Lula prevê PIB surpreendente e critica 'pessimistas' em reunião ministerial

A economia vai dar salto importante quando as pessoas começarem a produzir mais
Lula descreve seu cenário de crescimento econômico durante reunião ministerial no Palácio do Planalto.

Em março de 2023, o presidente Lula reuniu seus ministros no Planalto para contestar as projeções econômicas sombrias que dominavam o debate público — entre elas, a previsão de apenas 0,9% de crescimento do PIB registrada pelo Boletim Focus. Sua primeira agenda oficial após uma semana de recuperação de pneumonia foi também um ato de fé política: a crença de que a economia real, movida por pequenos produtores nos rincões do país, surpreenderia os pessimistas, como já havia acontecido em 2005. O encontro revelou não apenas uma disputa de narrativas sobre o futuro econômico, mas também a vontade de Lula de governar como um bloco coeso, disciplinando vozes ministeriais dispersas em torno de uma única voz de governo.

  • Com o Boletim Focus apontando crescimento de apenas 0,9% e pesquisa Datafolha mostrando avanço do pessimismo popular — de 20% para 26% —, o governo Lula enfrentava uma crise de confiança antes mesmo de completar três meses.
  • Lula rejeitou publicamente projeções que chegavam a 0,1% de crescimento, apostando que a economia de pequeno e médio porte, quando aquecida nos interiores do país, reverteria o quadro e surpreenderia os céticos.
  • A equipe de Haddad apresentou um novo marco fiscal naquele mesmo dia, com tramitação prevista para o Congresso nas semanas seguintes e incorporação às regras da LDO 2024 — sinal de que o governo buscava ancoragem institucional para sua aposta de crescimento.
  • Em tom firme e sem citar nomes, Lula cobrou dos ministros disciplina comunicativa: nenhuma proposta seria anunciada sem passar pela Casa Civil, transformando agendas individuais em uma única voz de governo.

Na manhã de uma segunda-feira de março, Lula chegou ao Palácio do Planalto com uma mensagem direta: ele não acreditava nas projeções pessimistas sobre o crescimento econômico de 2023. Era sua primeira agenda oficial após mais de uma semana se recuperando de pneumonia no Palácio da Alvorada — e ele escolheu esse retorno para contestar abertamente o Boletim Focus, que fixava o crescimento do PIB em apenas 0,9%.

Diante dos ministros reunidos, o presidente pintou um quadro diferente do que as pesquisas capturavam nas ruas. Uma sondagem Datafolha divulgada dias antes mostrava que a proporção de brasileiros que esperavam piora na economia havia saltado de 20% para 26%, enquanto os otimistas recuavam de 49% para 46%. Lula não ignorava esses números — ele os confrontava com a convicção de que, quando a economia de pequeno e médio porte começasse a funcionar de verdade nos rincões do país, o Brasil veria um salto que os analistas não antecipavam.

O presidente evocou 2005, quando havia previsto um crescimento que a imprensa especializada descartava e a economia brasileira cresceu 5,8%. Desta vez, evitou repetir a frase que o havia exposto ao ridículo, mas a lógica era a mesma: os pessimistas estavam errados, e o resultado dependeria da disposição do governo, do discurso econômico e do setor produtivo.

Naquele mesmo dia, a equipe de Fernando Haddad apresentou um novo marco fiscal. O ministro estava visivelmente satisfeito com a proposta, e Lula notou isso publicamente. A minuta seria protocolada nos dias seguintes, com o objetivo de incorporar as novas regras à Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2024 — a ser apresentada até 15 de abril — e seguir depois para votação na Câmara e no Senado.

A reunião também teve um tom de disciplina interna. Lula deixou claro, sem citar nomes, que não queria ouvir falar de propostas de ministros individuais: qualquer ideia deveria passar pela Casa Civil antes de ser anunciada. O governo, disse ele, funcionaria como um bloco coeso — não como uma coleção de agendas paralelas.

Na segunda-feira de março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou na sala de reuniões do Palácio do Planalto com uma mensagem clara para seus ministros: ele não acreditava nas projeções sombrias que circulavam sobre o crescimento econômico do país naquele ano. No mesmo dia em que o Boletim Focus — o levantamento semanal do Banco Central com as expectativas do mercado — havia fixado a previsão de crescimento do PIB em apenas 0,9%, Lula rejeitava essa avaliação como excessivamente pessimista.

O presidente havia conversado com o ministro da Economia, Fernando Haddad, na semana anterior e deixado claro seu desacordo com projeções que apontavam crescimento de 0,1% ou ainda menor. Diante dos ministros reunidos, Lula pintou um quadro diferente: quando a economia de pequeno e médio porte começasse a funcionar de verdade nos rincões do país, quando as pessoas começassem a produzir, comprar e vender mais, o Brasil veria a economia dar um salto importante. Sua confiança contrastava fortemente com o sentimento que as pesquisas capturavam nas ruas.

