Lula chama taxa de 20% dos EUA em Ormuz de 'pirataria'

É anormal ganhar dinheiro em cima da desgraça
Lula criticando a proposta de Trump de cobrar 20% sobre cargas no estreito de Ormuz.

Quando Donald Trump propôs que os Estados Unidos se tornassem 'guardiões' do estreito de Ormuz e cobrassem 20% sobre todas as cargas que ali transitam, Lula respondeu com uma palavra carregada de história: pirataria. Falando em São Paulo nesta segunda-feira, o presidente brasileiro colocou a proposta americana no contexto de uma lógica que considera invertida — a de provocar um conflito e depois lucrar com ele. O que está em disputa não é apenas uma taxa comercial, mas o direito de controlar uma das artérias mais vitais da economia global, e quem tem legitimidade para fazê-lo.

  • Trump anunciou que os EUA cobrarão 20% de todas as cargas no estreito de Ormuz como 'reembolso' por garantir a segurança da via, revertendo declaração anterior de junho em que descartava qualquer pedágio.
  • Lula chamou a medida de pirataria e a classificou como anormal, antidemocrática e moralmente inaceitável — um estado lucrando sobre a desgraça que ele mesmo teria provocado.
  • O Irã respondeu de imediato com linguagem de confronto direto: não permitirá intervenção americana no estreito e considera qualquer cooperação regional com os EUA um ato de guerra contra Teerã.
  • A proposta colide com a natureza jurídica do estreito de Ormuz como via internacional, cuja administração exige negociação multilateral — não pode ser unilateralmente taxada por uma potência externa.
  • O episódio expõe uma fratura crescente entre a narrativa americana de 'guardião legítimo' e a percepção de outros líderes globais, que enxergam na proposta uma forma atualizada de coerção imperial.

Lula não deixou passar a proposta de Trump sem resposta. Nesta segunda-feira, durante visita ao Instituto Mauá de Tecnologia em São Paulo, o presidente brasileiro chamou de pirataria a ideia americana de cobrar 20% sobre todas as cargas que transitam pelo estreito de Ormuz. A palavra foi escolhida com peso: "Antigamente, isso se chamava pirataria. Um estado importante como os EUA, por muito tempo combateu a pirataria. Não volte agora a virar pirata."

Trump havia apresentado a proposta no mesmo dia, em entrevista à Fox News e em postagem no Truth Social. A lógica americana é que os EUA, ao garantir a segurança do estreito — corredor que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e por onde passava cerca de um quinto do petróleo e gás comercializado no mundo —, deveriam ser compensados. A taxa de 20% seria essa compensação. Navios iranianos continuariam impedidos de transitar; todos os outros teriam "uso livre e irrestrito", mas pagariam o pedágio.

Para Lula, a lógica é perigosa e moralmente invertida. Os EUA teriam provocado o conflito com o Irã e agora querem lucrar com ele. "É anormal ganhar dinheiro em cima da desgraça", disse o presidente, classificando a postura como incompatível com princípios democráticos. A questão, para ele, vai além da economia: é sobre quem tem o direito de controlar uma rota comercial de importância global.

O Irã respondeu com dureza. Em comunicado oficial, o comando militar iraniano afirmou que não permitirá intervenção americana na administração do estreito e alertou que qualquer tentativa de trânsito sem autorização iraniana será fortemente contestada. O tom foi ainda mais longe: qualquer cooperação de líderes regionais com os EUA será tratada como ato de guerra contra Teerã.

A declaração de Trump desta segunda representa uma mudança em relação a junho, quando ele havia descartado a ideia de pedágio no estreito. Agora, com a proposta detalhada e o Irã em posição de confronto aberto, o que estava sendo disputado nesta troca de declarações é o controle geopolítico de um espaço vital — e Lula, ao invocar a palavra pirataria, sinalizou que o Brasil não aceitará essa lógica sem contestação.

Luiz Inácio Lula da Silva não deixou passar em branco a proposta de Donald Trump de cobrar 20% sobre todas as cargas que transitarem pelo estreito de Ormuz. Falando em São Paulo nesta segunda-feira, durante visita ao Instituto Mauá de Tecnologia, o presidente brasileiro chamou a medida de pirataria — uma palavra que carrega peso histórico quando sai da boca de um líder de estado.

Trump havia divulgado a ideia no mesmo dia, em entrevista à Fox News e depois em postagem na rede Truth Social. A proposta é que os Estados Unidos assumam o papel de "guardiões do estreito" e sejam "reembolsados" pelos custos de manter a via marítima aberta e segura. Segundo Trump, essa compensação seria justa: 20% de toda carga transportada pelo corredor, que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e por onde passava, antes do conflito atual, cerca de um quinto de todo o petróleo e gás comercializado no mundo.

