Lula critica cobrança de Trump no Estreito de Ormuz como 'pirataria'

É anormal ganhar dinheiro em cima da desgraça
Lula critica a proposta de Trump de cobrar taxa sobre navios no Estreito de Ormuz como lucro sobre conflito que os EUA provocaram.

No cruzamento entre o poder marítimo e a moral política, o presidente Lula invocou uma palavra antiga — pirataria — para nomear algo novo: a proposta de Donald Trump de cobrar 20% sobre cargas que atravessem o Estreito de Ormuz sob proteção americana. A acusação, feita em São Paulo, coloca o Brasil no centro de um debate mais amplo sobre quem tem o direito de controlar as artérias do comércio global e a que custo. Por trás da retórica, ergue-se uma questão que atravessa séculos: pode uma nação transformar a segurança coletiva em fonte de lucro privado?

  • Trump propõe que os EUA se tornem 'guardiões' do Estreito de Ormuz e cobrem 20% sobre todas as cargas que passem pela rota — uma reviravolta em relação à sua própria posição de junho de 2026.
  • Lula responde com uma acusação moral direta, comparando a medida à pirataria histórica e denunciando o que chama de lucro sobre um conflito que os próprios EUA teriam provocado.
  • O Irã eleva o tom: seu comando militar avisa que qualquer tentativa americana de transitar pelo estreito sem autorização será 'fortemente contestada' e que cooperação regional com os EUA será tratada como ato de guerra.
  • O Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de 20% do petróleo e gás globais antes do conflito, torna-se o epicentro de uma disputa entre soberania, segurança e interesse econômico.
  • O Brasil posiciona-se como voz crítica ao unilateralismo americano, enquanto a tensão entre Washington e Teerã aponta para um possível confronto sobre o controle de uma das rotas mais estratégicas do mundo.

Na segunda-feira, durante visita ao Instituto Mauá de Tecnologia em São Paulo, o presidente Lula respondeu à proposta de Donald Trump sobre o Estreito de Ormuz com uma palavra carregada de história: pirataria. Trump havia declarado, em entrevista à Fox News e em posts na Truth Social, que os EUA deveriam atuar como 'guardiões' do estreito e cobrar uma taxa de 20% sobre todas as cargas transportadas pela rota, como compensação pelos custos de segurança.

Lula não deixou margem para interpretação. Afirmou que uma nação que historicamente combateu a pirataria não poderia 'voltar agora a virar pirata'. Para ele, a proposta era não apenas economicamente questionável, mas moralmente incompatível com princípios democráticos. O ponto mais contundente de sua crítica foi a lógica do lucro sobre o conflito: os EUA teriam provocado a guerra com o Irã e agora pretendiam cobrar dos navios que precisassem atravessar a região. 'Não é comum, normal, democrático. É anormal ganhar dinheiro em cima da desgraça', disse.

A proposta de Trump representa uma mudança em relação à sua posição anterior, adotada em junho de 2026, quando havia descartado qualquer cobrança de pedágio no estreito. Na justificativa publicada na Truth Social, ele argumentou que a taxa seria uma questão de equidade — os EUA mereceriam ser reembolsados por garantir a segurança de uma rota usada por todo o mundo.

A resposta do Irã foi imediata. O comando militar iraniano declarou que não permitiria intervenção americana na administração do estreito e alertou que qualquer trânsito sem autorização iraniana seria 'fortemente contestado'. O comunicado foi além: qualquer cooperação de líderes regionais com os EUA seria considerada um ato de guerra contra o Irã.

O Estreito de Ormuz, com cerca de 50 quilômetros de largura, conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e era responsável por cerca de 20% do comércio global de petróleo e gás antes do conflito. A declaração de Lula posiciona o Brasil como crítico da abordagem unilateral americana, enquanto a tensão entre Washington e Teerã aponta para um confronto crescente sobre quem, afinal, detém o direito de controlar uma das rotas mais estratégicas do planeta.

Na segunda-feira, durante uma visita ao Instituto Mauá de Tecnologia em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu às declarações de Donald Trump sobre o Estreito de Ormuz com uma acusação direta: pirataria. Trump havia afirmado, em entrevista à Fox News e em posts na rede Truth Social, que os Estados Unidos deveriam ser os "guardiões" do estreito e cobrar uma taxa de 20% sobre todas as cargas transportadas pela via marítima como compensação pelos custos de segurança da região.

