Lula fará pedido imediato a comandantes das Forças para encerrar protestos em quartéis

Manifestantes acampados em quartéis enfrentam possível remoção forçada após atos de vandalismo em Brasília.
Lula os vê como um desrespeito às próprias instituições que os abrigam
O presidente eleito considera os acampamentos militares um problema institucional, não apenas político.

Lula já comunicou a aliados que remover manifestantes de quartéis será prioridade nas conversas com futuros comandantes-gerais das Forças Armadas. Comandantes atuais publicaram carta apoiando manifestações de inconformidade, mas ignoraram apelos golpistas e determinaram não reprimir marchas nas unidades militares.

  • Lula comunicou a aliados que remover manifestantes de quartéis será prioridade nas conversas com futuros comandantes-gerais
  • General Julio Cesar de Arruda (Exército), almirante Marcos Olsen (Marinha) e brigadeiro Marcelo Damasceno (Aeronáutica) foram selecionados para os novos comandos
  • Comandantes atuais podem deixar cargos antes de 1º de janeiro, permitindo que novos comandantes assumam interinamente
  • Atos de vandalismo ocorreram em Brasília na noite de 12 de dezembro, após a diplomação de Lula

Lula planeja solicitar aos novos comandantes das Forças Armadas o encerramento dos protestos contra resultado eleitoral em quartéis, considerando-os desrespeito institucional.

Luiz Inácio Lula da Silva já deixou claro aos seus aliados parlamentares que remover os manifestantes acampados nas entradas de quartéis será uma de suas primeiras prioridades ao conversar com os novos comandantes das Forças Armadas. Os protestos, que contestam o resultado das eleições e pedem intervenção militar, ocupam perímetros de segurança militar em todo o país — e Lula os vê como um desrespeito às próprias instituições que os abrigam.

O presidente eleito comunicou essa intenção na quinta-feira, 8 de dezembro, durante um encontro com a cúpula do partido Avante em seu hotel em Brasília. Entre os presentes estavam os deputados federais André Janones e Luís Tibé, ambos de Minas Gerais. Na ocasião, Lula mencionou que José Múcio Monteiro seria seu novo ministro da Defesa e que gostaria de conversar rapidamente com os futuros comandantes das três forças — Exército, Marinha e Aeronáutica — justamente para tratar do encerramento desses acampamentos. Ele já havia selecionado os nomes: general Julio Cesar de Arruda para o Exército, almirante Marcos Olsen para a Marinha e brigadeiro Marcelo Damasceno para a Aeronáutica. Um encontro estava marcado para a sexta-feira, 9 de dezembro, mas foi adiado a pedido de Múcio, que precisava fazer uma reunião prévia com o atual ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.

O cenário é complexo. Os comandantes atuais do governo Bolsonaro sinalizaram que pretendem deixar seus cargos dias antes da posse de Lula, em 1º de janeiro. Isso significa que os novos comandantes poderiam assumir interinamente antes dessa data, acelerando a articulação para dissolver os acampamentos. Há uma semana, esses mesmos comandantes publicaram uma carta expressando apoio às manifestações de inconformidade com o resultado das eleições, desde que não houvesse "excessos". O texto ignorou completamente os apelos golpistas e o clamor por intervenção militar que permeiam muitos dos atos. Um dia antes da publicação, o comandante do Exército havia ordenado ao generalato da ativa que não reprimisse pela força as marchas, concentrações e discursos diante do Quartel-General em Brasília e nas unidades militares pelo país — e também que não estimulasse esses atos.

Mas a ordem não foi totalmente obedecida. Oficiais e praças da ativa e da reserva já foram flagrados incentivando e participando dos acampamentos. Um parlamentar que aconselha Lula sobre o diálogo com a caserna explicou ao jornal Estadão que o maior problema não é apenas a participação de militares da ativa, mas especialmente a presença de integrantes da reserva, familiares de militares e o apoio dos Clubes Militares. Trata-se de uma articulação mais ampla e difícil de controlar apenas por ordem superior.

O assunto precisa ser levado aos generais porque os acampamentos ocorrem em perímetro de segurança de área militar, sob responsabilidade dos comandos das Forças Armadas — não das secretarias de segurança pública dos estados. A Polícia do Exército controla o patrulhamento nesses espaços. Na madrugada de terça-feira, 13 de dezembro, o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Julio Danilo, afirmou que a manutenção do acampamento no Quartel-General em Brasília seria "reavaliada" após os atos de vandalismo registrados horas depois da diplomação de Lula, na sede do Tribunal Superior Eleitoral. Ele ressalvou, porém, que se trata de área militar, cabendo ao governo local apenas ações acessórias de ordem pública e limpeza. O delegado garantiu que os envolvidos nos crimes seriam alcançados, independentemente de onde estivessem.

O que se desenha é um teste de força institucional nos primeiros dias do novo governo. Lula quer que os quartéis voltem à normalidade — sem acampamentos, sem manifestações, sem a presença de pessoas contestando o resultado das eleições nas portas das unidades militares. Os novos comandantes, ainda não formalmente nomeados, terão de executar essa ordem. E os manifestantes, muitos deles militares da reserva com direitos constitucionais de protesto, enfrentam a possibilidade de remoção forçada de espaços que ocupam há semanas.

Lula disse aos líderes do Avante que considera as concentrações um desrespeito às próprias Forças Armadas
— Parlamentares presentes no encontro de 8 de dezembro
A manutenção ou não do acampamento no Quartel-General em Brasília será reavaliada após os atos de vandalismo
— Julio Danilo, secretário de Segurança Pública do Distrito Federal
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Lula considera esses protestos um desrespeito às Forças Armadas, e não apenas uma manifestação política legítima?

Model

Porque os acampamentos ocorrem dentro de perímetro militar, sob responsabilidade dos comandos. Não é o mesmo que protestar na rua. É ocupar o próprio espaço institucional que deveria estar sob controle.

Inventor

Os comandantes atuais publicaram uma carta apoiando as manifestações. Como Lula conseguirá remover os acampamentos se a liderança militar está dividida?

Model

A carta foi cuidadosa — apoiou a "inconformidade", mas ignorou os apelos golpistas. E os novos comandantes já foram selecionados por Múcio Monteiro. Lula está contando com essa transição para mudar o tom.

Inventor

Qual é o verdadeiro obstáculo aqui? Parece que não é apenas a ordem de um general.

Model

Exatamente. O problema é que muitos dos manifestantes são da reserva, têm direitos constitucionais, e contam com apoio dos Clubes Militares. Não é só desobediência — é uma rede institucional de apoio.

Inventor

E se os novos comandantes também não conseguirem remover os acampamentos?

Model

Aí Lula enfrenta uma crise de autoridade no seu primeiro mês. Significa que nem mesmo a nova liderança das Forças consegue controlar seus próprios espaços.

Inventor

Os atos de vandalismo em Brasília mudam essa equação?

Model

Sim. Dão ao governo local e aos militares uma justificativa legal para agir. Não é mais apenas uma questão de ordem administrativa — virou crime.

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