Para Lula, a lógica é invertida e perigosa. "Antigamente, isso se chamava pirataria", disse o presidente. "Um estado importante como os EUA, por muito tempo combateu a pirataria. Não volte agora a virar pirata." A crítica vai além da semântica. Lula apontou que os EUA provocaram o conflito — referindo-se à escalada de tensão com o Irã — e agora querem lucrar com ele. "É muito delicado a gente perceber que os EUA provocam uma guerra e, agora, começam a cobrar pelo navio que vai atravessar pela segurança dele. Não é comum, normal, democrático. É anormal ganhar dinheiro em cima da desgraça."

O presidente qualificou a postura como incompatível com princípios democráticos. A questão não é apenas econômica, mas sobre quem tem o direito de controlar uma das rotas comerciais mais importantes do planeta e sob que condições. Trump, em sua justificativa, argumenta que a taxa é uma questão de equidade — os EUA arcam com custos para manter a segurança da região, logo devem ser compensados. Mas essa narrativa esbarra em uma realidade mais complexa: o estreito de Ormuz é uma via internacional, e sua administração envolve negociações entre múltiplos atores, especialmente o Irã.

O Irã respondeu de forma imediata e contundente. Em comunicado oficial, o comando militar iraniano afirmou que "não permitirá que os EUA intervenham na administração do Estreito de Ormuz". Mais que isso, alertou que qualquer tentativa americana de transitar pela via sem autorização iraniana será "fortemente contestada". O tom escalou ainda mais quando o Irã se dirigiu aos líderes regionais: qualquer cooperação com os EUA será considerada guerra contra o Irã.

A declaração de Trump desta segunda marca uma mudança em relação à posição que havia adotado em junho, quando afirmou que não haveria cobrança de pedágio no estreito. Dessa vez, ele detalhou a proposta, deixando claro que o bloqueio iraniano seria mantido — apenas navios iranianos seriam impedidos de transitar — enquanto todos os outros países teriam "uso livre e irrestrito". Mas a compensação de 20% permaneceria.

O que estava em jogo nesta troca de declarações é o controle geopolítico de um espaço vital para a economia global. Lula, ao chamar a proposta de pirataria, estava sinalizando que o Brasil — e possivelmente outras nações — não aceitaria essa lógica. A questão agora é como essa disputa se desenrola nos próximos passos, com o Irã já deixando claro que não cederá facilmente e Trump dobrando a aposta sobre o papel americano como guardião de uma das rotas mais estratégicas do mundo.

Antigamente, isso se chamava pirataria. Um estado importante como os EUA, por muito tempo combateu a pirataria. Não volte agora a virar pirata.
— Luiz Inácio Lula da Silva
Não permitirá que os EUA intervenham na administração do Estreito de Ormuz. Qualquer tentativa dos EUA de transitar pelo estreito sem autorização iraniana será fortemente contestada.
— Comando militar iraniano
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Lula escolheu a palavra pirataria especificamente? Parece uma comparação forte.

Model

Porque pirataria é exatamente isso — um estado poderoso cobrando pedágio em uma via internacional sob ameaça de força. Historicamente, os EUA combateram piratas. Agora Trump está propondo fazer exatamente o que piratas faziam.

Inventor

Mas Trump argumenta que os EUA estão arcando com custos de segurança. Não há lógica nisso?

Model

Há uma lógica, mas ela ignora que o estreito de Ormuz não é propriedade americana. A segurança é responsabilidade compartilhada entre potências regionais e internacionais. Cobrar 20% é transformar segurança em lucro.

Inventor

O Irã respondeu muito rápido. O que isso significa?

Model

Significa que o Irã vê isso como uma ameaça direta ao seu poder regional. Se os EUA conseguem cobrar pedágio, o Irã perde influência sobre uma rota que passa por seu território. É uma questão de soberania.

Inventor

Lula disse que os EUA provocaram a guerra. Ele está certo?

Model

Ele está apontando que a escalada de tensão com o Irã foi iniciativa americana. Agora, lucrar com essa tensão é o que o incomoda — não é defesa, é especulação sobre conflito.

Inventor

Isso pode virar um conflito maior?

Model

Tudo depende se Trump tenta realmente implementar a cobrança. O Irã já disse que contestará qualquer transito sem autorização. Estamos em um ponto de inflexão.

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