Lula não deixou espaço para ambiguidade. "Antigamente, isso se chamava pirataria", disse o presidente, referindo-se à proposta de Trump. Ele argumentou que uma nação importante como os Estados Unidos, que historicamente combateu a pirataria, não deveria "voltar agora a virar pirata". Para Lula, a responsabilidade de manter o estreito aberto não era negociável e não deveria gerar lucro. O presidente brasileiro também criticou o que chamou de incompatibilidade entre a proposta e os princípios democráticos.

A questão central para Lula era moral e política. Ele apontou que os EUA haviam provocado o conflito com o Irã e agora pretendiam lucrar com ele, cobrando dos navios que atravessassem a região. "É muito delicado a gente perceber que os EUA provocam uma guerra e, agora, começam a cobrar pelo navio que vai atravessar pela segurança dele", afirmou. Classificou a intenção como "anormal" e incompatível com práticas democráticas normais. "Não é comum, normal, democrático. É anormal ganhar dinheiro em cima da desgraça."

O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo com cerca de 50 quilômetros de largura que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes do conflito entre Irã e Estados Unidos, aproximadamente 20% de todo o petróleo e gás comercializado globalmente passava pela região. A proposta de Trump representa uma mudança em relação à sua posição anterior, adotada em junho de 2026, quando havia afirmado que não haveria cobrança de pedágio no estreito.

Na justificativa divulgada na Truth Social, Trump argumentou que a taxa seria uma questão de equidade. Ele escreveu que o estreito permaneceria aberto para todos os países, exceto para clientes iranianos, e que os EUA, como guardiões da região, mereceriam ser reembolsados pelos custos necessários para garantir a segurança. A resposta iraniana foi imediata e contundente. O comando militar do Irã afirmou que não permitiria que os EUA interviessem na administração do estreito e alertou que qualquer tentativa de transitar pela via sem autorização iraniana seria "fortemente contestada". O comunicado foi além, incluindo um aviso direto aos líderes regionais: qualquer cooperação com os EUA seria considerada guerra contra o Irã.

A declaração de Lula reflete a crescente tensão geopolítica em torno de uma das rotas comerciais mais críticas do mundo. O presidente brasileiro posicionou o Brasil como crítico da abordagem unilateral dos EUA, enquanto o Irã sinalizou que não aceitará passivamente a imposição de controle americano sobre o estreito. A situação aponta para um possível confronto entre as pretensões dos EUA de garantir a segurança da rota e a determinação do Irã de manter influência sobre uma via que passa por suas águas territoriais.

Antigamente, isso se chamava pirataria. Um estado importante como os EUA, por muito tempo combateu a pirataria, não volte agora a virar pirata.
— Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil
Qualquer tentativa dos EUA de transitar pelo estreito sem a autorização iraniana será fortemente contestada.
— Comando militar iraniano, em comunicado oficial
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Lula escolheu a palavra pirataria especificamente para descrever o que Trump está propondo?

Model

Porque pirataria é exatamente isso — um ator poderoso cobrando pedágio sobre navios em uma rota internacional. Lula estava dizendo que Trump está fazendo em 2026 o que as potências navais combateram durante séculos. É uma acusação de hipocrisia histórica.

Inventor

Mas Trump argumenta que está prestando um serviço de segurança. Não há lógica nisso?

Model

Há uma lógica comercial, claro. Mas Lula está questionando se é legítimo lucrar com um conflito que você mesmo provocou. Se você cria a instabilidade, você não deveria cobrar para resolvê-la.

Inventor

O Irã respondeu muito rapidamente. O que isso significa?

Model

Significa que o Irã não vai aceitar isso passivamente. Eles estão sinalizando que qualquer tentativa de implementar essa taxa será contestada militarmente. É um aviso claro de que o controle do estreito não é negociável.

Inventor

Qual é o risco real aqui para o comércio global?

Model

Se o Irã bloqueia navios ou os EUA precisam usar força para manter a rota aberta, o preço do petróleo dispara. Vinte por cento do petróleo mundial passa por ali. Uma guerra comercial ali é uma crise energética global.

Inventor

Por que Lula está falando sobre isso agora, em São Paulo?

Model

Porque o Brasil é uma economia que depende de comércio internacional. Uma taxa de 20% sobre cargas afeta o custo de tudo que passa por ali. Lula está defendendo os interesses econômicos do Brasil e criticando o que vê como abuso de poder.

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