Esquecimento que merecia ser nomeado publicamente
Em uma cerimônia que deveria ser apenas de celebração, o presidente Lula escolheu o palco dos investimentos federais nas periferias do Rio para nomear uma ausência: o Instituto Federal da Cidade de Deus, esquecido nos planos do prefeito Eduardo Paes. O gesto revelou que, por trás do alinhamento institucional entre governo federal e municipal, persistem divergências sobre quem, de fato, é lembrado quando os recursos chegam às comunidades mais vulneráveis. A crítica velada de Lula em Guaratiba não era apenas sobre uma obra omitida — era sobre a escolha de quem merece ser incluído no projeto de cidade.
- Lula foi ao Rio para celebrar o início das obras do PAC Jardim Maravilha em Guaratiba, mas desviou do roteiro ao apontar publicamente uma falha do prefeito Paes.
- A ausência do Instituto Federal da Cidade de Deus nos investimentos formalizados acendeu uma tensão entre os dois níveis de governo, expondo divergências sobre prioridades nas periferias.
- A crítica presidencial, ainda que diplomática na forma, carregou peso político ao questionar se a educação profissional nas comunidades mais carentes estava sendo tratada como prioridade real.
- Lula foi além da obra e fez um apelo eleitoral velado, alertando cariocas contra colocar uma 'raposa no galinheiro' na gestão municipal — sinalizando desconforto com os rumos da administração local.
- O evento terminou como símbolo duplo: avanço nos investimentos federais em periferias e alerta de que o governo federal está de olho no que está sendo deixado para trás.
O presidente Lula esteve no Rio de Janeiro em junho para formalizar o início das obras do PAC Jardim Maravilha, em Guaratiba — um projeto do Novo PAC voltado para periferias da cidade. A presença pessoal do presidente no lançamento era um sinal claro de prioridade política. Mas o evento não seguiu apenas o script de celebração.
Durante a cerimônia, Lula criticou o prefeito Eduardo Paes por ter deixado de fora o Instituto Federal da Cidade de Deus dos investimentos que estavam sendo formalizados. A omissão, na avaliação do presidente, não era um detalhe menor: o Instituto representava acesso à educação profissional para jovens de uma das comunidades mais conhecidas e historicamente marginalizadas do Rio.
A crítica, ainda que contida nos limites do protocolo entre autoridades, revelou que o alinhamento entre governo federal e municipal tem fissuras. Lula deixou claro que acompanha de perto como os recursos estão sendo distribuídos — e que espera que comunidades vulneráveis não sejam esquecidas nas negociações.
O presidente foi além e fez um apelo político aos eleitores cariocas, pedindo que não colocassem uma 'raposa no galinheiro' na gestão municipal. A expressão sinalizava uma preocupação com os rumos da administração local e marcava distância entre sua visão de investimento em periferias e a do prefeito em exercício.
Guaratiba ficou, assim, como palco de uma mensagem dupla: obras avançam, mas o governo federal vigia o que está sendo deixado para trás.
O presidente Lula estava no Rio de Janeiro na segunda quinzena de junho para um evento que deveria celebrar investimentos federais nas periferias da cidade. A ocasião marcava o início formal das obras do PAC Jardim Maravilha em Guaratiba, um projeto que havia sido anunciado meses antes como parte do Novo PAC, o programa de aceleração do crescimento do governo federal. Mas durante o evento, Lula desviou do script de celebração para apontar uma ausência que o incomodava.
O presidente criticou o prefeito Eduardo Paes por ter omitido o Instituto Federal da Cidade de Deus dos investimentos que estavam sendo formalizados. A Cidade de Deus, uma das comunidades mais conhecidas do Rio, não havia sido contemplada com essa infraestrutura educacional nos planos apresentados pela prefeitura, segundo a avaliação de Lula. A crítica, ainda que velada nos termos diplomáticos que cercam encontros entre autoridades, sinalizava uma divergência sobre como os recursos federais deveriam ser distribuídos nas áreas mais carentes da cidade.
O evento em si representava um momento de alinhamento entre governo federal e municipal. Lula estava ali para formalizar obras que já haviam sido anunciadas, reforçando o compromisso da administração federal com investimentos em periferias. A presença do presidente em Guaratiba, participando pessoalmente do lançamento das obras, era um sinal de prioridade política. Mas a menção ao Instituto Federal ausente revelava que nem tudo estava harmonioso entre os dois níveis de governo.
A fala de Lula ecoava uma preocupação mais ampla sobre como os investimentos federais estavam sendo direcionados nas periferias do Rio. O Instituto Federal representava não apenas infraestrutura, mas acesso à educação profissional para jovens de comunidades que historicamente enfrentam barreiras educacionais. A omissão, na visão do presidente, era um esquecimento que merecia ser nomeado publicamente.
O contexto político também pesava. Lula aproveitou o evento para fazer um apelo aos eleitores cariocas, pedindo que não colocassem uma "raposa no galinheiro" no governo municipal. A expressão, carregada de significado, sugeria uma preocupação com a direção que a administração local poderia tomar. O presidente estava sinalizando que havia diferenças substantivas entre sua visão de investimento em periferias e a do prefeito em exercício.
O evento em Guaratiba, portanto, não foi apenas uma celebração de obras iniciadas. Foi também um momento de tensão velada, onde o governo federal deixava claro que acompanhava de perto como os recursos estavam sendo alocados e que esperava que prioridades como a educação profissional nas comunidades mais vulneráveis não fossem deixadas de lado. A crítica a Paes pela omissão do Instituto Federal da Cidade de Deus marcava o tom dessa relação: apoio aos investimentos anunciados, mas vigilância sobre o que estava sendo deixado para trás.
Citações Notáveis
É um sonho meu poder realizar esse sonho de vocês— Lula, durante o evento
Lula pediu que eleitores cariocas não colocassem uma raposa no galinheiro no governo municipal— Lula, em apelo aos eleitores
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que Lula escolheu esse momento específico para criticar o prefeito? Não seria mais diplomático deixar isso de lado?
A crítica não era gratuita. Lula estava ali formalizando investimentos federais, então tinha legitimidade para apontar o que achava que faltava. Era uma forma de dizer: estou colocando dinheiro federal aqui, mas vocês estão esquecendo de algo importante.
E por que o Instituto Federal da Cidade de Deus especificamente?
Porque educação profissional é acesso. Um Instituto Federal em uma comunidade como a Cidade de Deus muda trajetórias. Lula estava dizendo que periferias precisam de mais que obras de infraestrutura — precisam de oportunidades.
A crítica a Paes era pessoal ou política?
Era política. Lula estava sinalizando que há diferenças entre sua visão de desenvolvimento e a do prefeito. O apelo para não colocar "raposa no galinheiro" deixava claro que ele via riscos em uma continuidade da administração municipal.
Qual era o risco real?
Que investimentos federais em periferias fossem capturados por prioridades diferentes das que Lula considerava essenciais. Educação, acesso, oportunidade — não apenas obras visíveis.
E Paes respondeu?
O registro não mostra uma resposta imediata. Mas a crítica pública deixava Paes em posição defensiva, tendo que explicar por que o Instituto Federal não estava nos planos.