Uma sondagem Datafolha divulgada poucos dias antes havia mostrado um Brasil cada vez mais desconfiado. A proporção de brasileiros que esperavam piora na economia havia saltado de 20% para 26%. Ao mesmo tempo, aqueles que apostavam em melhora caíram de 49% para 46%. Um quarto da população simplesmente não via mudança à vista. Era o cenário que Lula tentava reescrever com sua fala de otimismo — sua primeira agenda no Planalto após mais de uma semana recuperando-se de pneumonia no Palácio da Alvorada.

O presidente evocou um momento anterior de sua trajetória, quando em 2005 havia previsto um "milagre do crescimento" que a imprensa especializada descartava. Naquela ocasião, a economia brasileira havia crescido 5,8%, surpreendendo os céticos. Lula não queria repetir aquela frase desta vez, consciente de como havia sido ridicularizado pela mídia, mas a lógica era a mesma: os pessimistas estavam errados, e coisas maiores aconteceriam no Brasil do que as pessoas esperavam. Tudo dependeria, segundo ele, da disposição do governo, do discurso da área econômica e do setor produtivo.

Naquele mesmo dia, a equipe de Haddad havia apresentado um novo marco fiscal — um conjunto de regras para disciplinar as contas públicas. O ministro da Economia estava visibilmente satisfeito com a proposta, e Lula notou isso publicamente, sugerindo que Haddad acreditava que o texto passaria no Congresso. A minuta ainda não estava finalizada, mas o governo pretendia protocolar nos dias seguintes e incorporar as novas regras à Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2024, a ser apresentada até 15 de abril. O projeto seguiria então para a Câmara dos Deputados, passaria por comissões e plenário, e se aprovado, iria ao Senado. Se o Senado fizesse alterações, voltaria à Câmara para decisão final.

A reunião daquela manhã reunia ministros das áreas produtivas — desde Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, até Carlos Fávaro da Agricultura, Marina Silva do Meio Ambiente, e uma longa lista de outros titulares. Mas Lula aproveitou o encontro para fazer uma cobrança que ia além da economia: ele não queria ouvir falar de propostas de ministros individuais, e sim de propostas de governo. Qualquer ideia, por mais brilhante que fosse, deveria passar pela Casa Civil antes de ser anunciada publicamente. O tom foi duro, sem nomes citados, mas a mensagem era clara — o governo funcionaria como um bloco coeso, não como uma coleção de agendas ministeriais paralelas.

Não concordo com avaliação negativa que o PIB vai crescer 0,1%. Vamos ver o que vai acontecer quando a economia micro, pequena e média começar a acontecer nos rincões desse país.
— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Não queremos propostas de ministros. Todas as propostas de ministros deverão ser transformadas em propostas de governo.
— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o presidente escolheu justamente esse momento, quando as pesquisas mostram desconfiança crescente, para fazer um discurso tão otimista sobre a economia?

Model

Porque ele estava respondendo a um sinal específico — o Boletim Focus daquele dia fixava o crescimento em 0,9%, e Lula vê isso como uma profecia que se cumpre por falta de confiança, não por realidade. Ele acredita que o pessimismo é uma escolha, não um fato.

Inventor

Mas as pessoas estão realmente mais pessimistas. A Datafolha mostra isso. Como ele muda isso com um discurso?

Model

Ele não está tentando mudar a pesquisa. Está tentando mudar o comportamento dos atores que importam — o governo, a área econômica, o setor produtivo. Se eles acreditarem e agirem, o crescimento vem, e então as pessoas acreditam.

Inventor

Ele mencionou 2005 e aquele crescimento de 5,8%. Isso é uma comparação justa?

Model

Não exatamente. Ele mesmo reconheceu que foi ridicularizado por aquela previsão. Mas o ponto não é a precisão — é que ele estava certo quando outros estavam errados. Ele está apostando que isso se repete.

Inventor

E o marco fiscal? Por que isso importa para a conversa sobre crescimento?

Model

Porque o marco fiscal é o sinal de que o governo está sério sobre disciplina fiscal. Sem isso, o mercado não acredita em nada que o presidente diz sobre crescimento. É a moeda de troca — austeridade para ganhar confiança.

Inventor

Ele fez uma cobrança forte sobre ministros anunciarem coisas sem passar pela Casa Civil. Isso está relacionado?

Model

Está. Se ministros saem anunciando políticas contraditórias, o mercado fica confuso, a confiança cai. Ele precisa de uma voz única, coordenada. É controle, mas também é necessário para que qualquer mensagem econômica funcione.

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