrão de violência de gênero que atribuiu ao estímulo do presidente Bolsonaro.
  • Lula respondeu com repúdio direto a qualquer forma de agressão, enquanto o TSE sinalizou que agiria institucionalmente contra a intolerância e a misoginia.
  • A campanha petista aposta em Minas Gerais como colégio eleitoral decisivo, mobilizando especialmente o eleitorado feminino como força determinante no segundo turno.

No segundo dia consecutivo em Minas Gerais — estado estratégico onde havia vencido no primeiro turno —, Lula reafirmou em Belo Horizonte que seu governo, se eleito, teria o rosto do Brasil: mais mulheres, mais negros, mais indígenas ocupando espaços no Executivo federal, em vez de uma elite sempre concentrada nos mesmos círculos.

A coletiva aconteceu em clima carregado. Simone Tebet, que decidira apoiar Lula após ficar em terceiro lugar, denunciou ataques recentes contra mulheres na política — entre eles um vídeo do ex-deputado Roberto Jefferson ofendendo a ministra Cármen Lúcia, do STF, e um episódio em que a ex-ministra Marina Silva foi xingada em um restaurante durante a madrugada. Tebet foi direta: as mulheres seriam decisivas para derrotar Bolsonaro, a quem acusou de estimular violência contra elas.

Lula não titubeou ao ser questionado. O país não queria guerra santa, disse — queria paz. Ele repudiou qualquer agressão, e o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, emitiu nota reforçando que a corte tomaria todas as providências necessárias contra intolerância, discriminação e misoginia.

O candidato também voltou a criticar a política armamentista de Bolsonaro, repetindo um argumento central de sua campanha: armas não educam, armas matam. Sobre Ciro Gomes — cujo partido decidira apoiá-lo, mas que gravara um vídeo morno de adesão —, Lula foi generoso: não queria apoio coagido. Que Ciro decidisse como e quando quisesse. A campanha petista, deixou claro, se sustentava na mobilização própria — e, segundo Tebet, sobretudo nas mãos das eleitoras brasileiras.

Lula estava em Belo Horizonte no sábado quando reafirmou um compromisso que vinha repetindo há semanas: se eleito, seu governo teria o rosto do Brasil. Mais mulheres. Mais negros. Indígenas também. A composição do Executivo federal refletiria a diversidade da sociedade que o elegesse, não uma elite concentrada nos mesmos espaços de sempre.

Era o segundo dia consecutivo do ex-presidente em Minas Gerais, estado onde havia vencido no primeiro turno e que permanecia estratégico para suas chances no segundo. A campanha se desenrolava em clima tenso. Momentos antes de sua fala, a senadora Simone Tebet havia denunciado ataques crescentes contra mulheres na política — um vídeo do ex-deputado Roberto Jefferson atacando a ministra Cármen Lúcia do Supremo Tribunal Federal, e um episódio na madrugada em que a ex-ministra Marina Silva, presente na coletiva, havia sido xingada em um restaurante. Tebet, que ficara em terceiro lugar no primeiro turno e decidira apoiar Lula, afirmou que as mulheres seriam decisivas na eleição contra Jair Bolsonaro, acusando o presidente de estimular violência contra elas.

Quando questionado sobre o tema, Lula não hesitou em condenar. O país não queria guerra santa, disse. O país clamava por paz. Ele repudiou qualquer tipo de violência, qualquer tipo de agressão. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes, emitiu nota na sequência reafirmando que a corte tomaria todas as providências institucionais necessárias para combater a intolerância, a violência, a discriminação e a misoginia.

Na mesma coletiva, Lula voltou a criticar a política de Bolsonaro de estímulo à compra de armas pela população. Armas não educam, disse. Armas matam. Ninguém compra armas para fazer o bem. Era um argumento que vinha martelando na campanha, contrastando sua visão de segurança pública com a do adversário.

Houve também uma questão sobre Ciro Gomes, que ficara em quarto lugar no primeiro turno. O PDT, partido de Ciro, havia decidido apoiar Lula na segunda rodada, mas o próprio Ciro se limitara a gravar um vídeo afirmando que acatava a decisão da legenda, sem entusiasmo explícito. Lula foi claro: não ia insistir em apoio coagido. Queria que Ciro tivesse liberdade de decidir o que quisesse, como quisesse e na hora que quisesse. Era um sinal de que a campanha petista não dependia de adesões forçadas, mas sim da mobilização de seus próprios apoiadores — e, segundo Tebet, especialmente das mulheres que viam em Lula uma alternativa ao que chamava de estímulo à violência de gênero.

Vamos ter mais mulheres no governo, mais negros no governo, vamos ter indígenas... a composição do governo vai ter a cara do Brasil
— Lula
A gente não pode fazer uma guerra santa nesse país. Esse país não quer uma guerra santa. O país não quer violência, o país clama por paz
— Lula
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Lula insistiu tanto em falar sobre a composição do governo naquele momento específico?

Model

Porque estava em Minas Gerais, um estado que havia vencido no primeiro turno e onde precisava consolidar apoio. Mas também porque a campanha estava sendo marcada por ataques contra mulheres — ministras, ex-ministras. Falar sobre representação não era abstrato; era resposta direta ao clima de violência que se instalava.

Inventor

A questão da diversidade era promessa ou diagnóstico?

Model

Era ambos. Promessa de um governo diferente, mas também diagnóstico de que o Brasil era diverso e merecia ser representado como tal. Não era caridade; era reconhecimento de quem realmente compunha o país.

Inventor

E por que Lula foi tão cuidadoso com Ciro Gomes?

Model

Porque coagir apoio é exatamente o que a campanha dele criticava em Bolsonaro. Se Lula forçasse Ciro, estaria contradizendo seu próprio discurso sobre paz e liberdade. Era coerência política.

Inventor

As mulheres realmente decidiriam a eleição, como Tebet sugeriu?

Model

Tebet acreditava nisso. E havia lógica: mulheres eram maioria do eleitorado, e os ataques contra elas estavam visíveis. Se mobilizadas, poderiam ser decisivas. Era uma aposta da campanha.

Inventor

Qual era o risco de falar tanto sobre violência política?

Model

Nenhum, na verdade. Quanto mais Lula condenava, mais se posicionava como alternativa à agressividade. E quanto mais agressivo era o ambiente, mais sua mensagem de paz ressoava.

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