Lula critica guerra Rússia-Ucrânia como desnecessária e defende reforma da ONU

Essa guerra foi desnecessária, poderia ter sido resolvida numa mesa
Lula critica o conflito Rússia-Ucrânia e aponta fracasso do Conselho de Segurança da ONU em evitá-lo.

Enquanto o mundo observa o segundo ano de um conflito que parecia impensável na Europa, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva oferece um diagnóstico que vai além das trincheiras: a guerra entre Rússia e Ucrânia é, para ele, o sintoma de uma arquitetura institucional que envelheceu sem se renovar. Em entrevista na manhã de segunda-feira, Lula reafirmou que o conflito era evitável e que o Conselho de Segurança da ONU — imutável desde 1945 — carrega parte da responsabilidade por não tê-lo impedido. O Brasil, fiel à sua tradição diplomática, recusa o papel de combatente e aposta no de mediador, enviando o experiente Celso Amorim para sondar tanto Moscou quanto Kiev em busca de uma fresta por onde a paz possa entrar.

  • Lula classifica a guerra como 'desnecessária' e evitável por negociação, intensificando a pressão simbólica sobre as potências que falharam em preveni-la.
  • A crítica ao Conselho de Segurança da ONU expõe uma tensão estrutural: cinco países detêm poder de veto desde 1945, enquanto África, América Latina e Ásia emergente permanecem à margem das decisões globais.
  • O Brasil movimenta-se diplomaticamente ao enviar Celso Amorim para dialogar com Putin e Zelensky, tentando identificar qualquer abertura para negociações de paz.
  • Lula deixa claro que, se surgir uma brecha, está pessoalmente disposto a intervir — mas fixa um limite inegociável: o Brasil não enviará armas nem tropas a nenhum dos lados.
  • A postura brasileira navega entre a pressão do BRICS e as expectativas ocidentais, consolidando uma identidade de potência mediadora que recusa alinhamentos militares explícitos.

Na manhã de segunda-feira, em entrevista a uma rádio baiana, o presidente Lula voltou a um tema que não abandona: a guerra entre Rússia e Ucrânia não precisava ter acontecido. Para ele, o conflito representa um fracasso coletivo da diplomacia internacional — e, em particular, do órgão criado exatamente para evitar esse tipo de catástrofe.

A crítica de Lula ao Conselho de Segurança da ONU é direta: os mesmos cinco países — Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França — dominam o órgão há quase oitenta anos, sem que nenhuma voz nova tenha entrado. O presidente defende uma reforma que amplie a representatividade global, incluindo África, América Latina, Índia, Alemanha e Japão. Um conselho mais diverso, argumenta, teria força política real para prevenir guerras.

Mas a posição brasileira não se limita à crítica. Lula enviou Celso Amorim, seu assessor especial e ex-chanceler, para conversar separadamente com Zelensky e Putin, em busca de qualquer abertura diplomática. Se essa brecha aparecer, o presidente disse estar pronto para intervir pessoalmente — usando até o diminutivo do próprio nome para sublinhar a disposição informal e direta.

Há, porém, um limite claro: o Brasil não vai entrar na guerra, não vai enviar armas nem se alinhar militarmente com nenhum dos lados. A aposta é na mediação, não no confronto — uma escolha que reflete tanto a tradição diplomática brasileira quanto a complexidade de um país que ocupa posição central no BRICS sem querer ser capturado por nenhum dos blocos em conflito.

Numa entrevista à rádio baiana na manhã de segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou uma crítica que vem repetindo há meses: a guerra entre Rússia e Ucrânia não precisava ter acontecido. Para ele, o conflito é um fracasso da diplomacia internacional — e mais especificamente, um fracasso do órgão que deveria ter evitado justamente isso.

O presidente foi direto. "Essa guerra foi desnecessária", disse. "Essa guerra poderia ter sido resolvida numa mesa de negociação." A frustração subjacente é clara: o Conselho de Segurança da ONU, que existe desde 1945 com o propósito de manter a paz global, não funcionou. E Lula acredita saber por quê. O conselho permanece dominado pelos mesmos cinco países há quase oitenta anos — Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França. Nenhum deles saiu. Nenhum novo entrou. Para o presidente brasileiro, essa estrutura congelada é parte do problema.

Sua solução é ambiciosa: expandir o conselho para incluir vozes que hoje não têm assento à mesa. Lula quer que a África ganhe mais representatividade. Quer que a América Latina tenha mais peso. Quer que a Índia entre. Quer que Alemanha e Japão tenham lugar. A ideia subjacente é que um conselho mais diverso, mais representativo do mundo como ele é hoje, teria "força política para tomar decisões e evitar guerras". Um órgão que refletisse a realidade geopolítica contemporânea, não a de 1945.

Mas Lula não está apenas criticando de longe. Seu governo já está tentando fazer algo a respeito. Ele enviou Celso Amorim, seu assessor especial para assuntos internacionais e ex-chanceler, para conversar com Volodymyr Zelensky na Ucrânia. Enviou o mesmo Amorim para conversar com Vladimir Putin na Rússia. O objetivo é simples: procurar por uma abertura, uma brecha por onde a diplomacia pudesse entrar. Se essa abertura aparecer, Lula deixou claro que está pronto para intervir pessoalmente. "Quando tiver essa brecha o Lulinha entra para ajudar a resolver", disse, usando o diminutivo de seu próprio nome de forma coloquial.

Mas há um limite claro nessa disposição. Lula foi enfático: o Brasil não vai entrar na guerra. Não vai se alinhar militarmente com nenhum dos lados. Não vai enviar armas, tropas ou qualquer forma de apoio bélico. A posição brasileira é a de um mediador que quer ajudar a encontrar uma saída, não a de um combatente. É uma postura que reflete tanto a história diplomática do Brasil quanto a realidade de um país que prefere negociar a confrontar. E é também uma resposta implícita aos que esperariam que o Brasil, como potência regional e membro do BRICS, tomasse partido de forma mais explícita.

Essa guerra foi desnecessária. Essa guerra poderia ter sido resolvida numa mesa de negociação.
— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Tem que colocar mais países, mais representatividade da África, da América Latina, a Índia tem que entrar, a Alemanha, o Japão, para que a gente tenha um Conselho de Segurança com força política para tomar decisões e evitar guerras.
— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Lula insiste tanto que essa guerra poderia ter sido evitada?

Model

Porque para ele o fracasso não foi militar ou político — foi institucional. A ONU tinha um mecanismo exatamente para isso. Não funcionou.

Inventor

E ele realmente acredita que expandir o Conselho de Segurança resolveria o problema?

Model

Não é tão simples assim. Ele acredita que um conselho mais representativo teria legitimidade diferente, força política diferente. Mas também sabe que é uma reforma que levaria anos.

Inventor

Então por que mandar Amorim conversar com Putin e Zelensky agora?

Model

Porque não custa tentar. Se houver uma brecha, uma abertura, o Brasil quer estar lá. Mas Lula deixa claro: não é para entrar na guerra, é para sair dela.

Inventor

Qual é o risco dessa posição para o Brasil?

Model

Ficar entre dois fogos. Nem os que querem que o Brasil apoie a Ucrânia vão ficar satisfeitos, nem os que querem alinhamento com a Rússia. Mas Lula escolheu a mediação.

Inventor

E se não houver brecha nenhuma?

Model

Então o Brasil continua como está — criticando a guerra, defendendo reforma institucional, mas fora do conflito. É uma posição confortável, mas também limitada.

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